= AS MINHAS LEITURAS =
J. R. Whitaker Penteado no seu livro Relações Públicas nas empresas modernas relata-nos assim o nascimento das Relações Públicas:
“As Relações Públicas constituem uma das raras actividades humanas que se iniciou numa data certa e cujo crescimento pode ser rigorosamente acompanhado através de uma cronologia precisa. Da mesma forma que o Brasil é talvez o único país do mundo que tem na Carta de Pero Vaz de Caminha a sua certidão de nascimento, as Relações Públicas começaram para a História num incidente perfeitamente conhecido da vida de um homem que existiu, em corpo e espírito, e que se chamou William D. Vanderbilt. Não teve uma carta por certidão de nascimento, mas apenas uma frase – a frase infeliz que, no ano de 1873, num momento de ira, pronunciou aquele potentado dos Caminhos de Ferro dos Estados Unidos da América do Norte
- “O público que vá para o diabo!”
Atrás dessa explosão de nervos tensos de William D. Vanderbilt revelava-se toda uma história sombria de excessos tanto mais condenáveis porque se processavam através da exploração em grande do homem pelo homem, uma das consequências patológicas da Revolução Industrial.
Que excessos foram esses que a Revolução Industrial desencadeou?
Quer-nos parecer que a maneira mais objectiva de responder a essa questão é limitar-nos a caracterizar os excessos naturais da ambição humana quando a Era Mecanicista da Revolução Industrial atingiu o seu paroxismo. O sublinhado revela a posição mental em que nos colocamos para apreciar esses tristes capítulos de um evento radiante da história da humanidade sobre a Terra. Pensamos, como o filósofo, que como homens e mulheres que somos, nada nos estranha que pertença à condição humana. A ambição e a sua contrapartida, o desprendimento podem assumir - e nos momentos de crise geralmente assumem – proporções exageradas, monstruosas até. A descoberta da máquina – e da sua força inédita e espantosa nos processos de produção – veio simplesmente revelar, em toda a sua crueza, aquilo que todos nós estávamos fartos de saber: que homens e mulheres não são anjos e até mesmo, sob determinadas condições, podem agir como demónios. Admitida essa premissa, não nos devemos espantar com os excessos que foram cometidos num determinado período da revolução industrial, do homem contra o homem. A deificação da máquina, num dado momento, vilificou o homem. Isto já se havia verificado em religiões antigas, como entre os fenícios, que alimentavam Baal-Molok com os corpos jovens das suas virgens e dos seus mancebos; e os exageros de uma concepção individualista perante o poder da máquina iriam consistir, durante algum tempo, numa espécie de religião ateia: a antiquíssima devoção e culto às riquezas materiais.
Os industriais ingleses têm talvez, uma desculpa. A de nunca – antes da máquina ao serviço da produção – se haver consubstanciado conjuntura igual para propiciar tamanho volume de riquezas e através do seu uso discricionário, de poder. Fenómeno idêntico, embora de proporções reduzidas, ocorreu mil vezes durante a história: os egipcíos conheceram-no muito bem e depois deles os persas, os gregos e tantos outros povos, dentre os quais os romanos que, como os demais, ficaram devendo a sua perdição ao excesso de riqueza e de poder. O arrebanhamento indiscriminado dos primeiros trabalhadores juntos, como animais, nas primeiras fábricas infectas, de certa maneira repetiu, no século XVIII, as proezas bárbaras dos construtores das pirâmides do Egipto, assim como o trabalho das mulheres e das crianças nas minas representou, para os europeus da época, a escravidão dos brancos nos moldes do que sempre se fizera em África. Jornadas de trabalho de dezoito horas, salários de fome, castigos corporais, exterminação maciça de populações obreiras, tudo serviu aos potentados da indústria nascente, para o culto da máquina em detrimento do ser humano.
Somente desta vez houve uma distinção fundamental e nova entre os processos de exploração antigos e os modernos. A produção trazia na sua substância os imperativos do consumo. A loucura furiosa do enriquecimento através da produção maciça das massas acabou rebentando de encontro às muralhas rochosas e duras do consumo: a necessidade de consumir salvou o ser humano da condenação de produzir. Todavia, esta foi uma evidência que demorou mais de cem anos para se fazer sentir. Ela surgiu em toda a sua plenitude exactamente naquele dia em que Vanderbilt explodiu em Nova Iorque, mandando que o público fosse para o diabo ...
As circunstâncias são bem conhecidas através da narração primorosa de Edward Bernays. Aconteceu que o comodoro deu ordem para suspender o tráfego num pequeno ramal cujos resultados financeiros estavam a ser negativos. Apanhado de surpresa nas estações de embarque, de um dia para o outro, o público reagiu provocando desordens. Como sempre acontece nestes casos, a polícia interveio e disparou as suas armas contra o povo enfurecido. Houve mortos e feridos. Nem por isso o tráfego do ramal foi restabelecido. Durante alguns dias continuaram as desordens.
Para fazer a cobertura jornalística destes acontecimentos o secretário do Times – obscuro jornal nova-iorquino nessa época – chamou um foca. Em linguagem, foca é o novato, o reporter principiante, o que recebe sempre as missões mais difíceis, senão impossíveis para divertimento dos veteranos. - Quero que você obtenha uma entrevista exclusiva com o Comodoro William D. Vanderbilt. Se conseguir você ganha uma primeira página e uma semana de salário extra.
O novato – de quem o cronista não refere o nome - lá seguiu para a confluência da Lexington Avenue com a Rua 42, onde já se erguia, naquele fim de século, o poderoso edifício da New York Central. Não deve ter percebido os sorrisos maliciosos dos veteranos, todos eles perfeitamente conscientes da total impossibilidade de se conseguir uma entrevista exclusiva com um dos mais poderosos e prepotentes tycoons dos Estados Unidos.
E também, como sempre acontece nestas histórias de jornalistas principiantes, o foca anónimo acabou por conseguir o impossível: foi recebido pelo inacessível presidente dos Caminhos de Ferro. A entrevista, como não podia deixar de ser, desenvolveu-se de maneira tumultuosa e interpelado pelo jornalista sobre as providências que deveria tomar para restabelecer o tráfego – única maneira de satisfazer os anseios de uma pobre população operária, à qual faltavam outros meios de transporte para se deslocar das suas casas para os locais de trabalho – o Comodoro Vanderbilt exasperado pela ousadia, acabou expulsando o reporter da sua sala berrando, enquanto dava murros na mesa: - O público que vá para o diabo!
Foi exactamente essa a frase que o secretário do jornal aproveitou para abrir a manchete da edição do seu jornal, adornando-a com a fotografia do comodoro.
Em circunstâncias normais, o incidente deveria ter morrido ali. Vivia-se numa época em que os grandes homens de empresa, norte-americanos, encastelados nas suas fortunas nababescas, faziam o que bem entendiam, sem outras cogitações que não fossem aquelas ditadas pelos seus interesses individuais e imediatos. A opinião pública era apenas uma abstracção. Mesmo que existisse, não poderia jamais ter a veleidade de manifestar-se. Todos os grandes órgãos de informação estavam, de uma forma ou de outra, atrelados aos interesses dos poderosos do momento e só publicavam o que lhes era mandado de cima. Ninguém se preocupava com o interesse público, pois tudo quanto existia era o entrechoque violento dos interesses individuais – os robber barons compraziam-se em entredevorar-se num banquete apocalíptico do qual o consumidor dos produtos ou o usuário dos serviços se limitava a fazer parte da ementa. Não existia, pois nenhuma possibilidade para que uma escandalosa manchete, colocada na primeira página de um pequeno e inexpressivo jornal de Nova Iorque – tão pequeno e tão inexpressivo que podia dar-se ao luxo de continuar sendo independente – causasse qualquer celeuma no país, perturbando os banquetes de Lúculo dos tubarões da época.
O impossível, porém, às vezes acontece e foi isto exactamente o que se passou com a desastrada entrevista do Comodoro William D. Vanderbilt. A manchete berrante caiu sob os olhos dos nova-iorquinos e edições sucessivas do Times começaram a sair das bancas por toda a cidade para a mão de leitores ávidos. O secretário do jornal sentiu a reacção pública e aprofundou-se no assunto reverberando o desprezo dos poderosos pela opinião pública e denunciando aquele e outros excessos que se verificavam todos os dias. Desencadeou-se assim uma extraordinária e corajosa campanha jornalística, inicialmente em Nova Iorque e depois disseminada por toda a imensa extensão do país, insistindo na mesma tónica. Essa campanha imortalizou na história do jornalismo norte-americano os famosos removedores de esterco, repórteres audaciosos e apaixonados, que começaram a contar as tenebrosas manobras que se sucediam nos bastidores das empresas contra os interesses do público. A corrupção que lavrava como uma peste nas esferas do governo também conheceu a sua rua da amargura. Os grandes criminosos começaram a ser apontados e, com extraordinária violência, começou a afirmar-se a Opinião Pública – instância suprema da avaliação dos tycoons e seus fantoches disfarçados de homens do governo.
Uma vez desencadeada a torrente, não mais foi possível estancá-la. O público norte-americano recusou-se a ir para o diabo. Ao contrário da imprensa, numa luta de todos os dias e todas as horas, esmerou-se em dar o troco. Mandar para o diabo os exploradores, os corruptos, toda uma cáfila que fizera da livre iniciativa o direito libertário de escravizar todo um povo à sua inextinguível ganância.
Nessa época desordenada, nasceram as Relações Públicas como actividade individualizada nas grandes empresas sob o fogo inimigo. Destruídas as amarras da justa revolta popular contra os excessos do lucro a qualquer preço, os homens da imprensa foram forçados a perceber que alguma coisa deveria ser feita - tinha de ser feita - para que o país não mergulhasse num abismo sem fundo. O próprio Vanderbilt, menos de um mês depois das manchetes do Times, publicou nas primeiras páginas de todos os jornais norte-americanos uma declaração desmentindo a entrevista e oferecendo ao público a propriedade das acções da New York Central. Durante os cinquenta anos que se seguiram àquela manhã tempestuosa de 1873, à medida que se consolidava o novo poder de opinião, iam-se caracterizando as relações públicas no âmbito das empresas – uma forma de reconhecimento declarado do respeito que essas mesmas empresas passavam a dispensar àquela opinião pública tantas vezes ignorada.
À sobranceria derradeira de Vanderbilt com o seu “O público que vá para o diabo!” sucedeu a novidade da resposta de Ivy Lee, um corrector de anúncios de jornal que, este sim, foi o legítimo precursor dos actuais profissionais de relações públicas:
- O público tem de ser informado!
Desta informação ao público, fez a sua profissão pioneira e atingiu o ponto máximo da sua carreira quando John D. Rockfeller, em pessoa, foi procurá-lo para submeter à sua competência profissional os seus problemas de relações públicas.
Ivy Lee foi o artífice de uma das mais espectaculares transformações da imagem de um homem perante a opinião pública de um país. Quando o procurou, por volta de 1920, John D. Rockfeller era um dos personagens mais odiados e odiosos da história dos negócios. Tinham vindo a lume todas as acções tenebrosas desse homem para construir o seu império de petróleo, uns sucessão sórdida de roubos, violências, corrupção e até mesmo assassínios. Ivy Lee teve a seu crédito não apenas a transformação da imagem – o que poderia ser confundido com uma forma reles de propaganda – mas a transformação do próprio homem, que se dispôs a colocar parte da sua fortuna ao serviço da humanidade através da Fundação Rockfeller, que até hoje conhecemos.
Os modestos correctores da imprensa, por força das ligações pessoais que mantinham com os jornalistas, foram sendo, pouco a pouco, atraídos para essa actividade: cooperar com a imprensa para levar ao público a informação certa no momento oportuno. A pura propaganda – na sua acepção mais vulgar – foi sendo substituída pelas relações públicas – uma actividade nova que nascia sob o signo da autenticidade, com o objectivo específico de informar correctamente. E essa nova actividade, depois dos trabalhos pioneiros de Ivy Lee e outros, corporificou-se numa profissão definida quando Edward Bernays, logo após a Primeira Guerra Mundial, abriu as portas em Nova Iorque do primeiro escritório de Relações Públicas para servir o seu primeiro cliente, o Governo da Lituânia, que desejava ter a sua nação reconhecida entre os povos do mundo. (...)”
Assim foi!❐
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Estratégias para vencer a crise
= AS MINHAS LEITURAS =
ESTRATÉGIAS PARA VENCER A CRISE
texto de Paulo André, partner da Deloitte
in revista EXAME n.o 296 de Dezembro de 2008
Aumente a produtividade
A redução do consumo origina contenção de custos que, por sua vez, origina abrandamento em cadeia. Não fique pelo corte de custos, o essencial é reduzir os custos unitários, através do controlo da exploração e do incentivo à produtividade. Há que determinar os processos mais importantes para satisfazer as necessidades dos clientes, concentrando nestes os esforços e recursos, externalizando os processos não-críticos ou nos quais outros tenham maior competência. Deve ser implementada uma cultura virada para o desempenho onde o salário esteja relacionado com o rendimento gerado por cada um. Flexibilizar a estrutura, eliminar níveis hierárquicos supérfluos, simplificar as práticas e procedimentos associados aos processos menos importantes permitem sinergias e uma melhor gestão de recursos. Por outro lado, a atribuição de responsabilidades a níveis inferiores elimina burocracias desnecessárias, permitindo a alocação de tempo disponível de cada um na gestão e controlo do seu processo.
A concorrência global (redução de nichos), a contenção de custos e a exigência de níveis de produtividade elevados, constituem um ambiente favorável às PME face aos conglomerados. Por que não promover uma política de fusões e/ou associações?
É possível identificar no mesmo sector PME com uma força de vendas dinâmica e carteira de clientes atractiva, mas cuja produção evidencia atraso tecnológico ou limite na capacidade de produção e outras com capacidade de produção subaproveitada. Várias PME produzem partes distintas da mesma cadeia de valor, pelo que um processo de fusão ou associação permitiria uma maior capacidade de negociação com clientes e fornecedores bem como a partilha de custos de investigação e desenvolvimento e de procura de novos mercados.
Credibilize-se
Instalou-se um clima de desconfiança e os bancos preferem não conceder crédito, sacrificando volume de negócios para assegurar menor risco e maior rentabilidade.
A disponibilização aos financiadores de planos de negócio fiáveis e baseados em pressupostos adequados, de preferência validados por uma entidade credível e independente, constitui um instrumento de credibilização da viabilidade e rentabilidade do negócio e, consequentemente, uma garantia de maior facilidade de acesso ao crédito. Os clientes também darão maior atenção à situação financeira dos fornecedores. Maiores serão as exigências dos concursos públicos e privados, ganhando peso aspectos como a capacidade financeira evidenciada pelos vários concorrentes. Isto facilitará o acesso ao crédito e a vitória naqueles concursos. Esta credibilização e transparência da informação contabilística e financeira só se consegue no respeito de políticas contabilísticas geralmente aceites e com a apresentação tempestiva de informação relevante, auditada por uma entidade externa, credível e competente.❐
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ESTRATÉGIAS PARA VENCER A CRISE
texto de Paulo André, partner da Deloitte
in revista EXAME n.o 296 de Dezembro de 2008
Aumente a produtividade
A redução do consumo origina contenção de custos que, por sua vez, origina abrandamento em cadeia. Não fique pelo corte de custos, o essencial é reduzir os custos unitários, através do controlo da exploração e do incentivo à produtividade. Há que determinar os processos mais importantes para satisfazer as necessidades dos clientes, concentrando nestes os esforços e recursos, externalizando os processos não-críticos ou nos quais outros tenham maior competência. Deve ser implementada uma cultura virada para o desempenho onde o salário esteja relacionado com o rendimento gerado por cada um. Flexibilizar a estrutura, eliminar níveis hierárquicos supérfluos, simplificar as práticas e procedimentos associados aos processos menos importantes permitem sinergias e uma melhor gestão de recursos. Por outro lado, a atribuição de responsabilidades a níveis inferiores elimina burocracias desnecessárias, permitindo a alocação de tempo disponível de cada um na gestão e controlo do seu processo.
A concorrência global (redução de nichos), a contenção de custos e a exigência de níveis de produtividade elevados, constituem um ambiente favorável às PME face aos conglomerados. Por que não promover uma política de fusões e/ou associações?
É possível identificar no mesmo sector PME com uma força de vendas dinâmica e carteira de clientes atractiva, mas cuja produção evidencia atraso tecnológico ou limite na capacidade de produção e outras com capacidade de produção subaproveitada. Várias PME produzem partes distintas da mesma cadeia de valor, pelo que um processo de fusão ou associação permitiria uma maior capacidade de negociação com clientes e fornecedores bem como a partilha de custos de investigação e desenvolvimento e de procura de novos mercados.
Credibilize-se
Instalou-se um clima de desconfiança e os bancos preferem não conceder crédito, sacrificando volume de negócios para assegurar menor risco e maior rentabilidade.
A disponibilização aos financiadores de planos de negócio fiáveis e baseados em pressupostos adequados, de preferência validados por uma entidade credível e independente, constitui um instrumento de credibilização da viabilidade e rentabilidade do negócio e, consequentemente, uma garantia de maior facilidade de acesso ao crédito. Os clientes também darão maior atenção à situação financeira dos fornecedores. Maiores serão as exigências dos concursos públicos e privados, ganhando peso aspectos como a capacidade financeira evidenciada pelos vários concorrentes. Isto facilitará o acesso ao crédito e a vitória naqueles concursos. Esta credibilização e transparência da informação contabilística e financeira só se consegue no respeito de políticas contabilísticas geralmente aceites e com a apresentação tempestiva de informação relevante, auditada por uma entidade externa, credível e competente.❐
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
Nadadores-Salvadores
01 de Junho de 2009
Sobre nadadores-salvadores
Os concessionários de bares e restaurantes nas praias estão irritados com o governo pelo novo diploma que saiu recentemente exigindo a contratação de dois nadadores-salvadores por cada 100km de praia por sua conta. Dizem que não há nadadores-salvadores suficientes e que não os conseguem encontrar. Por outro lado, as capitanias marítimas dizem que há mais de 5000 nadadores-salvadores aprovados e prontos a serem contratados.
Então, qual é o verdadeiro problema e que ninguém menciona?
A mim, parece-me que a verdade ronda o seguinte: o valor do salário a pagar. São os concessionários que pagam os salários a estes profissionais e é a capitania que os prepara.
Acredito que esta profissão é
uma profissão de grande risco de vida;
uma profissão de seleccionados e preparados com grande exigência;
uma profissão de vida curta;
uma profissão também de contacto humano e de grande diplomacia;
uma profissão de jovens;
uma profissão mal remunerada;
(........)
Acredito que os concessionários pagam o que podem, mas não é o suficiente para estes profissionais andarem satisfeitos. Então, parece-me que só há uma solução:
O salário adequado a estes profissionais ser estabelecido como parecer pelas capitanias, mas quem quiser pode pedir/receber mais. Depois estes profissionais poderiam estar agrupados numa associação, tipo ordem, e quem os quisesse contratar dirigia-se a esta entidade e dizia o que poderia pagar, fazendo prova disso e se este valor ficasse aquém do pré-estabelecido a capitania (Estado) pagaria o restante para que o salário mínimo para esta profissão ficasse garantido.
A mim, parece-me que esta profissão, além de um serviço que presta ao concessionário é um serviço público para bem do público e por isso o erário público também deve contribuir quando o do concessionário não é suficiente.❐
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Sobre nadadores-salvadores
Os concessionários de bares e restaurantes nas praias estão irritados com o governo pelo novo diploma que saiu recentemente exigindo a contratação de dois nadadores-salvadores por cada 100km de praia por sua conta. Dizem que não há nadadores-salvadores suficientes e que não os conseguem encontrar. Por outro lado, as capitanias marítimas dizem que há mais de 5000 nadadores-salvadores aprovados e prontos a serem contratados.
Então, qual é o verdadeiro problema e que ninguém menciona?
A mim, parece-me que a verdade ronda o seguinte: o valor do salário a pagar. São os concessionários que pagam os salários a estes profissionais e é a capitania que os prepara.
Acredito que esta profissão é
uma profissão de grande risco de vida;
uma profissão de seleccionados e preparados com grande exigência;
uma profissão de vida curta;
uma profissão também de contacto humano e de grande diplomacia;
uma profissão de jovens;
uma profissão mal remunerada;
(........)
Acredito que os concessionários pagam o que podem, mas não é o suficiente para estes profissionais andarem satisfeitos. Então, parece-me que só há uma solução:
O salário adequado a estes profissionais ser estabelecido como parecer pelas capitanias, mas quem quiser pode pedir/receber mais. Depois estes profissionais poderiam estar agrupados numa associação, tipo ordem, e quem os quisesse contratar dirigia-se a esta entidade e dizia o que poderia pagar, fazendo prova disso e se este valor ficasse aquém do pré-estabelecido a capitania (Estado) pagaria o restante para que o salário mínimo para esta profissão ficasse garantido.
A mim, parece-me que esta profissão, além de um serviço que presta ao concessionário é um serviço público para bem do público e por isso o erário público também deve contribuir quando o do concessionário não é suficiente.❐
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
O Banqueiro Português da City
10 de Novembro de 2010
Da humildade desta tribuna, venho apresentar a minha admiração e reconhecimento pelo valor intrínseco de António Horta Osório de 46 anos, actual CEO do City Bank em Londres. É um cargo de alta distinção só destinado àqueles de elevada craveira que muito orgulha Portugal e os portugueses. MUITOS PARABÉNS!
= AS MINHAS LEITURAS =
in revista EXAME n.o300 de Abril de 2009, editora IMPRESA Publishing, Lisboa.
“O banqueiro português da City” texto de Joana Madeira Pereira; p.46-64.
Depoimentos de António Horta Osório de 45 anos, CEO do Abbey National Bank em Londres:
Uma das minhas missões é ir tornando-me substituível. Sou um descentralizador. Sempre me apoiei em múltiplas fontes de informação para seguir a evolução da actividade e dos indicadores de performance fundamentais, descentralizando as decisões operacionais nas pessoas. Acordamos os resultados que devem ser atingidos e cada um dos membros da equipa apresenta-me o plano, os recursos e o timing que necessita para implementar a estratégia que discutimos em conjunto. Quando se confere responsabilidade, deve-se conferir autoridade.
Valores éticos na gestão: organização, metodologia e pontualidade; foco na obtenção de resultados, dinamismo e amor à camisola.
Além das reuniões de trabalho, ainda tinha de responder aos e-mails, estudar documentos e preparar os encontros agendados para o dia seguinte e reflectir.
Um CEO precisa de tempo para analisar o rumo da organização e reflectir sobre as prioridades estratégicas a tomar. Para liderar pessoas e gerir empresas não é só necessário complementar o conhecimento profundo do mercado com o exemplo e a credibilidade da liderança como também manter uma disponibilidade mental para antecipar cenários.
O mais importante não é apenas sobreviver, mas sim resistirmos melhor do que a média do sector.
Uma das minhas prioridades era a gestão e o controlo dos riscos de crédito e de liquidez. Verificando que, no mercado inglês, o crédito ao consumo estava a subir 20% ao ano, as hipotecas tinham margens próximas de zero e não estava a conseguir captar depósitos ao ritmo do mercado; tomei como medidas o fecho imediato do crédito ao consumo pela internet, a diminuição substancial da carteira de crédito do Abbey e o fim do objectivo público de alcançar uma quota de mercado de 10% em hipotecas.
É muito mais fácil errar acompanhado do que estar certo sozinho. Em caso de engano, quando todos os demais erram, parece mais natural errar; as responsabilidades são partilhadas por todos.
Planeamento e controlo de riscos eram as palavras de ordem.
O meu objectivo não é que as pessoas me sigam sempre. Enquanto estão comigo, tenho o propósito de desenvolvê-las.
Antes de ser exigente para com aqueles que nos rodeiam, há que ser rigoroso para connosco próprios. Depois, procuro apoiá-los sempre, mesmo perante dúvidas do conselho de administração. A exigência que imprimo no dia-a-dia da equipa tem como contrapartida uma solidariedade total para com eles nos momentos difíceis e perante o órgão máximo da gestão.
É absolutamente necessário colocar cada pessoa no cargo que ofereça o maior valor acrescentado para o projecto, trabalhando sempre em equipa.
Para fortalecer os laços dentro da companhia, passo dois dias por mês a visitar os balcões do banco. Trata-se de conhecer os colaboradores e o real feedback que os clientes têm dos nossos serviços, também disseminar a cultura da instituição muito rapidamente. Uma das funções do líder é ser um comunicador, um motivador e, para isso, tem de estar constantemente a falar com as equipas. Como gestor, agrada-me profundamente saber que lidero um conjunto alargado de pessoas que eu soube fazer crescer profissional e pessoalmente.
Quando se tem uma marca única, pode-se perder clientes, mas ganha-se com eficiência. Concentrámos todos os serviços gerais, contabilísticos, fábricas e unidades de operações sob a mesma gestão. Todas as funções a que o cliente não acedia, ficaram a ser geridas centralmente, mas tínhamos três marcas distintas a funcionar de forma segmentada. À medida que fomos ganhando quota de mercado e as diferenças se foram diluindo, achámos que chegara o momento de unificar o trio de insígnias.
Em cinco anos, baixámos o cost-to-income de 53% para 40% (cerca de dez pontos percentuais abaixo da média do mercado) e diminuímos o prémio de risco para perto de 20 basis points, isto é, 0,2% (quando a média do sector atingia 0,5%).
Aprendi a não perder tempo com detalhes, a aproveitar todos os momentos mortos, a ter toda a informação disponível e a rodear-me de secretárias de enorme qualidade.
Aprendi a ter sempre muito claro quais os objectivos de uma negociação, a aceder a toda a informação disponível e a estar absolutamente aberto para ver o ponto de vista daqueles que connosco negoceiam. Numa negociação, podem-se encontrar pontos de interesses opostos que aumentam a utilidade da negociação e repartição para ambas as partes.
Nas crises, há sempre riscos e oportunidades. O importante é estar preparado para os riscos, mas aberto às oportunidades de uma forma que, se as coisas correrem mal, não se coloque em jogo a própria organização. Em termos de gestão, nunca se deve permitir que o destino da nossa empresa esteja nas mãos de circunstâncias imprevisíveis e não na dos gestores.
O espírito empresarial britânico apela a valores muito fortes em termos de planeamento, logística e atenção ao detalhe. Todos os planos são programados e executados no tempo delineado e segundo os parâmetros predeterminados o que influencia o comportamento dos profissionais: a ponderação é uma das suas características. Em Portugal predominam valores como a flexibilização de gestão. Os portugueses são mais ágeis a encontrar soluções out of the box e, por isso, são mais inovadores e adaptáveis. No Brasil, os profissionais mostravam-se bastante fortes em áreas relacionadas com a informática, o marketing e as finanças; mas faltava-lhes sensibilidade para lidar com a organização. Nos Estados Unidos, os profissionais têm grande capacidade de trabalho e apostam na especialização o que lhes dá uma visão restrita por oposição a Portugal, onde se tem uma visão mais abrangente e uma maior cultura geral. Em Espanha, existe uma propensão para a consecução de resultados num espírito empresarial muito arrojado como em Portugal onde os colaboradores nutrem uma maior ligação emotiva às empresas onde trabalham.
No banco, somos só profissionais, mas claro que a amizade ajuda nos entendimentos e na postura correcta que temos.
Acho que é raro uma pessoa ter sempre a última palavra, esteja na posição em que estiver. Prefiro um espírito de decisão colegial, embora possa assumir o papel de árbitro, se não existir consenso alargado numa tomada de decisão. É necessário que as decisões sejam partilhadas, já que as medidas que são tomadas em conjunto são muito mais robustas e consistentes. As diferenças e complementaridades nos perfis de cada um dos elementos enriquecem as decisões, pois o todo passa a ser maior do que a soma das partes.
Não prescinde da prática desportiva para manter o equilíbrio mental. É no ténis que encontra o seu refúgio e no xadrez o desafio intelectual.❐
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Da humildade desta tribuna, venho apresentar a minha admiração e reconhecimento pelo valor intrínseco de António Horta Osório de 46 anos, actual CEO do City Bank em Londres. É um cargo de alta distinção só destinado àqueles de elevada craveira que muito orgulha Portugal e os portugueses. MUITOS PARABÉNS!
= AS MINHAS LEITURAS =
in revista EXAME n.o300 de Abril de 2009, editora IMPRESA Publishing, Lisboa.
“O banqueiro português da City” texto de Joana Madeira Pereira; p.46-64.
Depoimentos de António Horta Osório de 45 anos, CEO do Abbey National Bank em Londres:
Uma das minhas missões é ir tornando-me substituível. Sou um descentralizador. Sempre me apoiei em múltiplas fontes de informação para seguir a evolução da actividade e dos indicadores de performance fundamentais, descentralizando as decisões operacionais nas pessoas. Acordamos os resultados que devem ser atingidos e cada um dos membros da equipa apresenta-me o plano, os recursos e o timing que necessita para implementar a estratégia que discutimos em conjunto. Quando se confere responsabilidade, deve-se conferir autoridade.
Valores éticos na gestão: organização, metodologia e pontualidade; foco na obtenção de resultados, dinamismo e amor à camisola.
Além das reuniões de trabalho, ainda tinha de responder aos e-mails, estudar documentos e preparar os encontros agendados para o dia seguinte e reflectir.
Um CEO precisa de tempo para analisar o rumo da organização e reflectir sobre as prioridades estratégicas a tomar. Para liderar pessoas e gerir empresas não é só necessário complementar o conhecimento profundo do mercado com o exemplo e a credibilidade da liderança como também manter uma disponibilidade mental para antecipar cenários.
O mais importante não é apenas sobreviver, mas sim resistirmos melhor do que a média do sector.
Uma das minhas prioridades era a gestão e o controlo dos riscos de crédito e de liquidez. Verificando que, no mercado inglês, o crédito ao consumo estava a subir 20% ao ano, as hipotecas tinham margens próximas de zero e não estava a conseguir captar depósitos ao ritmo do mercado; tomei como medidas o fecho imediato do crédito ao consumo pela internet, a diminuição substancial da carteira de crédito do Abbey e o fim do objectivo público de alcançar uma quota de mercado de 10% em hipotecas.
É muito mais fácil errar acompanhado do que estar certo sozinho. Em caso de engano, quando todos os demais erram, parece mais natural errar; as responsabilidades são partilhadas por todos.
Planeamento e controlo de riscos eram as palavras de ordem.
O meu objectivo não é que as pessoas me sigam sempre. Enquanto estão comigo, tenho o propósito de desenvolvê-las.
Antes de ser exigente para com aqueles que nos rodeiam, há que ser rigoroso para connosco próprios. Depois, procuro apoiá-los sempre, mesmo perante dúvidas do conselho de administração. A exigência que imprimo no dia-a-dia da equipa tem como contrapartida uma solidariedade total para com eles nos momentos difíceis e perante o órgão máximo da gestão.
É absolutamente necessário colocar cada pessoa no cargo que ofereça o maior valor acrescentado para o projecto, trabalhando sempre em equipa.
Para fortalecer os laços dentro da companhia, passo dois dias por mês a visitar os balcões do banco. Trata-se de conhecer os colaboradores e o real feedback que os clientes têm dos nossos serviços, também disseminar a cultura da instituição muito rapidamente. Uma das funções do líder é ser um comunicador, um motivador e, para isso, tem de estar constantemente a falar com as equipas. Como gestor, agrada-me profundamente saber que lidero um conjunto alargado de pessoas que eu soube fazer crescer profissional e pessoalmente.
Quando se tem uma marca única, pode-se perder clientes, mas ganha-se com eficiência. Concentrámos todos os serviços gerais, contabilísticos, fábricas e unidades de operações sob a mesma gestão. Todas as funções a que o cliente não acedia, ficaram a ser geridas centralmente, mas tínhamos três marcas distintas a funcionar de forma segmentada. À medida que fomos ganhando quota de mercado e as diferenças se foram diluindo, achámos que chegara o momento de unificar o trio de insígnias.
Em cinco anos, baixámos o cost-to-income de 53% para 40% (cerca de dez pontos percentuais abaixo da média do mercado) e diminuímos o prémio de risco para perto de 20 basis points, isto é, 0,2% (quando a média do sector atingia 0,5%).
Aprendi a não perder tempo com detalhes, a aproveitar todos os momentos mortos, a ter toda a informação disponível e a rodear-me de secretárias de enorme qualidade.
Aprendi a ter sempre muito claro quais os objectivos de uma negociação, a aceder a toda a informação disponível e a estar absolutamente aberto para ver o ponto de vista daqueles que connosco negoceiam. Numa negociação, podem-se encontrar pontos de interesses opostos que aumentam a utilidade da negociação e repartição para ambas as partes.
Nas crises, há sempre riscos e oportunidades. O importante é estar preparado para os riscos, mas aberto às oportunidades de uma forma que, se as coisas correrem mal, não se coloque em jogo a própria organização. Em termos de gestão, nunca se deve permitir que o destino da nossa empresa esteja nas mãos de circunstâncias imprevisíveis e não na dos gestores.
O espírito empresarial britânico apela a valores muito fortes em termos de planeamento, logística e atenção ao detalhe. Todos os planos são programados e executados no tempo delineado e segundo os parâmetros predeterminados o que influencia o comportamento dos profissionais: a ponderação é uma das suas características. Em Portugal predominam valores como a flexibilização de gestão. Os portugueses são mais ágeis a encontrar soluções out of the box e, por isso, são mais inovadores e adaptáveis. No Brasil, os profissionais mostravam-se bastante fortes em áreas relacionadas com a informática, o marketing e as finanças; mas faltava-lhes sensibilidade para lidar com a organização. Nos Estados Unidos, os profissionais têm grande capacidade de trabalho e apostam na especialização o que lhes dá uma visão restrita por oposição a Portugal, onde se tem uma visão mais abrangente e uma maior cultura geral. Em Espanha, existe uma propensão para a consecução de resultados num espírito empresarial muito arrojado como em Portugal onde os colaboradores nutrem uma maior ligação emotiva às empresas onde trabalham.
No banco, somos só profissionais, mas claro que a amizade ajuda nos entendimentos e na postura correcta que temos.
Acho que é raro uma pessoa ter sempre a última palavra, esteja na posição em que estiver. Prefiro um espírito de decisão colegial, embora possa assumir o papel de árbitro, se não existir consenso alargado numa tomada de decisão. É necessário que as decisões sejam partilhadas, já que as medidas que são tomadas em conjunto são muito mais robustas e consistentes. As diferenças e complementaridades nos perfis de cada um dos elementos enriquecem as decisões, pois o todo passa a ser maior do que a soma das partes.
Não prescinde da prática desportiva para manter o equilíbrio mental. É no ténis que encontra o seu refúgio e no xadrez o desafio intelectual.❐
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Os Enfartes do Sistema
= AS MINHAS LEITURAS =
in revista EXAME n.o300 de Abril de 2009; editora IMPRESA Publishing, Lisboa.
“Os enfartes do sistema” texto de Sónia M. Lourenço; pp. 206-08.
20 anos de crises financeiras
1989–1990 Crise japonesa (crise bancária). As bolhas accionista e imobiliária rebentaram e deixaram os bancos com uma enorme carteira de activos tóxicos e as empresas com enorme endividamento.
1992-93 Crise do Sistema Monetário Europeu (crise cambial). Várias divisas europeias como a libra, a lira e a peseta sofreram fortes ataques especulativos, forçando maior flexibilidade cambial.
1994-95 México. Crise do peso (crise cambial). A política de sustentação artificial da taxa de câmbio face ao dólar norte-americano terminou em desvalorizações abruptas do peso.
1997-98 Crise asiática (crise bancária e bolsista). Depois do leste asiático, a instabilidade espalhou-se para a América Latina, a Rússia e, por fim, Nova Iorque com a queda do fundo de investimento Long-Term Capital Management.
2000-01 Derrocada do índice Nasdaq e colapso das empresas de tecnologias da informação e da comunicação (crise bolsista).
2001-02 Argentina (crise de dívida). O endividamento muito elevado leva à incapacidade de cumprir compromissos financeiros. O FMI começa por apoiar o país, renegociando a dívida. Quando, por fim, retira esse apoio, dá-se uma profunda crise financeira, económica, política e social.
2007-08 Crise do subprime nos Estados Unidos (crise bancária). A partir deste segmento de alto risco do mercado de crédito hipotecário, evoluiu para uma profunda crise financeira, incluindo bolsista e da economia real, à escala global.
Bailouts – empréstimos ou injecções de capital a países ou investidores para os salvar da falência, da insolvência ou da necessidade de liquidação total dos seus activos.
Contudo, esta linha de actuação tem distorcido o funcionamento dos mercados financeiros, já que permite aos credores sair dos problemas com um mínimo de perdas. Para Barry Eichengreen “há um problema de risco moral. Os bailouts encorajam os investidores a concederem crédito sem o devido acautelar dos riscos e têm permitido aos governos manterem por mais tempo políticas insustentáveis. Desta forma, as vulnerabilidades económicas e financeiras acumulam-se até causarem graves perturbações políticas e sociais. Foi o que aconteceu, por exemplo, na crise da dívida da Argentina.
Os bailouts são injustos. Como é permitido aos investidores sair do país e dos activos com problemas e o Fundo Monetário Internacional acaba de receber de volta o dinheiro dos pacotes de auxílio, são os residentes da nação em crise que acabam por pagar a conta, isto é, é como resultado dos seus sacrifícios que os investidores acabam por conseguir tirar muito do seu dinheiro do país em crise.
Há consenso de que a resposta tem de ser diferente, mas, com demasiada frequência, a comunidade internacional, ao ver-se perante outra crise, considera não ter alternativa a manter este tipo de gestão da situação, isto é, a efectuar bailouts aos investidores e aos países em dificuldades. Foi o que voltou a acontecer nesta crise com os governos a apoiarem de forma maciça as instituições financeiras.
Os planos para reformas financeiras não são tão antigos como os mercados e ganham fôlego na sequência de perturbações graves. Foi o que aconteceu depois da crise asiática de 1997-98 e é o que se está a passar hoje. As crises sempre existiram e sempre existirão.” - afirma-nos.
Para George Cooper “precisamos de melhores políticas macroeconómicas para não nos voltarmos a meter nesta confusão financeira, mas isso vai exigir escolhas difíceis.”❐
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in revista EXAME n.o300 de Abril de 2009; editora IMPRESA Publishing, Lisboa.
“Os enfartes do sistema” texto de Sónia M. Lourenço; pp. 206-08.
20 anos de crises financeiras
1989–1990 Crise japonesa (crise bancária). As bolhas accionista e imobiliária rebentaram e deixaram os bancos com uma enorme carteira de activos tóxicos e as empresas com enorme endividamento.
1992-93 Crise do Sistema Monetário Europeu (crise cambial). Várias divisas europeias como a libra, a lira e a peseta sofreram fortes ataques especulativos, forçando maior flexibilidade cambial.
1994-95 México. Crise do peso (crise cambial). A política de sustentação artificial da taxa de câmbio face ao dólar norte-americano terminou em desvalorizações abruptas do peso.
1997-98 Crise asiática (crise bancária e bolsista). Depois do leste asiático, a instabilidade espalhou-se para a América Latina, a Rússia e, por fim, Nova Iorque com a queda do fundo de investimento Long-Term Capital Management.
2000-01 Derrocada do índice Nasdaq e colapso das empresas de tecnologias da informação e da comunicação (crise bolsista).
2001-02 Argentina (crise de dívida). O endividamento muito elevado leva à incapacidade de cumprir compromissos financeiros. O FMI começa por apoiar o país, renegociando a dívida. Quando, por fim, retira esse apoio, dá-se uma profunda crise financeira, económica, política e social.
2007-08 Crise do subprime nos Estados Unidos (crise bancária). A partir deste segmento de alto risco do mercado de crédito hipotecário, evoluiu para uma profunda crise financeira, incluindo bolsista e da economia real, à escala global.
Bailouts – empréstimos ou injecções de capital a países ou investidores para os salvar da falência, da insolvência ou da necessidade de liquidação total dos seus activos.
Contudo, esta linha de actuação tem distorcido o funcionamento dos mercados financeiros, já que permite aos credores sair dos problemas com um mínimo de perdas. Para Barry Eichengreen “há um problema de risco moral. Os bailouts encorajam os investidores a concederem crédito sem o devido acautelar dos riscos e têm permitido aos governos manterem por mais tempo políticas insustentáveis. Desta forma, as vulnerabilidades económicas e financeiras acumulam-se até causarem graves perturbações políticas e sociais. Foi o que aconteceu, por exemplo, na crise da dívida da Argentina.
Os bailouts são injustos. Como é permitido aos investidores sair do país e dos activos com problemas e o Fundo Monetário Internacional acaba de receber de volta o dinheiro dos pacotes de auxílio, são os residentes da nação em crise que acabam por pagar a conta, isto é, é como resultado dos seus sacrifícios que os investidores acabam por conseguir tirar muito do seu dinheiro do país em crise.
Há consenso de que a resposta tem de ser diferente, mas, com demasiada frequência, a comunidade internacional, ao ver-se perante outra crise, considera não ter alternativa a manter este tipo de gestão da situação, isto é, a efectuar bailouts aos investidores e aos países em dificuldades. Foi o que voltou a acontecer nesta crise com os governos a apoiarem de forma maciça as instituições financeiras.
Os planos para reformas financeiras não são tão antigos como os mercados e ganham fôlego na sequência de perturbações graves. Foi o que aconteceu depois da crise asiática de 1997-98 e é o que se está a passar hoje. As crises sempre existiram e sempre existirão.” - afirma-nos.
Para George Cooper “precisamos de melhores políticas macroeconómicas para não nos voltarmos a meter nesta confusão financeira, mas isso vai exigir escolhas difíceis.”❐
mailto:www.eu.maria.figueiras@gmail.com
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Os Líderes de Futuro
= AS MINHAS LEITURAS =
in revista EXAME n.o300 de Abril de 2009
“Os líderes do futuro” texto de Rosália Amorim; editora Impresa Publishing; pp.166-171; eu diria – Os líderes com futuro.
Caixa “Um sonho de líder” - A corretora Korn/Ferry International diz que as seguintes competências são essenciais aos líderes de futuro:
Iniciativa – É a capacidade de influir de forma efectiva na decisão, ser extremamente motivado, o chamado self-starter, ter grande força de vontade, tenacidade e perseverança. Quem tem iniciativa e aceita desafios, depois de fazer a avaliação dos riscos e procura sempre novas e melhores alternativas para executar as tarefas sem perder a orientação permanente para os resultados.
Capacidade intelectual – Argumentar com lógica e ser capaz de correlacionar factores e problemas complexos.
Competência funcional – Domínio da função, expansão do conhecimento e o reconhecimento de oportunidades. Quem tem esta competência, mantém um foco permanente na actualização.
Competência organizacional – É a capacidade de observar, definir e adaptar prioridades, resolver problemas e implementar soluções e de ter uma postura construtiva em relação à mudança.
Produtividade e estabilidade – Saber administrar o tempo, manter-se focado no problema e não se deixar levar por assuntos secundários. Um profissional de alta produtividade preocupa-se em dar feedback sobre iniciativas anteriores, é resistente ao stress e possui a capacidade de actuar em situações críticas, sem perder vitalidade e a estabilidade emocional.
Compatibilidade com os outros – Esta área pode ser entendida como a inteligência emocional. Saber interagir com superiores, pares e subordinados, estabelecer relações construtivas e duradouras. Ter capacidade de comunicação, inspiração, ter carisma e ainda saber usar a intuição.
Os líderes do futuro têm uma enorme força de vontade, tenacidade e perseverança; capacidade para influir de forma efectiva em processos de decisão, têm o dom de serem extremamente motivados.
Têm um espírito proactivo, precursor e instinto peremptório; têm a capacidade de inspirar a sua equipa, obtendo resultados para o accionista no curto prazo, mas gerindo a longo prazo e assegurando a sua sustentabilidade.
É adepto da mudança e sabe lidar com diferentes cenários, equipas e mercados. O líder é talhado no seu dia-a-dia. A autonomia é uma das suas características e é-lhes fácil tomar decisões, assumir responsabilidades e se autoavaliarem.
São gestores-coaches. Marcam a nova forma de gerir a actuação em equipas multidisciplinares com quem discutem estratégias. Estão acessíveis e partilham a informação com as equipas quer em reuniões, quer informalmente.
Comunicam com persuasão, comportam-se com honra, respeitam os outros e sabem actuar, ao mesmo tempo que geram confiança, certeza, optimismo e convicção de forma a criar compromissos.
O líder do futuro estilo workholic está fora de moda.
É o líder do futuro é do bom senso na gestão do tempo e das atitudes, tendo mais tempo para dedicar às pessoas.
São cada vez mais valorizados aqueles que se interessam por áreas que vão além do trabalho como as artes, os passatempos e a intervenção social. São bons comunicadores e de grande empatia.
Tudo isto enriquece o ser humano que fica/está cada vez mais humano; conciliando carreira e família e sendo assim mais feliz, realizado e apresentando melhores resultados.
Estão preparados para lidar com Estados mais interventivos e com reguladores mais fortes. Necessitam de fazer um melhor aproveitamento das suas equipas e de fazer diferente e de pensar em como gerar liquidez, já que nos próximos tempos a liquidez será um bem mais escasso e valorizado em todas as empresas.
A salvação dos gestores passa por adaptar as ideias de acordo com a situação em que se está a viver e a trabalhar. É preciso ser humilde para reaprender e ter vontade de aprender, perceber as diferentes realidades e não dar nada por garantido. O que já sabemos tem menos importância do que aquilo que não sabemos.
Ter capacidade analítica e saber separar o trigo do joio, percebendo o que é realmente importante para o seu negócio.
Informação já não é poder; mas sim seleccionar, colocar os dados em perspectiva e, a partir daí, retirar novas tendências e padrões de comportamento que podem ser úteis para decidir que caminho a empresa que lidera vai escolher.
Já não se ocultam informações, mas faz-se uma gestão com base na verdade. Desenvolver negócios sustentáveis é a responsabilidade de todos os executivos. A divisa do futuro é LAP – lucro, ambiente e pessoas.
Os gestores têm confundido estrutura com conjuntura. O novo líder sabe que táctica sem estratégia não é sustentável. ❐
mailto:www.eu.maria.figueiras@gmail.com
in revista EXAME n.o300 de Abril de 2009
“Os líderes do futuro” texto de Rosália Amorim; editora Impresa Publishing; pp.166-171; eu diria – Os líderes com futuro.
Caixa “Um sonho de líder” - A corretora Korn/Ferry International diz que as seguintes competências são essenciais aos líderes de futuro:
Iniciativa – É a capacidade de influir de forma efectiva na decisão, ser extremamente motivado, o chamado self-starter, ter grande força de vontade, tenacidade e perseverança. Quem tem iniciativa e aceita desafios, depois de fazer a avaliação dos riscos e procura sempre novas e melhores alternativas para executar as tarefas sem perder a orientação permanente para os resultados.
Capacidade intelectual – Argumentar com lógica e ser capaz de correlacionar factores e problemas complexos.
Competência funcional – Domínio da função, expansão do conhecimento e o reconhecimento de oportunidades. Quem tem esta competência, mantém um foco permanente na actualização.
Competência organizacional – É a capacidade de observar, definir e adaptar prioridades, resolver problemas e implementar soluções e de ter uma postura construtiva em relação à mudança.
Produtividade e estabilidade – Saber administrar o tempo, manter-se focado no problema e não se deixar levar por assuntos secundários. Um profissional de alta produtividade preocupa-se em dar feedback sobre iniciativas anteriores, é resistente ao stress e possui a capacidade de actuar em situações críticas, sem perder vitalidade e a estabilidade emocional.
Compatibilidade com os outros – Esta área pode ser entendida como a inteligência emocional. Saber interagir com superiores, pares e subordinados, estabelecer relações construtivas e duradouras. Ter capacidade de comunicação, inspiração, ter carisma e ainda saber usar a intuição.
Os líderes do futuro têm uma enorme força de vontade, tenacidade e perseverança; capacidade para influir de forma efectiva em processos de decisão, têm o dom de serem extremamente motivados.
Têm um espírito proactivo, precursor e instinto peremptório; têm a capacidade de inspirar a sua equipa, obtendo resultados para o accionista no curto prazo, mas gerindo a longo prazo e assegurando a sua sustentabilidade.
É adepto da mudança e sabe lidar com diferentes cenários, equipas e mercados. O líder é talhado no seu dia-a-dia. A autonomia é uma das suas características e é-lhes fácil tomar decisões, assumir responsabilidades e se autoavaliarem.
São gestores-coaches. Marcam a nova forma de gerir a actuação em equipas multidisciplinares com quem discutem estratégias. Estão acessíveis e partilham a informação com as equipas quer em reuniões, quer informalmente.
Comunicam com persuasão, comportam-se com honra, respeitam os outros e sabem actuar, ao mesmo tempo que geram confiança, certeza, optimismo e convicção de forma a criar compromissos.
O líder do futuro estilo workholic está fora de moda.
É o líder do futuro é do bom senso na gestão do tempo e das atitudes, tendo mais tempo para dedicar às pessoas.
São cada vez mais valorizados aqueles que se interessam por áreas que vão além do trabalho como as artes, os passatempos e a intervenção social. São bons comunicadores e de grande empatia.
Tudo isto enriquece o ser humano que fica/está cada vez mais humano; conciliando carreira e família e sendo assim mais feliz, realizado e apresentando melhores resultados.
Estão preparados para lidar com Estados mais interventivos e com reguladores mais fortes. Necessitam de fazer um melhor aproveitamento das suas equipas e de fazer diferente e de pensar em como gerar liquidez, já que nos próximos tempos a liquidez será um bem mais escasso e valorizado em todas as empresas.
A salvação dos gestores passa por adaptar as ideias de acordo com a situação em que se está a viver e a trabalhar. É preciso ser humilde para reaprender e ter vontade de aprender, perceber as diferentes realidades e não dar nada por garantido. O que já sabemos tem menos importância do que aquilo que não sabemos.
Ter capacidade analítica e saber separar o trigo do joio, percebendo o que é realmente importante para o seu negócio.
Informação já não é poder; mas sim seleccionar, colocar os dados em perspectiva e, a partir daí, retirar novas tendências e padrões de comportamento que podem ser úteis para decidir que caminho a empresa que lidera vai escolher.
Já não se ocultam informações, mas faz-se uma gestão com base na verdade. Desenvolver negócios sustentáveis é a responsabilidade de todos os executivos. A divisa do futuro é LAP – lucro, ambiente e pessoas.
Os gestores têm confundido estrutura com conjuntura. O novo líder sabe que táctica sem estratégia não é sustentável. ❐
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Letra para um hino
= AS MINHAS LEITURAS =
Letra para um hino
É possível falar sem um nó na garganta.
É possível amar sem que venham proibir.
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar, não tenhas medo: canta!
É possível andar sem olhar para o chão.
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetece dizer não, grita comigo: não!
É possível viver de outro modo.
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser (mulher e) homem .
É possível ser livre livre livre.❐
Poema escrito por Manuel Alegre – O Canto e as Armas (1967).
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Letra para um hino
É possível falar sem um nó na garganta.
É possível amar sem que venham proibir.
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar, não tenhas medo: canta!
É possível andar sem olhar para o chão.
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetece dizer não, grita comigo: não!
É possível viver de outro modo.
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser (mulher e) homem .
É possível ser livre livre livre.❐
Poema escrito por Manuel Alegre – O Canto e as Armas (1967).
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