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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.255-281) O motivo pelo qual as companhias aéreas prodigalizam mais atenção aos passageiros de elite que viajam em classe executiva como Michelle e menos aos outros como Jennifer é simples e de natureza económica. É o mesmo pelo qual a Merril Lynch quer que os seus corretores desviem a sua atenção para os grandes apostadores. É porque daí vêm as grandes receitas. Em 1999, os passageiros de avião que viajavam em classe executiva representavam apenas 9% do total, mas contribuíam para 44% das receitas da aviação comercial. Por isso, quando as companhias de aviação lutam por oferecer melhores negócios a passageiros como Jennifer; elas estão, ao mesmo tempo, a cortejar pessoas como Michelle que estão dispostas a pagar muito pela atenção pessoal.
Contudo, não é provável que Michelle tenha pagado do seu bolso a viagem de luxo. Tratava-se de uma viagem de negócios. Michelle fez a viagem por motivos profissionais e não por deleite e esta viagem de luxo foi também um custo para a empresa. Concede-se atenção pessoal com requinte às pessoas que dão muito dinheiro a ganhar à empresa e que simultaneamente o ganham.
Quando se paga várias centenas de dólares por mês a um conselheiro pessoal, pretende-se alguém que se interesse exclusivamente pelo seu bem-estar, um amigo que esteja ali à sua disposição, talvez porque os amigos andam muito ocupados.
O facto de estes amigos terem outra motivação além da amizade não arrefece o entusiasmo das pessoas que os procuram. Desde o princípio dos anos 90 que o número de conselheiros pessoais tem duplicado todos os anos, segundo Thomas Leonard, fundador da Coach University. Valerie Olson, de Minnesota, chega a ganhar um número com seis dígitos por ano como conselheira pessoal de trinta clientes, cada um dos quais lhe paga 250 dólares por mês por quatro sessões de meia hora. Escuta-os, cria empatia e dedica-lhes uma atenção total. Além dos conselheiros pessoais, tem aumentado o número de instrutores pessoais, guias espirituais, conselheiros espirituais e terapeutas.
Actualmente, o Governo dos Estados Unidos paga dois terços dos cuidados de saúde prestados a 1,6 milhões de residentes, principalmente com o Medicaid em lares, mas contribui muito pouco para os cuidados prestados aos idosos quer em casa quer nos centros de dia locais, o que permitiria que eles estivessem mais perto dos amigos e da família. Mesmo quando o seguro estatal paga os cuidados prestados em casa, não paga a atenção.
O custo dos cuidados infantis organizados oscila entre 4000 e 20 000 dólares anuais, por criança, mas o estrato inferior tem menos pessoal por criança, apesar de um ambiente seguro. Logo, as educadoras e o pessoal auxiliar têm menos formação e mudam de emprego com mais frequência porque são menos bem pagas e trabalham mais. Então estas crianças têm menos oportunidades de criar relações com o pessoal do que as crianças do estrato superior. Estas diferenças de quantidade, qualidade e consistência dos cuidados infantis podem ter consequências significativas mais tarde.
Em 1972, foi iniciado um estudo que abrangeu crianças-bebés de 111 famílias negras pobres da Carolina do Norte. Cinquenta e sete, escolhidas aleatoriamente, foram afectadas a programas de cuidados infantis a tempo inteiro até aos cinco anos de idade. Os cuidados infantis incluíam uma grande dose de atenção pessoal o que permitia que as educadoras criassem relações pessoais com as crianças – uma educadora para três crianças e uma para sete crianças de quatro anos. As educadoras tinham a mesma formação dos professores do ensino público; poucas foram as que se despediram ou foram substituídas durante esse período e proporcionaram uma grande dose de estimulação intelectual e apoio emocional.
As outras cinquenta e quatro crianças receberam suplementos alimentares e visitas de assistentes sociais para garantir a sua saúde e segurança, mas não foram alvo de atenção pessoal.
Quando chegaram aos cinco anos, estes dois grupos de crianças frequentaram infantários, escolas primárias e liceus comparáveis. O estudo acompanhou-as até aos vinte e um anos de idade. Verificou-se que, aos vinte e um anos, cerca de dois terços das crianças que tinham recebido cuidados ricos em atenção frequentavam a universidade ou tinham empregos bem pagos, contra 40% das crianças do outro grupo. O primeiro grupo tinha custado 11 000 dólares por ano por criança ao Estado. Pode-se concluir que valeu a pena o investimento.
A verdade é que muitos lares fazem parte de grandes empresas que visam o lucro e os cuidados infantis também começam a ser um grande negócio. As empresas têm de garantir aos accionistas um bom retorno dos seus investimentos, possivelmente à custa de investirem na qualidade da atenção. Alguns pais, quando estão no emprego, recorrem actualmente a inovações proporcionadas por alguns infantários: pequenas câmaras montadas no tecto e nas paredes dos infantários permitem que os pais abram, com um simples clique, uma pequena janela num canto do ecrã do seu computador e, através da web, vigiem os seus bebés durante o dia.
Porém, a maioria das pessoas que vendem atenção pessoal não ganha muito dinheiro com isso porque é um serviço prestado individualmente e implica ceder tempo. A maioria destes trabalhadores são mulheres, imigrantes que aceitam mais do que um emprego ou trabalham mais horas porque precisam de dinheiro e este trabalho não é valorizado pela sociedade. Nos Estados Unidos, mais de dois milhões de pessoas trabalham em lares como auxiliares de enfermagem, ajudantes de cozinha e governantas. Na próxima década, um em cada cinco novos empregos será na área da saúde e a maioria envolverá prestação da atenção pessoal.
Cada vez mais, as dezenas de milhões de pessoas que vendem atenção pessoal, não ganham o suficiente para pagar os serviços que elas próprias vendem. Por isso, optam por viagens baratas, pela comida feita, pelas idas ao médico só quando é absolutamente necessário (muitas não têm dinheiro para pagar seguros de saúde) e pelo tratamento das crianças e idosos por conta de parentes e amigos.
A economia emergente não está a fazer-nos recuar: o bem-estar da maioria das pessoas está a aumentar; a Jennifer nunca poderia comprar um bilhete de avião há vinte anos. Mais pessoas têm acesso à internet, ..., mas a atenção pessoal está cada vez mais dirigida para os que podem pagá-la e mais escassa para os que não podem. Na nova economia, as pessoas são induzidas a trabalharem mais tempo e mais intensamente e a venderem-se com uma premência cada vez maior. Há menos espaço para as famílias que estão a ser reduzidas e subcontratadas.
Dado o leque de opções e a facilidade de mudar, inserimo-nos em comunidades de pessoas mais ou menos com os mesmos rendimentos, as mesmas capacidades, os mesmos riscos e as mesmas necessidades. O local em que vivemos tem mais a ver com aquilo que ganhamos do que nunca. As pessoas afectadas pela nova economia, cujos rendimentos baixaram e são mais precários, acabam por ir viver em comunidades pobres. As suas escolas são piores; a assistência médica é menor; os seus seguros são mais caros. Mesmo quando juntam o que podem, os pais dos bebés não conseguem ganhar o suficiente para que os seus filhos tenham cuidados diários de boa qualidade. Este processo discriminatório está a tornar-se muito mais eficaz quando as pessoas que são marginalizadas para comunidades degradadas, mais precisam de ajuda.
Eis o processo da discriminação: se tudo o resto for igual, quem entrar numa comunidade, pretende o mais alto retorno sobre o seu investimento – o melhor serviço, o melhor valor, os companheiros mais agradáveis e o maior prestígio que o seu dinheiro puder comprar. Os que já fazem parte da comunidade também querem o melhor retorno sobre cada novo membro, ou seja, pessoas que contribuam tanto ou mais do que eles e que façam o mínimo de exigências ao pólo de recursos comuns.
Quanto maior for o leque de opções e a facilidade de mudar para algo melhor, mais eficaz é o mecanismo de discriminação. As pessoas tentam integrar-se nos grupos que lhes proporcionam os melhores negócios – não só as melhores cidades ou municípios e as melhores comunidades residenciais que podem pagar como também os melhores estabelecimentos de ensino superior, secundário e básico, infantários, lares e centros de dia para idosos, pólos de seguros, parcerias profissionais e empresas. Estes grupos lutam entre si para atrair os membros mais desejáveis, isto é, aqueles que possam contribuir mais e exigir menos. Cada vez com mais eficiência, excluem aqueles membros que são menos valiosos ou mais necessitados.
As comunidades residenciais privadas excluem as famílias grandes que precisam de muitas escolas e serviços sociais e cujos filhos podem ser barulhentos ou cometer pequenos delitos, cobrando preços muito elevados pelas casas e quotas muito altas e limitando bastante o número de quartos de cada fogo. Os municípios mais ricos fazem-no exigindo lotes de terreno com 1 a 2 hectares para cada casa e proibindo as residências multifamiliares.
Os movimentos de cidadãos contra os impostos estaduais e locais têm sido encabeçados por associações de proprietários privados, cujos membros não vêem motivo para prestarem apoio às famílias de outras áreas quando eles próprios têm tudo aquilo de que precisam graças às suas contribuições pessoais. Em 24 de Março de 1999, o Leisure World, uma comunidade de reformados em Orange County, deixou de ser uma comunidade fechada e passou a ser um dos municípios mais recentes da Califórnia, cujos cidadãos têm em média setenta e sete anos de idade. Neste estatuto, pagam menos impostos. Limitam-se a pagar pelas piscinas, campos de ténis, cavalariças e tratamento da relva dentro do perímetro da nova cidade, em vez de gastarem dinheiro em escolas e serviços sociais para as crianças do resto do concelho.
Enquanto a proporção de casais com filhos continua a diminuir e aumenta o número de idosos, aumenta o número de bairros escolares com maiores concentrações de idosos que votam por impostos mais baixos e escolas de má qualidade. Por outro lado, criam-se bairros com serviços especiais para residentes da classe média e empresários dispostos a pagar taxas para melhorar a recolha do lixo, a limpeza das ruas e o policiamento desde que estes serviços sejam executados apenas no seu bairro. As comunidades exclusivas estão a ser muradas. As residências, as escolas, os estabelecimentos e os escritórios estão ligados a redes gigantescas de alta velocidade, permitindo que os professores comuniquem mais facilmente com os pais, as empresas com os seus colaboradores e todas as pessoas com os funcionários da sua autarquia.
Esta tendência está a conduzir os Estados Unidos de novo para a segregação racial. No início dos anos 90, cerca de 10% dos bairros de Chicago ainda podiam considerar-se integrados – as famílias negras representavam 10% a 50% do total dos residentes. Em meados da década, essa percentagem desceu três pontos.
A nível da educação, é mais provável que um aluno do liceu vá às aulas quando a maioria dos seus colegas faz o mesmo. Os estudantes menos aptos recebem mais apoio se estiverem em turmas de bons alunos. Depois de um grupo de famílias urbanas pobres, escolhidas aleatoriamente, ter recebido vouchers que lhes permitiram mudar-se para bairros melhores, o comportamento dos seus filhos melhorou em comparação com os daquelas famílias que queriam os vouchers, mas não os obtiveram.
Os pais mais ambiciosos estão a escolher escolas particulares de grande prestígio ou boas escolas públicas em comunidades suburbanas elegantes onde os outros alunos podem exercer uma influência positiva, os desordeiros são facilmente expulsos e os mais lentos a aprender são discretamente isolados. Ou então escolhem escolas especiais, subsidiadas pelo Estado, que gozem de mais liberdade de admissão ou de expulsão do que as escolas públicas. Este mecanismo explica o surto de Fundações de Pais particulares, na sequência de decisões dos tribunais exigindo que as zonas escolares mais ricas subsidiem as mais pobres. Em vez de pagarem mais impostos, os pais transferem discretamente o seu apoio para estas instituições de beneficência, o que lhes permite manter uma parcela maior do seu dinheiro na sua zona de residência. Cerca de 12% dos mais de 14 000 distritos escolares dos EUA já são subsidiados em parte por estas fundações que pagam tudo, desde um novo auditório a uma estação meteorológica de alta tecnologia e um programa de línguas. As Fundações de Pais são a prova evidente de que os pais tentam reencaminhar o seu dinheiro para os seus filhos e não para as crianças mais necessitadas e cuja educação é mais dispendiosa.
Assim as crianças mais pobres que exigem uma grande dose de atenção dos bons professores estão cada vez mais agrupadas com outras crianças pobres e também muito necessitadas em escolas que não dispõem de muitos recursos. Graças ao sistema de vouchers escolares, as escolas têm mais liberdade de expulsar as crianças que sejam particularmente indisciplinadas. Para onde vão estas crianças? Estão amontoadas no fundo de todo o sistema educativo, em escolas que são essencialmente instituições de custódia. O mecanismo de discriminação completa-se.
Na economia emergente, o êxito depende mais do talento, da ingenuidade, da capacidade que cada pessoa tem de se vender e das pessoas que se conhecem. Em termos individuais, os pais estão a agir racionalmente, mas o que é racional para os indivíduos não o é para a sociedade.
O apoio estatal ao ensino superior já não é tão generoso como era. Esta mudança para o mercado nacional e global do ensino superior gerou uma concorrência mais directa entre faculdades e universidades. Para manterem ou aumentarem a sua reputação, elas tiveram de atrair os jovens mais inteligentes do país e até do mundo. A universidade de Carnegie-Mellon encoraja explicitamente os candidatos mais dotados a recusar as propostas de outras universidades para poder igualá-las ou superá-las. Harvard faz a mesma proposta.
A consequência é que sobram menos recursos para apoiar os estudantes mais necessitados. Isto significa que os alunos mais dotados, bem organizados e motivados estão a juntar-se mais do que nunca nas mesmas universidades de prestígio. Não só os seus talentos e ambições se reforçam mutuamente como a abundância de contactos e de conhecimentos permite que todo o grupo tenha acesso a oportunidades de emprego melhores e o prestígio da marca da universidade aumenta consideravelmente.❐ (continua)
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
O Futuro do Sucesso (VI)
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Lagos no coração-3
Lagos no coração
Problemas do português
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2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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From Chiado Editora site:
“Dear International Colleagues, Welcome to our Foreign Rights page. Feel free to browse our online catalogues by categories of your interest. You can access additional information for each of our publications by clicking on its title.If you are interested in considering any of our books for translation, please do not hesitate to send us any translation query to the e-mail: foreignrights.chiado@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . We look forward to working with you.Kind regards,
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.225-254) A nova família, tal como ela é, existe no seio de um conjunto complexo de disposições logísticas de modo a que vários membros estejam onde têm de estar para corresponderem às novas exigências da economia. Os sociólogos até criaram um acrónimo – DINS (double income, no sex) para descrever os casais modernos, cheios de stress e demasiado cansados para fazer outra coisa qualquer na cama, excepto dormir. Enquanto tentam coordenar as suas pequenas parcelas de tempo juntos para obterem o máximo efeito, esses casais provocaram um pequeno aumento de vendas de kits destinados a prever os períodos de ovulação. Quando nasce um filho, um terço dos pais que trabalham, repartem hoje o trabalho e o tratamento dos filhos em turnos. Um trabalha durante o dia, enquanto o outro cumpre os seus deveres parentais e à noite invertem os papéis. Comunicam uns com os outros por bilhetes, fazendo a lista das pessoas que telefonaram na ausência do outro, o que aconteceu ao bebé durante o dia, o que é o jantar.
As casas estão vazias durante períodos muito mais longos. Os dois membros do casal andam de um lado para o outro ou, se trabalham nas redondezas, estão ausentes durante quase todo o dia. As crianças vão no carrinho para o infantário. Os pais idosos vivem sozinhos ou em lares. Poucas são as famílias cujos membros conseguem conciliar os seus afazeres de modo a jantarem juntos. Os pais que trabalham, chegam a casa muito depois de a barriga dos filhos começar a dar horas. A parcela de casais norte-americanos que jantam em conjunto diminuiu um terço nos últimos vinte anos, de 50% para 34%. Algumas famílias chegaram ao ponto de marcar um encontro semanal.
Entre os anos 70 e vinte e cinco anos mais tarde, a maior diferença que detectamos, é uma redução drástica na percentagem de casais com filhos: de 45% em 1972 para 26% em 1998, associada a um aumento da percentagem de pessoas não-casadas sem filhos, de 16% para 32%. Em suma, o lar-tipo mudou.
A nova economia recompensa características que são tão vulgares nas mulheres como nos homens: a criatividade e a empatia que, caracterizam respectivamente os visionários e os psicólogos.
Nas famílias em que há dois elementos assalariados, as mulheres ganharam terreno em relação aos maridos. Em 1980, menos de uma em cada cinco mulheres trabalhadoras casadas ganhava mais do que os maridos; em 2000, esse número corresponde a cerca de um terço. Actualmente, quase metade das mulheres licenciadas ganham mais do que os maridos. Entretanto, as mulheres começam a ter cada vez mais acesso a lugares de gestão e a profissões independentes. Elas ocupavam menos de 20% dos lugares de gestão e de profissões independentes, em 1970; mas mais de 36%, em 1999. Entre as que ocupavam altos cargos, a percentagem passou de 9,2%, em 1970, para mais de 25%, em 1998. Contudo, na economia emergente, os altos cargos exigem uma dedicação total. É tudo ou nada. Se tanto os homens como as mulheres que podem ganhar bons salários, quiserem ter filhos, as mulheres poderão fazer um acordo: os homens terão de assegurar pelo menos metade das tarefas familiares, nomeadamente o tratamento dos filhos. Por outro lado, se se verificar que os homens estão mais dispostos do que as mulheres a renunciar à paternidade; as mulheres continuarão a ser confrontadas com uma falta de maridos e de parceiros dispostos a executar pelo menos metade das tarefas ligadas à criação dos filhos. As mulheres não podem tudo. Nem os homens.
O modo como o trabalho é organizado e remunerado incentiva a atenção pessoal. Esta é uma parcela cada vez maior do PNB (Produto Nacional Bruto), uma percentagem cada vez maior de todo o dinheiro que ganhamos e gastamos. Situa-se entre as categorias profissionais que crescem mais rapidamente – pessoas que acompanham, cuidam e vigiam as crianças, os idosos, os deficientes, os deprimidos e os ansiosos assim como os adultos mais ou menos saudáveis que querem ser alvo de uma maior atenção e que estão dispostos a pagar por isso.
Há dois motivos específicos que justificam o crescimento da indústria da atenção:
o número crescente de pessoas que trabalham muito e subcontratam mais daquilo que eram as responsabilidades familiares;
a produtividade crescente das máquinas – instrumentos computorizados e robôs existentes nas fábricas, por exemplo e na economia dos serviços – caixas bancárias automáticas, bombas de gasolina automáticas, sistemas de recepção de chamadas telefónicas accionados pela voz e aparelhos digitais que dentro de pouco tempo farão quase tudo.
Uma das coisas que as máquinas não podem fazer é prestar atenção pessoal. A atenção pessoal pode ser agradável e a sua falta deprimente. Gosto de ir a um restaurante em que os empregados de mesa me cumulem de atenções e detesto os grandes armazéns onde é quase impossível encontrar alguém que nos atenda, mas o desejo humano de atenção é muito mais profundo. Há cientistas que afirmam que os seres humanos necessitam de uma certa dose de atenção pessoal para serem saudáveis. Nos anos 40, René Spitz, um psicanalista francês, comparou dois grupos de bebés: um instalado nos primeiros meses de vida num orfanato cujas enfermeiras os mantinham bem alimentados e vestidos, mas não tinham tempo para lhes dar atenção pessoal; o outro, num lar para mães delinquentes que lhes davam a máxima atenção. Concluiu que só os bebés do segundo grupo é que se desenvolveram normalmente.
Há pouco tempo, Mary Carlson, de Harvard, neurocientista interessada em saber como é afectado o cérebro dos bebés, aprofundou o estudo de Spitz, examinando bebés internados em orfanatos romenos que recebiam alimentação e cuidados médicos adequados, mas muito pouca atenção pessoal. Descobriu que as crianças eram física e mentalmente atrasadas e que muitas tinham movimentos corporais repetitivos semelhantes aos que observavam nos macacos-bebés que tinham estado fisicamente isolados de outros macacos.
O factor humano parece ser um aspecto importante da atenção.
Há pouco tempo, investigadores da Universidade Carnegie-Mellon estudaram os efeitos psicológicos do uso da internet. Escolheram aleatoriamente 169 pessoas na área de Pittsburg e acompanharam de perto o seu comportamento durante um a dois anos e concluíram que, quanto mais tempo as pessoas passavam na internet, mais deprimidas e sós se sentiam. Este resultado surpreendeu não só os investigadores como várias empresas de hardware e software que tinham subsidiado o estudo e que esperavam precisamente o contrário porque a internet permite que as pessoas contactem facilmente umas com as outras através do correio electrónico e das chat-rooms.1 As pessoas em estudo também afirmaram que, quanto mais tempo passavam online, menos interacções directas tinham com a família e os amigos porque não dispunham de tempo para lhes dedicar. «Segundo a nossa tese, há mais casos em que se constroem relações superficiais que conduzem a uma redução dos sentimentos de ligação a outras pessoas. As relações a grande distância sem contacto face a face acabam por não proporcionar o tipo de apoio e de reciprocidade que contribuem para uma sensação de segurança e felicidade.» - afirmou o investigador Robert Kraut, Professor de Psicologia Social do Human-Computer Interaction Institute da Universidade Carnegie-Mellon. Mas ninguém sabe exactamente por que motivos é que o contacto humano directo parece ser tão importante para a saúde física e mental.2
A atenção positiva de outra pessoa reduz certas hormonas que, em geral, estão associadas ao stress, em particular a epinefrina, a norepinefrina e o cortisol. A urina dos bebés que são embalados ou massajados contém níveis inferiores destas hormonas do stress comparativamente aos da urina dos bebés que não beneficiam destes cuidados. No estudo da Fundação MacArthur sobre os idosos do sexo masculino com mais contacto humano e atenção também revelavam níveis inferiores destas hormonas na urina do que os outros.
Na perspectiva da evolução humana é normal que o contacto humano reduza o stress, pois este evoluiu em famílias e clãs que garantiam protecção e sustento partilhado. No princípio do século XXI, esta necessidade de contacto pessoal constitui um problema para os seres humanos que, muitas vezes, não conseguem dar nem receber tanta atenção pessoal como gostariam. O novo trabalho exige uma grande dose do seu tempo, da sua energia emocional e do seu envolvimento psicológico.
Actualmente as pessoas abastadas são ricas em dinheiro, mas pobres em tempo. Para elas o luxo assume uma forma distinta: uma atenção pessoal requintada, destinada a fazer com que a sua vida frenética seja o mais eficiente e agradável possível. Por outro lado, as pessoas mais modestas têm acesso a tecnologias cada vez mais eficientes que satisfazem uma grande parte das suas necessidades, mas que o factor humano está visivelmente mais ausente.
Michelle Siron, uma consultora de gestão, de trinta e oito anos, está hospedada num hotel em Londres onde um motorista ao volante de um Range Rover a vai buscar para levá-la em velocidade moderada ao aeroporto de Heathrow. Aí, espera-a uma assistente que se encarrega do check-in ainda antes de ela sair do automóvel e que, em seguida, a acompanha a uma sala privada onde Michelle bebe chá e saboreia uma sandes de salmão fumado, enquanto lhe cortam e secam o cabelo. Já a bordo, tratam-lhe das unhas e massajam-lhe o pescoço. As hospedeiras satisfazem todos os seus desejos. «Tudo isto afasta o stress das viagens.» - afirma Michelle.
Por outro lado, Jennifer, uma outra passageira do mesmo avião, optou por um bilhete de preço reduzido e que, vergada ao peso das malas, entra no recinto barulhento e apinhado de Heathrow, espera uma hora numa longa fila para fazer check-in, descobre a custo uma cadeira de plástico onde se senta numa sala de espera sobrelotada até ouvir pelo altifalante qual o número da porta de acesso à pista para onde se deve dirigir. Enfiam-na num assento acanhado na traseira do avião, uma hospedeira arrasada que desaparece até ao fim da viagem, atira-lhe um saquinho de aperitivos e, por fim, seis horas depois, Jennifer espera uma hora pela sua bagagem. No fim da viagem, as hormonas do stress de Jennifer registam um nível mais ou menos elevado.
«O princípio segundo o qual recebemos na medida em que pagamos é reconhecido nos Estados Unidos e em todo o mundo.» - afirma Donald Casey, o vice-presidente executivo da TransWorldAirlines, ao explicar a nova estratégia da companhia aérea.❐
(continua)
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1N. L. - mas esqueceram-se de que há um novo elemento muito importante – a luminosidade que afecta completamente a mente humana e a passa a dominar.
2N. L. - Trata-se da transferência de energia vital humana daqueles que têm para os que não têm ou têm pouco. A fé dos crentes dá-lhes essa energia vital directamente a partir de Deus nos tempos de oração. Quando se passa muito tempo online a energia vital humana é substituída pela energia que recebem do computador e aí começam a surgir os problemas.
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2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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(...)
(pp.225-254) A nova família, tal como ela é, existe no seio de um conjunto complexo de disposições logísticas de modo a que vários membros estejam onde têm de estar para corresponderem às novas exigências da economia. Os sociólogos até criaram um acrónimo – DINS (double income, no sex) para descrever os casais modernos, cheios de stress e demasiado cansados para fazer outra coisa qualquer na cama, excepto dormir. Enquanto tentam coordenar as suas pequenas parcelas de tempo juntos para obterem o máximo efeito, esses casais provocaram um pequeno aumento de vendas de kits destinados a prever os períodos de ovulação. Quando nasce um filho, um terço dos pais que trabalham, repartem hoje o trabalho e o tratamento dos filhos em turnos. Um trabalha durante o dia, enquanto o outro cumpre os seus deveres parentais e à noite invertem os papéis. Comunicam uns com os outros por bilhetes, fazendo a lista das pessoas que telefonaram na ausência do outro, o que aconteceu ao bebé durante o dia, o que é o jantar.
As casas estão vazias durante períodos muito mais longos. Os dois membros do casal andam de um lado para o outro ou, se trabalham nas redondezas, estão ausentes durante quase todo o dia. As crianças vão no carrinho para o infantário. Os pais idosos vivem sozinhos ou em lares. Poucas são as famílias cujos membros conseguem conciliar os seus afazeres de modo a jantarem juntos. Os pais que trabalham, chegam a casa muito depois de a barriga dos filhos começar a dar horas. A parcela de casais norte-americanos que jantam em conjunto diminuiu um terço nos últimos vinte anos, de 50% para 34%. Algumas famílias chegaram ao ponto de marcar um encontro semanal.
Entre os anos 70 e vinte e cinco anos mais tarde, a maior diferença que detectamos, é uma redução drástica na percentagem de casais com filhos: de 45% em 1972 para 26% em 1998, associada a um aumento da percentagem de pessoas não-casadas sem filhos, de 16% para 32%. Em suma, o lar-tipo mudou.
A nova economia recompensa características que são tão vulgares nas mulheres como nos homens: a criatividade e a empatia que, caracterizam respectivamente os visionários e os psicólogos.
Nas famílias em que há dois elementos assalariados, as mulheres ganharam terreno em relação aos maridos. Em 1980, menos de uma em cada cinco mulheres trabalhadoras casadas ganhava mais do que os maridos; em 2000, esse número corresponde a cerca de um terço. Actualmente, quase metade das mulheres licenciadas ganham mais do que os maridos. Entretanto, as mulheres começam a ter cada vez mais acesso a lugares de gestão e a profissões independentes. Elas ocupavam menos de 20% dos lugares de gestão e de profissões independentes, em 1970; mas mais de 36%, em 1999. Entre as que ocupavam altos cargos, a percentagem passou de 9,2%, em 1970, para mais de 25%, em 1998. Contudo, na economia emergente, os altos cargos exigem uma dedicação total. É tudo ou nada. Se tanto os homens como as mulheres que podem ganhar bons salários, quiserem ter filhos, as mulheres poderão fazer um acordo: os homens terão de assegurar pelo menos metade das tarefas familiares, nomeadamente o tratamento dos filhos. Por outro lado, se se verificar que os homens estão mais dispostos do que as mulheres a renunciar à paternidade; as mulheres continuarão a ser confrontadas com uma falta de maridos e de parceiros dispostos a executar pelo menos metade das tarefas ligadas à criação dos filhos. As mulheres não podem tudo. Nem os homens.
O modo como o trabalho é organizado e remunerado incentiva a atenção pessoal. Esta é uma parcela cada vez maior do PNB (Produto Nacional Bruto), uma percentagem cada vez maior de todo o dinheiro que ganhamos e gastamos. Situa-se entre as categorias profissionais que crescem mais rapidamente – pessoas que acompanham, cuidam e vigiam as crianças, os idosos, os deficientes, os deprimidos e os ansiosos assim como os adultos mais ou menos saudáveis que querem ser alvo de uma maior atenção e que estão dispostos a pagar por isso.
Há dois motivos específicos que justificam o crescimento da indústria da atenção:
o número crescente de pessoas que trabalham muito e subcontratam mais daquilo que eram as responsabilidades familiares;
a produtividade crescente das máquinas – instrumentos computorizados e robôs existentes nas fábricas, por exemplo e na economia dos serviços – caixas bancárias automáticas, bombas de gasolina automáticas, sistemas de recepção de chamadas telefónicas accionados pela voz e aparelhos digitais que dentro de pouco tempo farão quase tudo.
Uma das coisas que as máquinas não podem fazer é prestar atenção pessoal. A atenção pessoal pode ser agradável e a sua falta deprimente. Gosto de ir a um restaurante em que os empregados de mesa me cumulem de atenções e detesto os grandes armazéns onde é quase impossível encontrar alguém que nos atenda, mas o desejo humano de atenção é muito mais profundo. Há cientistas que afirmam que os seres humanos necessitam de uma certa dose de atenção pessoal para serem saudáveis. Nos anos 40, René Spitz, um psicanalista francês, comparou dois grupos de bebés: um instalado nos primeiros meses de vida num orfanato cujas enfermeiras os mantinham bem alimentados e vestidos, mas não tinham tempo para lhes dar atenção pessoal; o outro, num lar para mães delinquentes que lhes davam a máxima atenção. Concluiu que só os bebés do segundo grupo é que se desenvolveram normalmente.
Há pouco tempo, Mary Carlson, de Harvard, neurocientista interessada em saber como é afectado o cérebro dos bebés, aprofundou o estudo de Spitz, examinando bebés internados em orfanatos romenos que recebiam alimentação e cuidados médicos adequados, mas muito pouca atenção pessoal. Descobriu que as crianças eram física e mentalmente atrasadas e que muitas tinham movimentos corporais repetitivos semelhantes aos que observavam nos macacos-bebés que tinham estado fisicamente isolados de outros macacos.
O factor humano parece ser um aspecto importante da atenção.
Há pouco tempo, investigadores da Universidade Carnegie-Mellon estudaram os efeitos psicológicos do uso da internet. Escolheram aleatoriamente 169 pessoas na área de Pittsburg e acompanharam de perto o seu comportamento durante um a dois anos e concluíram que, quanto mais tempo as pessoas passavam na internet, mais deprimidas e sós se sentiam. Este resultado surpreendeu não só os investigadores como várias empresas de hardware e software que tinham subsidiado o estudo e que esperavam precisamente o contrário porque a internet permite que as pessoas contactem facilmente umas com as outras através do correio electrónico e das chat-rooms.1 As pessoas em estudo também afirmaram que, quanto mais tempo passavam online, menos interacções directas tinham com a família e os amigos porque não dispunham de tempo para lhes dedicar. «Segundo a nossa tese, há mais casos em que se constroem relações superficiais que conduzem a uma redução dos sentimentos de ligação a outras pessoas. As relações a grande distância sem contacto face a face acabam por não proporcionar o tipo de apoio e de reciprocidade que contribuem para uma sensação de segurança e felicidade.» - afirmou o investigador Robert Kraut, Professor de Psicologia Social do Human-Computer Interaction Institute da Universidade Carnegie-Mellon. Mas ninguém sabe exactamente por que motivos é que o contacto humano directo parece ser tão importante para a saúde física e mental.2
A atenção positiva de outra pessoa reduz certas hormonas que, em geral, estão associadas ao stress, em particular a epinefrina, a norepinefrina e o cortisol. A urina dos bebés que são embalados ou massajados contém níveis inferiores destas hormonas do stress comparativamente aos da urina dos bebés que não beneficiam destes cuidados. No estudo da Fundação MacArthur sobre os idosos do sexo masculino com mais contacto humano e atenção também revelavam níveis inferiores destas hormonas na urina do que os outros.
Na perspectiva da evolução humana é normal que o contacto humano reduza o stress, pois este evoluiu em famílias e clãs que garantiam protecção e sustento partilhado. No princípio do século XXI, esta necessidade de contacto pessoal constitui um problema para os seres humanos que, muitas vezes, não conseguem dar nem receber tanta atenção pessoal como gostariam. O novo trabalho exige uma grande dose do seu tempo, da sua energia emocional e do seu envolvimento psicológico.
Actualmente as pessoas abastadas são ricas em dinheiro, mas pobres em tempo. Para elas o luxo assume uma forma distinta: uma atenção pessoal requintada, destinada a fazer com que a sua vida frenética seja o mais eficiente e agradável possível. Por outro lado, as pessoas mais modestas têm acesso a tecnologias cada vez mais eficientes que satisfazem uma grande parte das suas necessidades, mas que o factor humano está visivelmente mais ausente.
Michelle Siron, uma consultora de gestão, de trinta e oito anos, está hospedada num hotel em Londres onde um motorista ao volante de um Range Rover a vai buscar para levá-la em velocidade moderada ao aeroporto de Heathrow. Aí, espera-a uma assistente que se encarrega do check-in ainda antes de ela sair do automóvel e que, em seguida, a acompanha a uma sala privada onde Michelle bebe chá e saboreia uma sandes de salmão fumado, enquanto lhe cortam e secam o cabelo. Já a bordo, tratam-lhe das unhas e massajam-lhe o pescoço. As hospedeiras satisfazem todos os seus desejos. «Tudo isto afasta o stress das viagens.» - afirma Michelle.
Por outro lado, Jennifer, uma outra passageira do mesmo avião, optou por um bilhete de preço reduzido e que, vergada ao peso das malas, entra no recinto barulhento e apinhado de Heathrow, espera uma hora numa longa fila para fazer check-in, descobre a custo uma cadeira de plástico onde se senta numa sala de espera sobrelotada até ouvir pelo altifalante qual o número da porta de acesso à pista para onde se deve dirigir. Enfiam-na num assento acanhado na traseira do avião, uma hospedeira arrasada que desaparece até ao fim da viagem, atira-lhe um saquinho de aperitivos e, por fim, seis horas depois, Jennifer espera uma hora pela sua bagagem. No fim da viagem, as hormonas do stress de Jennifer registam um nível mais ou menos elevado.
«O princípio segundo o qual recebemos na medida em que pagamos é reconhecido nos Estados Unidos e em todo o mundo.» - afirma Donald Casey, o vice-presidente executivo da TransWorldAirlines, ao explicar a nova estratégia da companhia aérea.❐
(continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
1N. L. - mas esqueceram-se de que há um novo elemento muito importante – a luminosidade que afecta completamente a mente humana e a passa a dominar.
2N. L. - Trata-se da transferência de energia vital humana daqueles que têm para os que não têm ou têm pouco. A fé dos crentes dá-lhes essa energia vital directamente a partir de Deus nos tempos de oração. Quando se passa muito tempo online a energia vital humana é substituída pela energia que recebem do computador e aí começam a surgir os problemas.
domingo, 16 de janeiro de 2011
O Futuro do Sucesso - V
Os meus blogues
para Recordar
Lagos no coração-3
Lagos no coração
Problemas do português
Cristianismo
...........................................................
http://www.institutosacarneiro.pt/ “Europa” - Maria de Portugal
http://www.psd.pt/ Homepage (rodapé) - “Povo Livre”
2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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From Chiado Editora site:
“Dear International Colleagues, Welcome to our Foreign Rights page. Feel free to browse our online catalogues by categories of your interest. You can access additional information for each of our publications by clicking on its title.If you are interested in considering any of our books for translation, please do not hesitate to send us any translation query to the e-mail: foreignrights.chiado@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . We look forward to working with you.Kind regards,
Your Foreign Right Team”
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.195-221) A economia emergente recompensa mais os visionários e os psicólogos de talento, as pessoas que são criativas e originais e que percebem o que as outras querem. Os potenciais empregadores sabem que os jovens em que estes atributos abundam nem sempre vão para as universidades de maior prestígio. Um especialista em recrutamento de um banco de investimento confiou-me que já não perde muito tempo a entrevistar os melhores alunos das universidades porque percebe que eles são o tipo de pessoas que passaram a vida a saltar obedientemente por todos os aros que lhes puseram à frente e que estão muito empenhados em agradar aos outros. Ele pretende gente jovem que esteja disposta a combater o sistema, que seja inovadora e agressiva. Na economia emergente, o êxito financeiro advém mais da motivação e da criatividade do que das credenciais elitistas. Por exemplo, no outono de 1998, a universidade de Columbia propôs-se pagar a Robert J. Barro cerca de 300 000 dólares por ano, se ele saísse de Harvard e fosse para o seu Departamento de Economia. Isto correspondia, mais ou menos, ao dobro do salário pago aos professores de Letras e Ciências de Harvard, Columbia e outras universidades de elite. Segundo o New York Times1, Columbia também daria a Barro três gabinetes espaçosos e uma verba considerável para investigação, além da oportunidade de recrutar vários jovens economistas promissores. Também matricularia o filho de Barro num colégio particular em Manhattan, daria à sua esposa um emprego na universidade com uma remuneração anual de 55 000 dólares e instalaria toda a família Barro num apartamento de 700 m2 pertencente à universidade, em Riverside Drive, que Columbia mandaria remodelar e lhe alugaria por metade do preço de mercado.
Barro é muito competente. A sua obra teórica exerceu influência considerável nos economistas e ele distinguiu-se antes de chegar a Harvard. Harvard e Columbia estão a transformar-se em redes céleres cuja permanente capacidade de atrair pessoas de talento – tanto professores como alunos – depende das pessoas de talento que elas já conseguiram atrair. Elas têm de manter círculos virtuosos em que a reputação da sua marca ponha em evidência a reputação pessoal dos seus professores e alunos que, por sua vez fazem realçar a reputação da marca da universidade e, desse modo, atraem mais professores e alunos ilustres.
Numa das suas rondas de negociações com Columbia, Barro apresentou uma lista de dez a doze estrelas em ascensão que ele gostaria que a universidade apanhasse e cuja admissão fazia parte do contrato. Um economista de Columbia referiu-se ao contrato em termos de custos e benefícios. «Estamos a captar uma grande parte do excedente que Robert irá gerar.»
Por outro lado, o reitor da universidade de Harvard que se gabava de nunca ter sido obrigado a igualar uma proposta de outra universidade, convidou Barro para um jantar longo e bem regado durante o qual lhe apresentou a sua contraproposta que incluía um novo centro de investigação entre outras coisas e Barro acabou por ficar.
A nova economia oferece aos professores empreendedores cada vez mais oportunidades de tirar proveito dos seus nomes de marca. Dentro de pouco tempo, os professores conhecidos conseguirão vender as suas marcas pessoais na internet através dos seus cursos e das suas conferências. À medida que as pessoas de talento adquirem maior mobilidade e que o mercado se torna mais competitivo, os incentivos estão do lado de quem investe na sua marca pessoal e não de quem dedica tempo e energia a uma organização.
Depois da forma manifesta como Barro determinou o seu valor, os professores de todo o país tiveram oportunidade de comparar os seus próprios níveis remuneratórios com aquele que lhe foi proposto e de calcular o seu próprio valor relativo. Na economia emergente, repleta de propostas e contrapropostas, a nossa remuneração tende a ser diferente da dos nossos colegas e tanto uma como as outras são do conhecimento de mais pessoas, permitindo assim que se conheça o nosso valor e o deles.
Há pouco tempo, um grande amigo meu da minha faculdade resolveu ir para outra universidade que lhe oferecia melhores condições. Perguntei-lhe por que razão se ia embora. Ele ficou a olhar para mim e depois disse-me «Não me sinto apreciado aqui. O meu salário actual não é particularmente elevado em comparação com o de muitos outros professores da universidade e a outra universidade fez tudo para me apanhar.» Perguntei-lhe «Se não soubesses qual era o nível salarial dos outros professores desta universidade ou qualquer outra, continuarias a sentir-te subestimado?» Ele ficou a pensar e disse-me «Creio que seria diferente.»
Não creio que o meu amigo se importasse com o que outros ganhavam em termos daquilo que os dólares podiam comprar. Em contrapartida, ele era sensível ao que os dólares significavam quanto ao seu valor na profissão que ele escolhera. Pura e simplesmente, o meu amigo queria ir para um sítio onde o apreciassem mais.
Na nova economia, para singrarmos, não precisamos de ser estimados. O objectivo já não é integrarmo-nos nem conseguirmos a aprovação dos nossos pares, mas sim destacarmo-nos entre os nossos pares, fascinarmos e inspirarmos potenciais clientes ou pessoas que nos façam chegar a eles. O cantor de rock David Bowie fez uma emissão de obrigações pessoais, habilitando os investidores a receberem uma percentagem fixa dos seus direitos de autor futuros e das receitas dos seus concertos que foram totalmente subscritas no espaço de uma hora por mais de 50 milhões de dólares.
(pp.340-49) Horace Greeley popularizou a frase «Vai para o Oeste, jovem», mas não a criou. Ela teve origem em John Babson Lane Soul, num artigo publicado pela primeira vez em The Terre Haute (Indiana) Express, em 1851. Além disso, Greeley não incitou todos os jovens a partir para o Oeste, mas só aqueles que não tinham nada de melhor para fazer. «A melhor ocupação que podes arranjar é na quinta ou na oficina do teu pai.» advertiu ele «Se não tiveres nenhuma quinta nem amigos que te ajudem e não tiveres perspectiva, vira-te para o grande Oeste e lá construirás uma casa e uma fortuna.» em «To Aspiring Young Men», citado em James Parton, Life of Horace Greeley, 1855.
Os políticos e os jornalistas têm prestado muita atenção ao número crescente de americanos que não têm seguro de saúde, menos àqueles que têm de pagar prémios maiores, comparticipações e dedutíveis pelos cuidados de saúde que recebem. A consequência destes pagamentos mais avultados é muitas vezes impedir que as pessoas utilizem os serviços de saúde. Para dados sobre a redução da cobertura de saúde assegurada pela entidade empregadora ver Lawrence Mishel, Jared Bernstein e John Schmidt, The State of Working America, 1998-99, Ithaca, Nova Iorque, Cornell University Press, 1999, pp.146-7.
Um dos motivos pelo qual as pessoas mais velhas e de meia-idade que perdem o emprego, têm mais dificuldade em arranjar outro tão bem pago é o facto de as empresas se mostrarem relutantes em investir em nova formação associada a nova tecnologia para trabalhadores mais velhos cujo período de compensação à empresa será mais curto. Ver William, J. Baumol e Edward N. Wolff, Speed of Technical Progress and Length of the Average Interjob Period, Jerome Levy Economics Institute, documento de trabalho nº237, Maio de 1998, Annandale-on-Hudson, Nova Iorque. Ver também um estudo elaborado por Exec-U-Net Outplacement Service, Norwalk, Connecticut, sobre 400 executivos que procuravam um novo emprego. Quanto mais idade tinha o candidato, menor era o número de entrevistas e mais prolongada era a procura. Os candidatos com idades entre 41 e 45 anos levavam um período de 18% mais longo a encontrar um emprego do que os candidatos de 35 a 40 anos; os candidatos de 45 a 50 anos levavam um período de 24% mais longo; os candidatos de 51 a 55 anos, um período de 44% mais longo; os candidatos de 55 a 60 anos, um período de 66% mais longo. Ver Daniel M. Gold, «In Executive Job Hunts, Experience doesn't matter», New York Times, 25 de Outubro de 1998, Business, p.10.
As pessoas que negam que a desigualdade é um problema também negam que os dados sobre a desigualdade do Current Population Survey ignoram as consequências significativas dos programas fiscais e de transferências, mas a verdade é que, entre 1980 e 1998, a desigualdade aumentou ainda mais, mesmo incluindo os impostos e as transferências. Ver o portal do Census, http://www.census.gov/hhes/www/income.html, Quadro RDI-5
Os estudos que acompanham grupos consistentes de pessoas ao longo do tempo revelam que a mobilidade é limitada. São relativamente poucas as famílias dos estratos mais baixos que melhoram de situação. Cerca de seis em cada dez crianças nascidas no seio das famílias pertencentes ao quinto inferior dos rendimentos, no princípio dos anos 70, ainda pertencia ao mesmo estrato dez anos depois. Ver Peter Gottschalk, «Inequality, Income Growth and Mobility: The Basic Facts», Journal of Economic Perspectives, vol. II, nº 2, Primavera de 1997.❐
(continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
1NASAR Sylvia, «New Breed of College All-Star», New York Times, 08 de Abril de 1998, pp. C1, C3.
para Recordar
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Cristianismo
...........................................................
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2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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(...)
(pp.195-221) A economia emergente recompensa mais os visionários e os psicólogos de talento, as pessoas que são criativas e originais e que percebem o que as outras querem. Os potenciais empregadores sabem que os jovens em que estes atributos abundam nem sempre vão para as universidades de maior prestígio. Um especialista em recrutamento de um banco de investimento confiou-me que já não perde muito tempo a entrevistar os melhores alunos das universidades porque percebe que eles são o tipo de pessoas que passaram a vida a saltar obedientemente por todos os aros que lhes puseram à frente e que estão muito empenhados em agradar aos outros. Ele pretende gente jovem que esteja disposta a combater o sistema, que seja inovadora e agressiva. Na economia emergente, o êxito financeiro advém mais da motivação e da criatividade do que das credenciais elitistas. Por exemplo, no outono de 1998, a universidade de Columbia propôs-se pagar a Robert J. Barro cerca de 300 000 dólares por ano, se ele saísse de Harvard e fosse para o seu Departamento de Economia. Isto correspondia, mais ou menos, ao dobro do salário pago aos professores de Letras e Ciências de Harvard, Columbia e outras universidades de elite. Segundo o New York Times1, Columbia também daria a Barro três gabinetes espaçosos e uma verba considerável para investigação, além da oportunidade de recrutar vários jovens economistas promissores. Também matricularia o filho de Barro num colégio particular em Manhattan, daria à sua esposa um emprego na universidade com uma remuneração anual de 55 000 dólares e instalaria toda a família Barro num apartamento de 700 m2 pertencente à universidade, em Riverside Drive, que Columbia mandaria remodelar e lhe alugaria por metade do preço de mercado.
Barro é muito competente. A sua obra teórica exerceu influência considerável nos economistas e ele distinguiu-se antes de chegar a Harvard. Harvard e Columbia estão a transformar-se em redes céleres cuja permanente capacidade de atrair pessoas de talento – tanto professores como alunos – depende das pessoas de talento que elas já conseguiram atrair. Elas têm de manter círculos virtuosos em que a reputação da sua marca ponha em evidência a reputação pessoal dos seus professores e alunos que, por sua vez fazem realçar a reputação da marca da universidade e, desse modo, atraem mais professores e alunos ilustres.
Numa das suas rondas de negociações com Columbia, Barro apresentou uma lista de dez a doze estrelas em ascensão que ele gostaria que a universidade apanhasse e cuja admissão fazia parte do contrato. Um economista de Columbia referiu-se ao contrato em termos de custos e benefícios. «Estamos a captar uma grande parte do excedente que Robert irá gerar.»
Por outro lado, o reitor da universidade de Harvard que se gabava de nunca ter sido obrigado a igualar uma proposta de outra universidade, convidou Barro para um jantar longo e bem regado durante o qual lhe apresentou a sua contraproposta que incluía um novo centro de investigação entre outras coisas e Barro acabou por ficar.
A nova economia oferece aos professores empreendedores cada vez mais oportunidades de tirar proveito dos seus nomes de marca. Dentro de pouco tempo, os professores conhecidos conseguirão vender as suas marcas pessoais na internet através dos seus cursos e das suas conferências. À medida que as pessoas de talento adquirem maior mobilidade e que o mercado se torna mais competitivo, os incentivos estão do lado de quem investe na sua marca pessoal e não de quem dedica tempo e energia a uma organização.
Depois da forma manifesta como Barro determinou o seu valor, os professores de todo o país tiveram oportunidade de comparar os seus próprios níveis remuneratórios com aquele que lhe foi proposto e de calcular o seu próprio valor relativo. Na economia emergente, repleta de propostas e contrapropostas, a nossa remuneração tende a ser diferente da dos nossos colegas e tanto uma como as outras são do conhecimento de mais pessoas, permitindo assim que se conheça o nosso valor e o deles.
Há pouco tempo, um grande amigo meu da minha faculdade resolveu ir para outra universidade que lhe oferecia melhores condições. Perguntei-lhe por que razão se ia embora. Ele ficou a olhar para mim e depois disse-me «Não me sinto apreciado aqui. O meu salário actual não é particularmente elevado em comparação com o de muitos outros professores da universidade e a outra universidade fez tudo para me apanhar.» Perguntei-lhe «Se não soubesses qual era o nível salarial dos outros professores desta universidade ou qualquer outra, continuarias a sentir-te subestimado?» Ele ficou a pensar e disse-me «Creio que seria diferente.»
Não creio que o meu amigo se importasse com o que outros ganhavam em termos daquilo que os dólares podiam comprar. Em contrapartida, ele era sensível ao que os dólares significavam quanto ao seu valor na profissão que ele escolhera. Pura e simplesmente, o meu amigo queria ir para um sítio onde o apreciassem mais.
Na nova economia, para singrarmos, não precisamos de ser estimados. O objectivo já não é integrarmo-nos nem conseguirmos a aprovação dos nossos pares, mas sim destacarmo-nos entre os nossos pares, fascinarmos e inspirarmos potenciais clientes ou pessoas que nos façam chegar a eles. O cantor de rock David Bowie fez uma emissão de obrigações pessoais, habilitando os investidores a receberem uma percentagem fixa dos seus direitos de autor futuros e das receitas dos seus concertos que foram totalmente subscritas no espaço de uma hora por mais de 50 milhões de dólares.
(pp.340-49) Horace Greeley popularizou a frase «Vai para o Oeste, jovem», mas não a criou. Ela teve origem em John Babson Lane Soul, num artigo publicado pela primeira vez em The Terre Haute (Indiana) Express, em 1851. Além disso, Greeley não incitou todos os jovens a partir para o Oeste, mas só aqueles que não tinham nada de melhor para fazer. «A melhor ocupação que podes arranjar é na quinta ou na oficina do teu pai.» advertiu ele «Se não tiveres nenhuma quinta nem amigos que te ajudem e não tiveres perspectiva, vira-te para o grande Oeste e lá construirás uma casa e uma fortuna.» em «To Aspiring Young Men», citado em James Parton, Life of Horace Greeley, 1855.
Os políticos e os jornalistas têm prestado muita atenção ao número crescente de americanos que não têm seguro de saúde, menos àqueles que têm de pagar prémios maiores, comparticipações e dedutíveis pelos cuidados de saúde que recebem. A consequência destes pagamentos mais avultados é muitas vezes impedir que as pessoas utilizem os serviços de saúde. Para dados sobre a redução da cobertura de saúde assegurada pela entidade empregadora ver Lawrence Mishel, Jared Bernstein e John Schmidt, The State of Working America, 1998-99, Ithaca, Nova Iorque, Cornell University Press, 1999, pp.146-7.
Um dos motivos pelo qual as pessoas mais velhas e de meia-idade que perdem o emprego, têm mais dificuldade em arranjar outro tão bem pago é o facto de as empresas se mostrarem relutantes em investir em nova formação associada a nova tecnologia para trabalhadores mais velhos cujo período de compensação à empresa será mais curto. Ver William, J. Baumol e Edward N. Wolff, Speed of Technical Progress and Length of the Average Interjob Period, Jerome Levy Economics Institute, documento de trabalho nº237, Maio de 1998, Annandale-on-Hudson, Nova Iorque. Ver também um estudo elaborado por Exec-U-Net Outplacement Service, Norwalk, Connecticut, sobre 400 executivos que procuravam um novo emprego. Quanto mais idade tinha o candidato, menor era o número de entrevistas e mais prolongada era a procura. Os candidatos com idades entre 41 e 45 anos levavam um período de 18% mais longo a encontrar um emprego do que os candidatos de 35 a 40 anos; os candidatos de 45 a 50 anos levavam um período de 24% mais longo; os candidatos de 51 a 55 anos, um período de 44% mais longo; os candidatos de 55 a 60 anos, um período de 66% mais longo. Ver Daniel M. Gold, «In Executive Job Hunts, Experience doesn't matter», New York Times, 25 de Outubro de 1998, Business, p.10.
As pessoas que negam que a desigualdade é um problema também negam que os dados sobre a desigualdade do Current Population Survey ignoram as consequências significativas dos programas fiscais e de transferências, mas a verdade é que, entre 1980 e 1998, a desigualdade aumentou ainda mais, mesmo incluindo os impostos e as transferências. Ver o portal do Census, http://www.census.gov/hhes/www/income.html, Quadro RDI-5
Os estudos que acompanham grupos consistentes de pessoas ao longo do tempo revelam que a mobilidade é limitada. São relativamente poucas as famílias dos estratos mais baixos que melhoram de situação. Cerca de seis em cada dez crianças nascidas no seio das famílias pertencentes ao quinto inferior dos rendimentos, no princípio dos anos 70, ainda pertencia ao mesmo estrato dez anos depois. Ver Peter Gottschalk, «Inequality, Income Growth and Mobility: The Basic Facts», Journal of Economic Perspectives, vol. II, nº 2, Primavera de 1997.❐
(continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
1NASAR Sylvia, «New Breed of College All-Star», New York Times, 08 de Abril de 1998, pp. C1, C3.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
O Futuro do Sucesso (IV)
2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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“Dear International Colleagues, Welcome to our Foreign Rights page. Feel free to browse our online catalogues by categories of your interest. You can access additional information for each of our publications by clicking on its title.If you are interested in considering any of our books for translation, please do not hesitate to send us any translation query to the e-mail: foreignrights.chiado@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . We look forward to working with you.Kind regards,
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.150-191) Em meados do século XX, cerca de metade das famílias norte-americanas pertencia à classe média (que recebiam entre 4000 e 7500 dólares de 1953). A maioria destas famílias da classe média era encabeçada não por licenciados ou executivos, mas por operários fabris especializados ou semi-especializados, empregados administrativos, vendedores e trabalhadores grossistas e do comércio a retalho que geriam os fluxos do produto através das grandes pirâmides da produção em larga escala. A maioria tinha regalias concedidas pela empresa no domínio da saúde e das pensões de reforma.
Ser bem-sucedido era ser respeitado na comunidade, ganhar a vida decentemente e subir na empresa, possuir uma casa nos arredores, ter uma família estável e ser estimado e admirado por muitos. Estas aspirações não eram irrealistas para uma grande e cada vez maior percentagem de norte-americanos.
Na viragem do século XXI, menos de um em cada dez trabalhadores do sector privado pertence a um sindicato; o «homem da organização» de colarinho branco é uma espécie em vias de extinção. As opções cada vez mais amplas e as mudanças cada vez mais fáceis dos compradores impedem na prática que qualquer organização garanta um fluxo consistente de rendimento a alguém que trabalhe no seu seio. Para se manterem competitivas neste ambiente volátil, as organizações são obrigadas a transformar todos os custos fixos em custos variáveis que subam e desçam de acordo com as opções que os compradores fazem.
Hoje em dia, quase toda a gente vive daquilo que ganha que varia com os contratos, os bónus, a participação nos lucros, as horas facturáveis, as opções de compra de acções e outros indicadores de desempenho ou as vendas de um determinado período em relação ao seguinte. A quantidade de empregados que não sabem ao certo quanto irão ganhar de ano para ano é muito superior à estimativa mais generosa. Além disso, nas empresas, é cada vez maior o número de trabalhadores que passam de um projecto para outro ou que contactam com outros clientes. Se não existir projecto para eles trabalharem ou se nenhum dos projectos precisar dos seus serviços, continuando a fazer parte dos empregados a tempo inteiro, na prática, eles quase nem constam na folha de salários.
As instituições de beneficência e fundações que no passado renovavam sistematicamente as suas contribuições, actualmente são quase tão volúveis como os consumidores e os investidores. As universidades dependem de donativos e de investigação subsidiada pelo exterior e como cada vez mais estes são menos previsíveis elas recorrem cada vez mais a trabalhadores contratados, cujas funções e remunerações são igualmente variáveis. Pouco mais de metade dos professores universitários é itinerante.
As empresas já não reduzem os salários das pessoas que nelas trabalham. Pelo contrário, competem furiosamente para atrair e conservar os colaboradores altamente rendíveis, recompensando-os com elevados salários, prémios, opções de compra de acções, bónus de fim de ano, inscrições em spas e cabinas de sauna nas instalações da empresa ao mesmo tempo que reduzem os salários e as regalias dos trabalhadores de rotina. Os professores de Finanças ganham mais do que os professores de Inglês na mesma faculdade.
Os trabalhadores apelam ao que valem no mercado. A procura de inovadores de talento excede a oferta. Ao mesmo tempo, o trabalho produtivo de rotina pode ser executado com menores custos por máquinas digitais ou por trabalhadores de todo o mundo. É certo que alguns trabalhadores de rotina podem aprender o que é necessário para serem visionários ou psicólogos, mas as crescentes diferenças salariais permitem concluir que aqueles que o fazem, não chegam para satisfazer a procura nem para exceder a oferta das substituições.
A realidade pura e dura da desigualdade crescente: devido ao controlo dos altos e baixos do ciclo económico, todo o leque de salários e regalias se alargou; os trabalhadores de topo ganham hoje muito mais do que ganhavam os seus homólogos, o mesmo acontece com os trabalhadores com rendimentos mais baixos e os trabalhadores dos níveis intermédios estão mais afastados do que estavam. A empregada da lavandaria da minha rua ganhou 13 500 dólares em 1999, segundo o que ela me disse. Apesar de a economia norte-americana estar em franca expansão, o facto brutal é que a lavandaria em que ela trabalhava conseguia arranjar facilmente quem a substituísse, se ela exigisse mais um cêntimo. E a verdade é que eu não queria pagar mais do que o necessário pelo tratamento da minha roupa.
Na era do emprego, parecia adequado que os empregadores fossem os principais incentivadores do seguro de saúde e das pensões privadas e contribuíssem para a Segurança Social. Os empregadores tinham um interesse legítimo na protecção da saúde dos seus empregados e estes influenciavam a produtividade uns dos outros. Na era pós-emprego, as pessoas saltam de projecto para projecto e de posto de trabalho para posto de trabalho e assim parece razoável que os indivíduos assumam uma maior responsabilidade pelos seus próprios cuidados de saúde e pelo que poupam para a reforma. O seguro social está a desaparecer e também a relação entre vizinhos. Há muita gente que mal conhece os vizinhos.
Na velha economia industrial, os lucros provinham de economias de escala. Actualmente, os lucros provêm da rapidez com que se inova, atrai e conserva os clientes. Os vencedores são grupos pequenos e muito flexíveis que têm grandes ideias e marcas fiáveis que comercializam com eficiência.
Quase todos nós passamos o dia a trabalhar para ganhar a vida. Também existimos em redes de relações pessoais que incluem famílias, amigos e comunidades. Com a mudança para uma economia mais dinâmica e inovadora, mudou também o modo como o trabalho está organizado e é recompensado e estas mudanças estão a alterar a nossa vida pessoal. As pessoas com ambição e talento têm grandes oportunidades. Podem fazer muito mais dinheiro em relação ao salário médio do que as pessoas com ambição e talento da era industrial. Contudo, as disparidades de rendimentos e de riqueza aumentaram consideravelmente. Nunca os Estados Unidos sofreram ou toleraram este nível de desigualdade.
Dados do Bureau of Labor Statistics revelam que a proporção dos profissionais liberais e gestores que trabalham mais de cinquenta horas semanais subiu mais de um terço desde 1985.1 Trabalham mais arduamente do que a maioria das pessoas com outras profissões. Cerca de 40% dos licenciados e 20% das licenciadas trabalham mais de cinquenta horas por semana – o quádruplo da percentagem de pessoas com o nono ano de escolaridade.
A competição está a aumentar em todos os pontos ao longo da cadeia da oferta o que significa que todas as pessoas que se encontram nesses pontos são obrigadas a trabalhar mais para manter os seus clientes. Todos os nós do sistema, todas as empresas, todos os grupos estão sujeitos a uma forte pressão para manter os seus clientes, oferecendo melhores condições do que os seus rivais para conseguirem mais um contrato. Uma empresa que se candidate a um projecto, promete fazer alguma coisa que exigirá dela um maior esforço se quiser ganhar o contrato. A sua reputação depende de cumprir o que prometeu e a única maneira de conservar os seus clientes é manter-se à frente dos seus rivais, continuando a aumentar as suas capacidades. Tem de inventar permanentemente novas formas de fazer melhor, mais depressa e mais barato.
O que significa isto para as pessoas que estão envolvidas no projecto? Têm de trabalhar mais. Já lhes foi difícil cumprir os prazos do projecto anterior; o novo projecto é um repto ainda maior. Elas têm de descobrir maneiras de reduzir os custos e de aperfeiçoar ainda mais o desempenho, o que já era duro. Isto exige mais horas de improviso, de experimentação, de esforço até ao limite. Serões e madrugadas e, à medida que se aproxima a data da entrega, dias mais longos. Quando elas conseguirem um momento livre para a família ou para os amigos, talvez continuem a pensar no projecto. Talvez sonhem com ele.
O problema é que muitas vezes só há uma alternativa: perder ou ganhar. A economia emergente não oferece muitas gradações intermédias. Os trabalhadores assalariados e à hora continuam a existir, evidentemente, mas cada vez a sua remuneração depende mais do empenho e da eficiência com que trabalham. Para os profissionais liberais, gestores, visionários e psicólogos de toda a espécie, ser cada vez mais rápido é hoje uma necessidade. Os mercados e as tecnologias mudam hoje tão depressa que temos de estar totalmente envolvidos para mantermos o ritmo.
A nova economia obriga as pessoas a trabalharem mais também devido às disparidades de rendimento e de riqueza que aumentaram nas últimas décadas. As ambições de carreira das mulheres aumentaram em série. Em 1968, cerca de 40% das mulheres que ingressavam na universidade, afirmavam que queriam ser professoras. Seis anos depois, quando outras profissões mais bem pagas começaram a abrir as portas às mulheres, só 10% das que entravam na universidade é que queriam ensinar e esta percentagem não se alterou até agora. Regista-se o mesmo padrão nos pais solteiros. Aqueles cuja educação oficial não foi além do ensino secundário, trabalham 16% mais do que trabalhavam há trinta anos; quanto aos licenciados trabalham 20% mais.2 À medida que a escala de rendimentos aumenta, as pessoas que se encontram nos níveis superiores conseguem ganhar muito mais do que nunca. Assim, se optarem por trabalhar menos, essa opção implica um maior sacrifício financeiro.
Há cerca de um ano, um dos meus filhos participava numa grande maratona. Eu estava decidido a não faltar. Afinal, deixara o meu trabalho no governo em Washington para passar mais tempo com os meus filhos. Foi então que recebi um telefonema de alguém a perguntar se eu poderia colaborar num projecto noutra cidade. O momento não podia ser pior. O projecto começava na mesma manhã da corrida e não podia esperar. Se eu não comparecesse logo no início, poderia ficar de fora. A quantia que me ofereciam era generosa. As propostas deste género são raras. Até ao telefonema eu estava ansioso pelo começo da corrida; depois, fiquei num dilema. Não era possível ir à corrida e colaborar no projecto. Acabei por recusar o projecto e ir assistir à corrida; estou satisfeito e não tenho remorsos. Nesse sábado, pensei várias vezes no que me custava ir assistir à corrida do meu filho. Antes da proposta, o custo era zero; agora parecia uma quantia considerável.
Desde a década de 60 que todos os anos se pede a um grupo de recém-licenciados escolhidos aleatoriamente que seleccione os seus objectivos pessoais mais importantes entre várias alternativas, nomeadamente «ter uma boa situação financeira» e «criar uma filosofia de vida que tenha sentido». Em 1968, só 41% dos elementos da lista consideravam que era importante «ter uma boa situação financeira». Com o tempo, esse objectivo tornou-se mais importante. Em 1998, 74% dos recém-licenciados atribuíam-lhe uma grande importância. Por outro lado, «criar uma filosofia de vida que tenha sentido» deslocou-se em sentido oposto. Em 1968, 75% escolheram este objectivo que, no entanto, continuou a descer sistematicamente e, em 1998, foi escolhido por menos de 41% dos inquiridos.3
Outros estudos revelam números-recorde de estudantes que se ofereceram para prestar trabalho voluntário nas suas comunidades. O que mudou foram as suas apostas económicas no futuro. A escala de rendimentos é hoje muito mais alta e cada degrau mais acima está associado a ganhos muito maiores do que anteriormente. Quando os recém-licenciados pensavam nas suas prioridades, há trinta anos, os 10% de trabalhadores do sexo masculino mais bem pagos ganhavam apenas 70% mais do que os que se situavam no meio da escala salarial. Actualmente, um recém-licenciado que olhasse para o futuro constataria que os homens incluídos nos 10% mais bem pagos, ganham mais do dobro do que os que figuram nos patamares intermédios. A distância entre o 1% dos mais bem pagos e os patamares intermédios aumentou cinco vezes.❐ (continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
1Phillip L. Jones, Jennifer M. Gardner e Randy Ilg, «Trends in Hours of Work since the Mid 1970s», Monthly Labor Review, vol. 56, nº4 (1998), p.442.
2Families and the Labor Market, 1969-1999: Analyzing the «Time Crunch», Relatório do Council of Economic Advisers do presidente dos EUA, Washington D. C., Maio de 1999.
3Linda J. Sax et al., The American Freshman: National Year Trends, 1966-1995 e The American Freshman: National Norms para cada ano subsequente (Los Angeles, Cooperative Institutional Research Program Survey of American Freshmen, Higher Education Research Institute, University of California at Los Angeles.)
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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From Chiado Editora site:
“Dear International Colleagues, Welcome to our Foreign Rights page. Feel free to browse our online catalogues by categories of your interest. You can access additional information for each of our publications by clicking on its title.If you are interested in considering any of our books for translation, please do not hesitate to send us any translation query to the e-mail: foreignrights.chiado@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . We look forward to working with you.Kind regards,
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.150-191) Em meados do século XX, cerca de metade das famílias norte-americanas pertencia à classe média (que recebiam entre 4000 e 7500 dólares de 1953). A maioria destas famílias da classe média era encabeçada não por licenciados ou executivos, mas por operários fabris especializados ou semi-especializados, empregados administrativos, vendedores e trabalhadores grossistas e do comércio a retalho que geriam os fluxos do produto através das grandes pirâmides da produção em larga escala. A maioria tinha regalias concedidas pela empresa no domínio da saúde e das pensões de reforma.
Ser bem-sucedido era ser respeitado na comunidade, ganhar a vida decentemente e subir na empresa, possuir uma casa nos arredores, ter uma família estável e ser estimado e admirado por muitos. Estas aspirações não eram irrealistas para uma grande e cada vez maior percentagem de norte-americanos.
Na viragem do século XXI, menos de um em cada dez trabalhadores do sector privado pertence a um sindicato; o «homem da organização» de colarinho branco é uma espécie em vias de extinção. As opções cada vez mais amplas e as mudanças cada vez mais fáceis dos compradores impedem na prática que qualquer organização garanta um fluxo consistente de rendimento a alguém que trabalhe no seu seio. Para se manterem competitivas neste ambiente volátil, as organizações são obrigadas a transformar todos os custos fixos em custos variáveis que subam e desçam de acordo com as opções que os compradores fazem.
Hoje em dia, quase toda a gente vive daquilo que ganha que varia com os contratos, os bónus, a participação nos lucros, as horas facturáveis, as opções de compra de acções e outros indicadores de desempenho ou as vendas de um determinado período em relação ao seguinte. A quantidade de empregados que não sabem ao certo quanto irão ganhar de ano para ano é muito superior à estimativa mais generosa. Além disso, nas empresas, é cada vez maior o número de trabalhadores que passam de um projecto para outro ou que contactam com outros clientes. Se não existir projecto para eles trabalharem ou se nenhum dos projectos precisar dos seus serviços, continuando a fazer parte dos empregados a tempo inteiro, na prática, eles quase nem constam na folha de salários.
As instituições de beneficência e fundações que no passado renovavam sistematicamente as suas contribuições, actualmente são quase tão volúveis como os consumidores e os investidores. As universidades dependem de donativos e de investigação subsidiada pelo exterior e como cada vez mais estes são menos previsíveis elas recorrem cada vez mais a trabalhadores contratados, cujas funções e remunerações são igualmente variáveis. Pouco mais de metade dos professores universitários é itinerante.
As empresas já não reduzem os salários das pessoas que nelas trabalham. Pelo contrário, competem furiosamente para atrair e conservar os colaboradores altamente rendíveis, recompensando-os com elevados salários, prémios, opções de compra de acções, bónus de fim de ano, inscrições em spas e cabinas de sauna nas instalações da empresa ao mesmo tempo que reduzem os salários e as regalias dos trabalhadores de rotina. Os professores de Finanças ganham mais do que os professores de Inglês na mesma faculdade.
Os trabalhadores apelam ao que valem no mercado. A procura de inovadores de talento excede a oferta. Ao mesmo tempo, o trabalho produtivo de rotina pode ser executado com menores custos por máquinas digitais ou por trabalhadores de todo o mundo. É certo que alguns trabalhadores de rotina podem aprender o que é necessário para serem visionários ou psicólogos, mas as crescentes diferenças salariais permitem concluir que aqueles que o fazem, não chegam para satisfazer a procura nem para exceder a oferta das substituições.
A realidade pura e dura da desigualdade crescente: devido ao controlo dos altos e baixos do ciclo económico, todo o leque de salários e regalias se alargou; os trabalhadores de topo ganham hoje muito mais do que ganhavam os seus homólogos, o mesmo acontece com os trabalhadores com rendimentos mais baixos e os trabalhadores dos níveis intermédios estão mais afastados do que estavam. A empregada da lavandaria da minha rua ganhou 13 500 dólares em 1999, segundo o que ela me disse. Apesar de a economia norte-americana estar em franca expansão, o facto brutal é que a lavandaria em que ela trabalhava conseguia arranjar facilmente quem a substituísse, se ela exigisse mais um cêntimo. E a verdade é que eu não queria pagar mais do que o necessário pelo tratamento da minha roupa.
Na era do emprego, parecia adequado que os empregadores fossem os principais incentivadores do seguro de saúde e das pensões privadas e contribuíssem para a Segurança Social. Os empregadores tinham um interesse legítimo na protecção da saúde dos seus empregados e estes influenciavam a produtividade uns dos outros. Na era pós-emprego, as pessoas saltam de projecto para projecto e de posto de trabalho para posto de trabalho e assim parece razoável que os indivíduos assumam uma maior responsabilidade pelos seus próprios cuidados de saúde e pelo que poupam para a reforma. O seguro social está a desaparecer e também a relação entre vizinhos. Há muita gente que mal conhece os vizinhos.
Na velha economia industrial, os lucros provinham de economias de escala. Actualmente, os lucros provêm da rapidez com que se inova, atrai e conserva os clientes. Os vencedores são grupos pequenos e muito flexíveis que têm grandes ideias e marcas fiáveis que comercializam com eficiência.
Quase todos nós passamos o dia a trabalhar para ganhar a vida. Também existimos em redes de relações pessoais que incluem famílias, amigos e comunidades. Com a mudança para uma economia mais dinâmica e inovadora, mudou também o modo como o trabalho está organizado e é recompensado e estas mudanças estão a alterar a nossa vida pessoal. As pessoas com ambição e talento têm grandes oportunidades. Podem fazer muito mais dinheiro em relação ao salário médio do que as pessoas com ambição e talento da era industrial. Contudo, as disparidades de rendimentos e de riqueza aumentaram consideravelmente. Nunca os Estados Unidos sofreram ou toleraram este nível de desigualdade.
Dados do Bureau of Labor Statistics revelam que a proporção dos profissionais liberais e gestores que trabalham mais de cinquenta horas semanais subiu mais de um terço desde 1985.1 Trabalham mais arduamente do que a maioria das pessoas com outras profissões. Cerca de 40% dos licenciados e 20% das licenciadas trabalham mais de cinquenta horas por semana – o quádruplo da percentagem de pessoas com o nono ano de escolaridade.
A competição está a aumentar em todos os pontos ao longo da cadeia da oferta o que significa que todas as pessoas que se encontram nesses pontos são obrigadas a trabalhar mais para manter os seus clientes. Todos os nós do sistema, todas as empresas, todos os grupos estão sujeitos a uma forte pressão para manter os seus clientes, oferecendo melhores condições do que os seus rivais para conseguirem mais um contrato. Uma empresa que se candidate a um projecto, promete fazer alguma coisa que exigirá dela um maior esforço se quiser ganhar o contrato. A sua reputação depende de cumprir o que prometeu e a única maneira de conservar os seus clientes é manter-se à frente dos seus rivais, continuando a aumentar as suas capacidades. Tem de inventar permanentemente novas formas de fazer melhor, mais depressa e mais barato.
O que significa isto para as pessoas que estão envolvidas no projecto? Têm de trabalhar mais. Já lhes foi difícil cumprir os prazos do projecto anterior; o novo projecto é um repto ainda maior. Elas têm de descobrir maneiras de reduzir os custos e de aperfeiçoar ainda mais o desempenho, o que já era duro. Isto exige mais horas de improviso, de experimentação, de esforço até ao limite. Serões e madrugadas e, à medida que se aproxima a data da entrega, dias mais longos. Quando elas conseguirem um momento livre para a família ou para os amigos, talvez continuem a pensar no projecto. Talvez sonhem com ele.
O problema é que muitas vezes só há uma alternativa: perder ou ganhar. A economia emergente não oferece muitas gradações intermédias. Os trabalhadores assalariados e à hora continuam a existir, evidentemente, mas cada vez a sua remuneração depende mais do empenho e da eficiência com que trabalham. Para os profissionais liberais, gestores, visionários e psicólogos de toda a espécie, ser cada vez mais rápido é hoje uma necessidade. Os mercados e as tecnologias mudam hoje tão depressa que temos de estar totalmente envolvidos para mantermos o ritmo.
A nova economia obriga as pessoas a trabalharem mais também devido às disparidades de rendimento e de riqueza que aumentaram nas últimas décadas. As ambições de carreira das mulheres aumentaram em série. Em 1968, cerca de 40% das mulheres que ingressavam na universidade, afirmavam que queriam ser professoras. Seis anos depois, quando outras profissões mais bem pagas começaram a abrir as portas às mulheres, só 10% das que entravam na universidade é que queriam ensinar e esta percentagem não se alterou até agora. Regista-se o mesmo padrão nos pais solteiros. Aqueles cuja educação oficial não foi além do ensino secundário, trabalham 16% mais do que trabalhavam há trinta anos; quanto aos licenciados trabalham 20% mais.2 À medida que a escala de rendimentos aumenta, as pessoas que se encontram nos níveis superiores conseguem ganhar muito mais do que nunca. Assim, se optarem por trabalhar menos, essa opção implica um maior sacrifício financeiro.
Há cerca de um ano, um dos meus filhos participava numa grande maratona. Eu estava decidido a não faltar. Afinal, deixara o meu trabalho no governo em Washington para passar mais tempo com os meus filhos. Foi então que recebi um telefonema de alguém a perguntar se eu poderia colaborar num projecto noutra cidade. O momento não podia ser pior. O projecto começava na mesma manhã da corrida e não podia esperar. Se eu não comparecesse logo no início, poderia ficar de fora. A quantia que me ofereciam era generosa. As propostas deste género são raras. Até ao telefonema eu estava ansioso pelo começo da corrida; depois, fiquei num dilema. Não era possível ir à corrida e colaborar no projecto. Acabei por recusar o projecto e ir assistir à corrida; estou satisfeito e não tenho remorsos. Nesse sábado, pensei várias vezes no que me custava ir assistir à corrida do meu filho. Antes da proposta, o custo era zero; agora parecia uma quantia considerável.
Desde a década de 60 que todos os anos se pede a um grupo de recém-licenciados escolhidos aleatoriamente que seleccione os seus objectivos pessoais mais importantes entre várias alternativas, nomeadamente «ter uma boa situação financeira» e «criar uma filosofia de vida que tenha sentido». Em 1968, só 41% dos elementos da lista consideravam que era importante «ter uma boa situação financeira». Com o tempo, esse objectivo tornou-se mais importante. Em 1998, 74% dos recém-licenciados atribuíam-lhe uma grande importância. Por outro lado, «criar uma filosofia de vida que tenha sentido» deslocou-se em sentido oposto. Em 1968, 75% escolheram este objectivo que, no entanto, continuou a descer sistematicamente e, em 1998, foi escolhido por menos de 41% dos inquiridos.3
Outros estudos revelam números-recorde de estudantes que se ofereceram para prestar trabalho voluntário nas suas comunidades. O que mudou foram as suas apostas económicas no futuro. A escala de rendimentos é hoje muito mais alta e cada degrau mais acima está associado a ganhos muito maiores do que anteriormente. Quando os recém-licenciados pensavam nas suas prioridades, há trinta anos, os 10% de trabalhadores do sexo masculino mais bem pagos ganhavam apenas 70% mais do que os que se situavam no meio da escala salarial. Actualmente, um recém-licenciado que olhasse para o futuro constataria que os homens incluídos nos 10% mais bem pagos, ganham mais do dobro do que os que figuram nos patamares intermédios. A distância entre o 1% dos mais bem pagos e os patamares intermédios aumentou cinco vezes.❐ (continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
1Phillip L. Jones, Jennifer M. Gardner e Randy Ilg, «Trends in Hours of Work since the Mid 1970s», Monthly Labor Review, vol. 56, nº4 (1998), p.442.
2Families and the Labor Market, 1969-1999: Analyzing the «Time Crunch», Relatório do Council of Economic Advisers do presidente dos EUA, Washington D. C., Maio de 1999.
3Linda J. Sax et al., The American Freshman: National Year Trends, 1966-1995 e The American Freshman: National Norms para cada ano subsequente (Los Angeles, Cooperative Institutional Research Program Survey of American Freshmen, Higher Education Research Institute, University of California at Los Angeles.)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
O Futuro do Sucesso (III)
2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.108-128) ”Quanto mais forem os visionários e os psicólogos que aprenderem uns com os outros, maior será a inovação. A burocracia característica das grandes indústrias isolou os visionários em silos de investigação e desenvolvimento e os psicólogos em departamentos de vendas e de marketing. Daqui resultaram alguns conhecimentos tecnológicos ocasionais e um conjunto de dados sobre as necessidades dos consumidores, mas pouca ou nenhuma conexão entre os dois e muito pouca inovação.
A aprendizagem mútua que conduz à inovação permanente tende a ser informal, isenta de planeamento e acidental. É por isso que a nova economia está a compensar mais os pequenos grupos empresariais constituídos por visionários e psicólogos do que as grandes burocracias hierarquizadas e é por isso que os melhores desses grupos se organizam livremente, muitas vezes em escritórios em open space onde se podem ver e encontrar uns aos outros em poucos segundos. O vestuário informal que se vê nessas novas empresas dinâmicas – colarinhos abertos, blue jeans e ténis – não é só fachada. As pessoas tendem a ser mais espontâneas e criativas e mostram-se muito mais dispostas a partilhar pensamentos e ideias ocasionais se se sentem tão confortáveis como quando se encontram na companhia de bons amigos.
As regiões dinâmicas do país, os locais que geram um número desproporcionadamente grande de empresas inovadoras, dispõem, em geral, de núcleos de visionários e psicólogos de talento que se misturam permanentemente.
Há dois critérios distintos segundo os quais uma obra pode ser avaliada:
segundo a estética do seu meio;
segundo a popularidade no mercado.
À medida que a economia se torna cada vez mais ferozmente competitiva, maior é a possibilidade de a avaliação comercial silenciar a crítica estética. Os consumidores são confrontados com tantas opções que valorizam cada vez mais os conselhos acerca daquilo de que irão gostar ou considerar satisfatório. Consequentemente, é menor o interesse na avaliação estética, isto é, naquilo de que os consumidores gostariam ou deveriam gostar, se os seus gostos fossem mais apurados.
No entanto, a sociedade necessita de ambos. É certo que os consumidores contam com o apoio de revistas especializadas que os alertam para o software, os filmes e outros inventos susceptíveis de lhes agradar e é perfeitamente razoável que os visionários e outros criadores saibam como hão-de fazer as delícias do público; mas também importa instruir o público quanto aos padrões estéticos inerentes a um determinado meio, independentemente do seu provável agrado. Numa cultura obcecada pelo que vende, os inventores e os artistas podem beneficiar com a crítica estética. Caso contrário, a sociedade arrisca-se a perder aquilo que provoca, enfurece, enobrece, desafia ou obriga as pessoas a encarar realidades que elas prefeririam ignorar.
A competição cada vez mais forte, fomentada pelo novo poder dos compradores, está a obrigar todas as editoras a se preocuparem mais com os custos.
O perigo é grande para os profissionais que antes estavam ao abrigo das exigências do mercado e que têm uma responsabilidade especial ao revelarem realidades que podem ser impopulares ou toscas. O seu sustento depende cada vez mais da sua popularidade. Os jornalistas são cada vez mais pressionados a escrever ou a transmitir aquilo que vende por muito inexacto que seja. As novas tecnologias permitem um feedback quase imediato.
A procura de trabalhadores criativos, de visionários e psicólogos continuará a aumentar porque eles são os mestres da inovação e a inovação está no cerne da nova economia. Estes trabalhadores podem criar rapidamente produtos que sejam melhores ou mais baratos do que os outros. Ao intensificar-se, esta competição estará a alimentar uma procura ainda maior dos serviços desses trabalhadores criativos. Por isso, é provável que estes postos de trabalho sejam cada vez mais bem pagos. Também é provável que eles sejam intelectual ou artisticamente aliciantes, emocionalmente absorventes, pessoalmente gratificantes e por vezes incomensuravelmente frustrantes. É quase certo que eles exigem muito tempo, o qual pode exceder as horas normais de expediente.
Os visionários e os psicólogos imaginativos são cada vez mais procurados, enquanto que, quem é pago para executar tarefas repetitivas ou rotineiras tende a perder terreno económico. Todas as empresas sentem uma pressão crescente para reduzir custos e elas possuem uma capacidade cada vez maior de o fazer através de tecnologias de alcance global.
Até as empresas norte-americanas lucrativas estão a reestruturar-se, a redimensionar-se, a sofrer operações de reengenharia para diminuir os seus postos de trabalho ao mesmo tempo que procuram mais visionários e psicólogos de talento e subcontratam a outras empresas trabalhadores com salários mais baixos e menos regalias. Todas as empresas estão a emagrecer, a subcontratar e a dispersar. As sedes das grandes empresas mundiais estão hoje instaladas em pólos de escritórios bem apresentados e convenientemente situados nos arredores dos aeroportos internacionais; as fábricas e os laboratórios estão espalhados pelo mundo; os fornecedores e os parceiros estão onde calha e mudam constantemente.
(pp.137 - 142) Os consumidores e os investigadores como o leitor e eu tiram proveito das tecnologias – internet, comércio electrónico e do software imaginativo – que permitem uma maior flexibilidade em todos os momentos críticos. Sujeitas a esta pressão combinada, as empresas estão a transformar-se em grupos de pessoas que se unem umas às outras por pouco mais do que uma conveniência temporária.
O resultado é a inovação sem limites e o dinamismo sem precedentes. Mas é também um conjunto de relações económicas tão transitórias que geram ambiguidade quando está em causa o apuramento de responsabilidades tanto no presente como no futuro. Os meus alunos vêem o mundo em que estão a entrar em termos muito mais temporários do que a minha geração via: não tencionam passar mais do que alguns anos no mesmo posto de trabalho; não contam com a lealdade de nenhuma organização ou instituição e quase nunca de outra pessoa … Também não esperam vir a ser leais. Para eles, uma relação comercial é efémera. Eles partem do princípio que terão de assumir a responsabilidade total pela gestão das suas carreiras; não podem confiar essa responsabilidade a mais ninguém.
A tecnologia está a acelerar e a aumentar o acesso a negócios fabulosos. Para sobreviver nesta nova era de competição mais feroz. A melhor maneira de o fazer é através de pequenos grupos dinâmicos associados a marcas fiáveis. No seu cerne estão visionários e psicólogos de talento, cada vez mais procurados. A empresa também é obrigada a reduzir constantemente os custos, alugando quase tudo aquilo de que necessita, descobrindo os fornecedores mais baratos, reduzindo os salários dos trabalhadores de rotina e nivelando todas as hierarquias e reduzindo-as a redes contratuais sempre em mutação. A lógica da nova economia está a alterar as relações laborais.
O que nos reserva o futuro, a nós e aos nossos filhos?
É provável que venhamos a ser membros de um grupo empresarial cujos proveitos variam de ano para ano ou até de mês para mês e o nosso quinhão dependerá do nosso contributo. Ou integraremos uma empresa de serviços especializados para cujos clientes faremos projectos e pelos quais receberemos uma parte dos proveitos totais. Ou trabalharemos para uma agência de talentos ou para uma empresa temporária que nos permitirá trabalhar em projectos específicos durante um período limitado e que em troca, cobrará uma percentagem sobre o que ganharmos. Cada vez somos menos empregados de uma organização e mais vendedores dos nossos serviços a determinados clientes com a marca da organização. Assim o nosso rendimento dependerá do que esses compradores estiverem dispostos a pagar pelos nossos serviços e do prestígio da marca que os atrai para nós. A ideia de emprego estável é bastante recente em termos históricos, durante a era industrial da produção em larga escala. Agora está a chegar ao fim. «O homem que trabalhou para outro no ano passado, trabalha para si este ano e no próximo, contratará outros para trabalharem para ele.» (Abraham Lincoln, Speech at Kalamazoo – Michigan, 27 de Agosto de 1856 in Roy P. Basler, ed., The Collected Works of Abraham Lincoln, vol II, New Brunswick – N. J., Rutgers University Press, 1953, p.364.)❐ (continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.108-128) ”Quanto mais forem os visionários e os psicólogos que aprenderem uns com os outros, maior será a inovação. A burocracia característica das grandes indústrias isolou os visionários em silos de investigação e desenvolvimento e os psicólogos em departamentos de vendas e de marketing. Daqui resultaram alguns conhecimentos tecnológicos ocasionais e um conjunto de dados sobre as necessidades dos consumidores, mas pouca ou nenhuma conexão entre os dois e muito pouca inovação.
A aprendizagem mútua que conduz à inovação permanente tende a ser informal, isenta de planeamento e acidental. É por isso que a nova economia está a compensar mais os pequenos grupos empresariais constituídos por visionários e psicólogos do que as grandes burocracias hierarquizadas e é por isso que os melhores desses grupos se organizam livremente, muitas vezes em escritórios em open space onde se podem ver e encontrar uns aos outros em poucos segundos. O vestuário informal que se vê nessas novas empresas dinâmicas – colarinhos abertos, blue jeans e ténis – não é só fachada. As pessoas tendem a ser mais espontâneas e criativas e mostram-se muito mais dispostas a partilhar pensamentos e ideias ocasionais se se sentem tão confortáveis como quando se encontram na companhia de bons amigos.
As regiões dinâmicas do país, os locais que geram um número desproporcionadamente grande de empresas inovadoras, dispõem, em geral, de núcleos de visionários e psicólogos de talento que se misturam permanentemente.
Há dois critérios distintos segundo os quais uma obra pode ser avaliada:
segundo a estética do seu meio;
segundo a popularidade no mercado.
À medida que a economia se torna cada vez mais ferozmente competitiva, maior é a possibilidade de a avaliação comercial silenciar a crítica estética. Os consumidores são confrontados com tantas opções que valorizam cada vez mais os conselhos acerca daquilo de que irão gostar ou considerar satisfatório. Consequentemente, é menor o interesse na avaliação estética, isto é, naquilo de que os consumidores gostariam ou deveriam gostar, se os seus gostos fossem mais apurados.
No entanto, a sociedade necessita de ambos. É certo que os consumidores contam com o apoio de revistas especializadas que os alertam para o software, os filmes e outros inventos susceptíveis de lhes agradar e é perfeitamente razoável que os visionários e outros criadores saibam como hão-de fazer as delícias do público; mas também importa instruir o público quanto aos padrões estéticos inerentes a um determinado meio, independentemente do seu provável agrado. Numa cultura obcecada pelo que vende, os inventores e os artistas podem beneficiar com a crítica estética. Caso contrário, a sociedade arrisca-se a perder aquilo que provoca, enfurece, enobrece, desafia ou obriga as pessoas a encarar realidades que elas prefeririam ignorar.
A competição cada vez mais forte, fomentada pelo novo poder dos compradores, está a obrigar todas as editoras a se preocuparem mais com os custos.
O perigo é grande para os profissionais que antes estavam ao abrigo das exigências do mercado e que têm uma responsabilidade especial ao revelarem realidades que podem ser impopulares ou toscas. O seu sustento depende cada vez mais da sua popularidade. Os jornalistas são cada vez mais pressionados a escrever ou a transmitir aquilo que vende por muito inexacto que seja. As novas tecnologias permitem um feedback quase imediato.
A procura de trabalhadores criativos, de visionários e psicólogos continuará a aumentar porque eles são os mestres da inovação e a inovação está no cerne da nova economia. Estes trabalhadores podem criar rapidamente produtos que sejam melhores ou mais baratos do que os outros. Ao intensificar-se, esta competição estará a alimentar uma procura ainda maior dos serviços desses trabalhadores criativos. Por isso, é provável que estes postos de trabalho sejam cada vez mais bem pagos. Também é provável que eles sejam intelectual ou artisticamente aliciantes, emocionalmente absorventes, pessoalmente gratificantes e por vezes incomensuravelmente frustrantes. É quase certo que eles exigem muito tempo, o qual pode exceder as horas normais de expediente.
Os visionários e os psicólogos imaginativos são cada vez mais procurados, enquanto que, quem é pago para executar tarefas repetitivas ou rotineiras tende a perder terreno económico. Todas as empresas sentem uma pressão crescente para reduzir custos e elas possuem uma capacidade cada vez maior de o fazer através de tecnologias de alcance global.
Até as empresas norte-americanas lucrativas estão a reestruturar-se, a redimensionar-se, a sofrer operações de reengenharia para diminuir os seus postos de trabalho ao mesmo tempo que procuram mais visionários e psicólogos de talento e subcontratam a outras empresas trabalhadores com salários mais baixos e menos regalias. Todas as empresas estão a emagrecer, a subcontratar e a dispersar. As sedes das grandes empresas mundiais estão hoje instaladas em pólos de escritórios bem apresentados e convenientemente situados nos arredores dos aeroportos internacionais; as fábricas e os laboratórios estão espalhados pelo mundo; os fornecedores e os parceiros estão onde calha e mudam constantemente.
(pp.137 - 142) Os consumidores e os investigadores como o leitor e eu tiram proveito das tecnologias – internet, comércio electrónico e do software imaginativo – que permitem uma maior flexibilidade em todos os momentos críticos. Sujeitas a esta pressão combinada, as empresas estão a transformar-se em grupos de pessoas que se unem umas às outras por pouco mais do que uma conveniência temporária.
O resultado é a inovação sem limites e o dinamismo sem precedentes. Mas é também um conjunto de relações económicas tão transitórias que geram ambiguidade quando está em causa o apuramento de responsabilidades tanto no presente como no futuro. Os meus alunos vêem o mundo em que estão a entrar em termos muito mais temporários do que a minha geração via: não tencionam passar mais do que alguns anos no mesmo posto de trabalho; não contam com a lealdade de nenhuma organização ou instituição e quase nunca de outra pessoa … Também não esperam vir a ser leais. Para eles, uma relação comercial é efémera. Eles partem do princípio que terão de assumir a responsabilidade total pela gestão das suas carreiras; não podem confiar essa responsabilidade a mais ninguém.
A tecnologia está a acelerar e a aumentar o acesso a negócios fabulosos. Para sobreviver nesta nova era de competição mais feroz. A melhor maneira de o fazer é através de pequenos grupos dinâmicos associados a marcas fiáveis. No seu cerne estão visionários e psicólogos de talento, cada vez mais procurados. A empresa também é obrigada a reduzir constantemente os custos, alugando quase tudo aquilo de que necessita, descobrindo os fornecedores mais baratos, reduzindo os salários dos trabalhadores de rotina e nivelando todas as hierarquias e reduzindo-as a redes contratuais sempre em mutação. A lógica da nova economia está a alterar as relações laborais.
O que nos reserva o futuro, a nós e aos nossos filhos?
É provável que venhamos a ser membros de um grupo empresarial cujos proveitos variam de ano para ano ou até de mês para mês e o nosso quinhão dependerá do nosso contributo. Ou integraremos uma empresa de serviços especializados para cujos clientes faremos projectos e pelos quais receberemos uma parte dos proveitos totais. Ou trabalharemos para uma agência de talentos ou para uma empresa temporária que nos permitirá trabalhar em projectos específicos durante um período limitado e que em troca, cobrará uma percentagem sobre o que ganharmos. Cada vez somos menos empregados de uma organização e mais vendedores dos nossos serviços a determinados clientes com a marca da organização. Assim o nosso rendimento dependerá do que esses compradores estiverem dispostos a pagar pelos nossos serviços e do prestígio da marca que os atrai para nós. A ideia de emprego estável é bastante recente em termos históricos, durante a era industrial da produção em larga escala. Agora está a chegar ao fim. «O homem que trabalhou para outro no ano passado, trabalha para si este ano e no próximo, contratará outros para trabalharem para ele.» (Abraham Lincoln, Speech at Kalamazoo – Michigan, 27 de Agosto de 1856 in Roy P. Basler, ed., The Collected Works of Abraham Lincoln, vol II, New Brunswick – N. J., Rutgers University Press, 1953, p.364.)❐ (continua)
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Feliz Natal e ótima passagem de ano com muita saúde, alegria, amizade e solidariedade; que o novo ano vos traga a realização dos vossos desejos.

= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.81-91) Mesmo depois de atrair um cliente, o desafio de um vendedor ainda não terminou. Ele tem de conservar o cliente. O vendedor depende mais do cliente do que este depende dele porque é muito mais dispendioso ganhar um novo cliente do que descobrir um novo vendedor: «Depois de o encontrar nunca mais o deixe fugir».
Há várias técnicas para aumentar a fidelidade:
continuar a reduzir o preço e a acrescentar valor àquilo que o vendedor oferece para que o cliente não tenha razões para mudar.
Acompanhe de perto o desempenho dos seus rivais. Se eles descobrirem uma nova maneira de reduzir custos, melhorar a qualidade ou inventar algo melhor, faça imediatamente o mesmo.
A criação de um sistema de interconectividade cuja utilização seja tão ampla que, na prática, todos os vendedores sejam obrigados a recorrer a ele assim como todos os compradores.
Acima de tudo, acarinhe o seu cliente. Satisfaça-o. Surpreenda-o com a sua solicitude. Ofereça-lhe vantagens especiais, se ele se lhe mantiver fiel.
Eles podem oferecer aos compradores um amplo leque de descontos se partilharem as informações com outros vendedores – companhias aéreas, empresas de aluguer de automóveis, hotéis e teatros.
Os doadores sistemáticos de Harvard são recompensados com viagens especiais, seminários e visitas;
os membros leais do Metropolitan Museum, com convites exclusivos para o pré-visionamento de exposições de impressionistas ou de antiguidades;
os hóspedes fiéis dos hotéis, com tratamento VIP à chegada em vez de ficarem na fila da recepção à espera de serem atendidos.
A British Airways oferece aos seus clientes assíduos o seu jornal e a sua bebida preferidos com base no que eles escolheram em voos anteriores.
Uma florista online possui uma lista dos aniversários e das datas festivas que os seus clientes comemoraram com flores no passado; avisa-os por correio electrónico quando esses dias se aproximam e até lhes recorda o que eles compraram da última vez, além de fazer uma nova entrega num abrir e fechar de olhos.
Uma cadeia de hotéis regista que um hóspede jogou golfe numa das suas unidades e quando este reserva um quarto noutra unidade, pergunta-lhe automaticamente se ele quer reservar uma hora para jogar.
A Amazon.com contempla os seus compradores na web com recomendações de outros livros e música de que eles possam gostar com base na análise de encomendas anteriores.
As grandes marcas estão numa posição ideal para recolher estes dados. As bases-de-dados de clientes constituem outro dos seus activos preciosos, visto que permitem associar os clientes aos vendedores cuja probabilidade de os satisfazer é maior. Quando o comprador se cansar de ser bajulado e se aperceber do valor comercial dos seus dados pessoais, pode ele próprio armazená-los em base-de-dados que o próprio constrói – eu.com – e poderá cedê-los a outro vendedor qualquer para conseguir um negócio mais vantajoso.
Mesmo que os vendedores rivais não descolem dos clientes de outros vendedores, os Governos podem fazê-lo. Assim, segundo a legislação em vigor nos Estados Unidos e na maioria dos outros países capitalistas, os proprietários de marcas registadas perdem a sua exclusividade quando a utilização se torna de tal modo ampla que estas marcas passam a fazer parte da linguagem geral, exemplo: aspirina.
A lição a tirar é mais ou menos clara. O que começa por ser um modelo conveniente pode acabar por ser um obstáculo à inovação, pois a propriedade privada continuada impediria que os rivais apresentassem produtos competitivos porque teriam de partir sempre do modelo estandardizado existente pela necessidade de compatibilidade com este.
O primeiro princípio da nova economia é que as opções estão a aumentar e os compradores têm cada vez mais facilidade em mudar e conseguir um negócio melhor. O segundo princípio é que esse leque de opções e essa facilidade de mudança estão a reduzir a segurança dos vendedores e a torná-los mais vulneráveis à concorrência, fomentando assim a inovação.
Estamos a assistir a uma explosão de inovação que conduz a melhores produtos e serviços. A produtividade está a aumentar e a inflação a atingir níveis moderados. Os compradores estão a beneficiar de custos mais baixos e de melhores valores. Este fenómeno passa-se principalmente nos sectores do entretenimento, finança, media, software e comunicações via internet. Também a indústria automóvel, a química e a metalurgia estão a passar da produção em massa para produtos mais ao gosto do cliente e a usar a web para descobrir melhores fornecedores. A tecnologia e o espírito inovador continuarão a estender-se por toda a economia mundial. Contudo, embora seja a tecnologia a ditar o ritmo, podemos controlar o nosso destino.❐
(pp. 94-103) “Parece provável que uma educação que acentue determinadas competências analíticas capazes de complementar as novas tecnologias seja a melhor preparação para o trabalho do futuro. Muitas das pessoas que mais valorizadas são na nova economia não são particularmente dotadas na utilização de computadores ou de outras tecnologias da informação. O seu valor está tangencialmente ligado aos seus conhecimentos de informática ou à sua capacidade de resolver problemas complexos. O verdadeiro valor que essas pessoas acrescentam à economia advém da sua criatividade – as suas ideias quanto ao que pode ser feito num determinado domínio (software, finança, legislação, entretenimento, música, física, …) e num determinado mercado e quanto à melhor maneira de organizar o trabalho para articular estas duas vertentes. São trabalhadores criativos.
As novas tecnologias de informação são importantes, mas os seus efeitos são indirectos: ampliam as boas ideias. A tecnologia aumenta o valor da criatividade, permitindo que ela alastre rapidamente através de uma rede organizacional e que acabe por chegar aos consumidores.
Umas pessoas podem ser mais criativas do que outras devido aos seus talentos inatos, talvez presentes nos genes que, de certo modo estão associados à criatividade. Contudo, uma grande parte da criatividade tem a ver com as famílias e com as circunstâncias em que fomos educados. O papel dos pais é importante e da escola também.
No cerne da inovação estão duas personalidades distintas que representam diferentes inclinações, talentos e maneiras de compreender o mundo. A primeira é a do artista ou inventor, do designer, do engenheiro, do génio financeiro, do visionário, do cientista, do escritor ou do músico, em suma, o indivíduo que é capaz de ver novas possibilidades num determinado ambiente e que se deleita a explorá-las e a desenvolvê-las. Esse indivíduo tem prazer em dilatar o ambiente tanto quanto é possível, em pôr à prova os seus limites, em descobrir e resolver novos problemas existentes no seu seio. O objecto criado reflecte saber e destreza da parte do visionário. O prazer de criá-lo ou possui-lo nada tem a ver com o seu valor de mercado e tem tudo a ver com a sua arte. O prazer de um visionário está associado à novidade e à descoberta, a uma atitude de “atenção”. Quem é apenas analítico e não atento, cria opções vulgares e procura optimizar os resultados. Uma pessoa atenta procura novas possibilidades; não apenas escolher as melhores opções, mas criar novas opções. O inventor não é um ser antissocial nem um misantropo, mas a empatia não é o seu forte. Agrada-lhe mais interagir com os equipamentos em que ocupa o seu tempo. O prazer de interagir com outras pessoas advém do trabalho em equipa, do entusiasmo da descoberta partilhada e das centelhas que se elevam no ar quando as mentes conspiram e colidem no mesmo ambiente. A alegria conjunta advém da colaboração que permitiu alcançar algo ainda mais belo, melhor.
A segunda personalidade é a do vendedor, do representante de talentos, do mago, daquele que identifica tendências, do produtor, do consultor, do lutador; em suma, da pessoa que consegue identificar as hipóteses existentes no mercado e que outras pessoas podem querer ter, ver ou aproveitar e que sabe como concretizá-las. Esta personalidade tem uma criatividade diferente. Não procura a novidade num ambiente específico e de se congratular com o facto de ultrapassar os seus limites. A originalidade desta segunda personalidade consiste em identificar as pretensões possíveis e os desejos latentes das pessoas, desejos esses dos quais as pessoas podem nem sequer ter consciência, desejos de produtos que ainda não existem. A sua competência concentra-se nas outras pessoas: clientes de empresas de uma determinada indústria ou de um sector da economia, um conjunto de clientes, um grupo de jovens utilizadores da internet, eleitores e imagina novas maneiras de satisfazê-las e agradar-lhes. O indivíduo não está menos concentrado no que faz do que o visionário, mas a sua tarefa consiste mais em descobrir o que querem as pessoas e não tanto naquilo que um determinado ambiente pode proporcionar. A sua arte consiste em saber como há-de convencer, como há-de jogar com as necessidades emocionais dos clientes, como há-de transformar um produto tangível em algo mais, acrescentando-lhe características intangíveis como o fulgor, a atractividade sexual, a autoestima, a estima dos outros que o cliente deseja para si próprio. A tarefa deste inovador criativo consiste em imaginar aquilo que eles poderiam querer, se ela existisse e em descobrir como tal coisa pode ser criada. Uma amiga minha que cria grandes jogos na internet, conduz grupos-alvo e entrevista centenas de pessoas de vinte e tal anos. Observa o seu comportamento, enquanto elas participam nos jogos. Agora está a trabalhar com programadores para criar maneiras de os jogadores conseguirem inventar os seus próprios jogos e atraírem outros jogadores em todo o mundo. A sua arte consiste em fazer as perguntas certas, em ouvir atentamente as respostas, em procurar traços comportamentais e, com base nisto, em imaginar aquilo que o cliente considerará mais atraente ou mais útil. Neste sentido, ela trabalha mais para o cliente do que em nome do vendedor de um determinado produto. Ela é a representante, a consultora, a conselheira e a voz do cliente.
O arquitecto Thierry Despont faz projectos de mansões para pessoas muito ricas. O seu talento reside em descobrir a personalidade dos seus clientes e em dar a forma tridimensional aos desejos únicos destes. «Para ter êxito na minha profissão é necessário compreender muito bem não só as necessidades dos clientes como também os seus sonhos e recordações. Temos de saber donde vem o cliente e o que pretende. Uma parte do ofício consiste em aprender a observar as pessoas, a ver as coisas acerca das quais elas têm ou não têm certezas; as coisas que elas não transmitem verbalmente, mas exprimem através do que as rodeia.» - afirma-nos ele. Classifica-se este tipo de pessoas “psicólogos”.
O visionário apoia-se no seu enorme fascínio por um ambiente com a sua lógica interna e as suas regras próprias. Pelo contrário, o psicólogo apoia-se no seu fascínio pelas pessoas – os seus receios e aspirações, os seus anseios e necessidades, os seus pressupostos inexplorados. O psicólogo cria empatia, o visionário analisa. O visionário compreende as hipóteses de inovar num determinado meio; o psicólogo compreende os desejos e as necessidades das pessoas.
Os visionários têm ideias brilhantes e são capazes de fazer análises excelentes, mas nem sempre são dotadas nas relações interpessoais. Os psicólogos sabem ler as deixas interpessoais mais subtis, mas nem sempre são os mais lúcidos quando se trata da substância das coisas. Os grandes gestores apercebem-se intuitivamente da diferença e colocam as pessoas de talento nos lugares em que elas acrescentam o máximo valor.
Todas as pessoas dotadas de um grande espírito empreendedor são simultaneamente visionários e psicólogos. Um indivíduo empreendedor alia as conclusões do visionário acerca do que é possível às intuições do psicólogo acerca do que é desejado. O génio empreendedor possui uma visão quase perfeita nos dois olhos. Visionário e psicólogo – artista e representante, inventor e lutador, engenheiro e comerciante, estilista de moda e negociante, realizador e produtor, fornecedor de conteúdos e de tráfego da internet, político e assessor, talento e “adequação”, … Cada uma destas duplas representa as duas metades do todo empreendedor. Elas existem em cooperação. Têm de aprender uma com a outra para que haja inovação. Sem o contributo de uma e outra, a equipa não possuirá um verdadeiro espírito empreendedor. O visionário só por si pode criar tecnologias muito fantásticas, mas elas não terão valor económico. Não podem ser informadas pelo conhecimento daquilo que as pessoas querem e deste modo arriscam-se a ser irrelevantes em termos comerciais. O psicólogo por si só pode imaginar maneiras de deliciar os clientes ou de corresponder aos seus mais profundos anseios e necessidades, mas as suas reflexões serão irrelevantes em termos psicológicos. Não seriam norteados pelo conhecimento do que era possível e, deste modo, arriscar-se-iam a ser irreflectidamente convencionais ou tremendamente irrazoáveis.
Quando as características da concorrência mudam e o objectivo deixa de ser a produção e a venda de um grande número de artigos idênticos e passa a ser a inovação rápida e a conquista de uma reputação de fiabilidade, os visionários e os psicólogos são indispensáveis. Os lucros dependem do conhecimento de um determinado ambiente (software, música, legislação, finanças, física, cinema, …) associado ao conhecimento de um determinado mercado.
O que os consumidores pagam é sobretudo o custo de investigar, criar um design, comercializar e publicitar um fluxo constante de novos artigos e este é o território dos visionários e dos psicólogos. O custo de produzir um livro corresponde a uma parcela relativamente pequena do preço que paga por ele. A maior parte do seu dinheiro vai para o editor, para o designer da capa, para o distribuidor, para os vendedores e para os publicitários. O seu autor recebe um modesto quinhão. No ciberespaço, é tudo conteúdo e tráfego, isto é, visionários e psicólogos.”❐ (continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
domingo, 12 de dezembro de 2010
O Futuro do Sucesso
= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(pp.50-53) «O sistema emergente é bastante diferente. Cada vez mais as tecnologias digitais permitem que os vendedores criem produtos à medida para satisfazer determinados compradores, mas continuem a reduzir os custos de produção.
Como é que eu consegui comprar tão barato as minhas camisas e calças feitas por medida? Foi graças a robôs programáveis, a ferramentas mecânicas controladas numericamente, a sistemas computorizados de encaminhamento e à internet. Ao contrário das velhas máquinas e linhas de montagem, estes novos sistemas fazem instantaneamente uma coisa e logo a seguir outra diferente. A minha encomenda seguiu directamente para um computador onde foi transformada em símbolos digitais e em seguida enviada para uma máquina que pegou numa peça de tecido, cortou-a de acordo com as minhas instruções e coseu tudo num abrir e fechar de olhos. Depois, o produto acabado foi-me enviado. Entretanto, foram seres humanos que programaram os robôs, criaram o software e o portal na web e o comercializaram.
Fazer por encomenda começa a ser a regra.
(p.55) O valor real da encomenda da minha camisa e das minhas calças está no sistema que a transforma em instruções digitais ao longo do caminho, que acompanha todos os passos para garantir que ela seja executada rápida e correctamente e que depois ma envia. Essencialmente eu estou a comprar produtos intangíveis.
As empresas estão a fundir-se em monstros gigantescos de telecomunicações-entretenimento-internet-finança e o leque de vendas a retalho continua a diminuir. Na maior parte dos casos, a vantagem deste tipo de concentração não reside na escala da produção, mas sim no marketing e no reconhecimento da marca.
Actualmente, a força competitiva consiste em ser melhor, mais rápido e mais barato do que os rivais. O marketing e a publicidade estão a ceder terreno a um marketing específico e dirigido a clientes únicos (homens de meia-idade e de tamanho invulgar como eu.
As empresas mais dinâmicas transferem-se para novos mercados porque não precisam de produzir em grande escala para serem bem-sucedidas.
Os músicos contactam directamente os ouvintes através da web, contornando as grandes empresas discográficas que antes eram as intermediárias.
Os vendedores de antiguidades encontram compradores através das leiloeiras electrónicas.
Os adeptos do comércio electrónico negoceiam online, vinte e quatro horas por dia, à margem do resto da humanidade.
As microempresas contratam designers para criarem portais e pagam uma avença mensal a um fornecedor de serviços da internet para os acolherem; alugam uma linha de um servidor seguro para transacções com cartões de crédito e contratam um banco para geri-las. Quando é necessário, recorrem a um reservatório global de especialistas. Encontram todos estes serviços na internet e também os seus clientes.
Os compradores estão a conseguir ter um acesso muito melhor exactamente àquilo que pretendem.
(pp.74-80) Na nova economia, as empresas dependem de economias de fiabilidade. O seu valor económico não advém dos activos que elas têm nem dos empregados que elas supervisionam, mas da confiança que conseguiram inspirar nos compradores. A única coisa que a nova grande empresa tem de controlar e aumentar permanentemente é o seu activo mais valioso: a reputação de melhor satisfazer os seus clientes.
A Disney é um guia fiável para o entretenimento familiar. O seu portal encaminha os clientes para férias em família, vídeos, livros, música, acontecimentos desportivos e actividades familiares online. As pessoas que a Disney emprega directamente e os activos que ela controla contribuem apenas em parte para estas ofertas e essa parte vai diminuir no futuro. A maioria dos produtos e serviços “Disney” serão produzidos num circuito independente. A Disney procede a uma pré-selecção para ser consistente e assim aumentar a sua reputação com o entretenimento familiar de alta qualidade e cobrará uma pequena comissão sobre a venda de cada um. Se for bem gerido, o portal da Disney continuará a desenvolver maiores economias de fiabilidade e a depender cada vez menos de economias de escala.
A Dell tornou-se um portal de marca de computadores e conseguiu aumentar facilmente o seu franchise de modo a incluir outro equipamento de escritório, equipamento de telecomunicações e tudo o resto que ajude os compradores a trabalhar com maior eficiência. A Dell não produz directamente nenhum dos seus computadores. Liga a sua cada vez maior carteira de clientes à sua crescente carteira de fornecedores através da internet. Em seguida, os seus subcontratados associam-se para fazer as suas encomendas. A Dell limita-se a atrair clientes e a controlar a qualidade. Depois recebe uma comissão por cada venda.
Actualmente a maioria dos filmes são produzidos por pequenos grupos empresariais que fazem contratos com grandes estúdios de Hollywood para comercializar e distribuir as suas obras. São grupos independentes de trabalhadores que criam também quase todos os outros produtos de entretenimento. Mais de 90% das cerca de 7000 empresas de entretenimento existentes na região de Los Angeles têm menos de dez empregados.
Empresas como a Warner Music, a EMI e a Sony têm de especializar-se em descobrir grandes artistas e em fazer o seu próprio marketing junto dos clientes, assumindo um papel de orientadores na música que os clientes apreciam.
Todas as grandes marcas estão prestes a transformar-se num portal da web que estabelece a ligação electrónica entre os compradores e os vendedores certos.
A Yahoo é uma grande porta de entrada para o conteúdo da internet.
A Charles Schwab, para os serviços financeiros.
A Amazon.com para livros e música e no futuro talvez para produtos intelectualmente estimulantes ou de entretenimento que possam ser prontamente embalados e enviados.
A IBM cada vez mais está a prestar consultoria e assistência técnica, muitas vezes através da internet.
A universidade de Harvard está a transformar-se no mais importante portal de marca na esfera do ensino. É a segunda marca mais conhecida do mundo, após a Coca-cola. Harvard confere o seu franchise de prestígio a uma vasta gama de centros de investigação, institutos, cursos de formação para executivos, camisas, chapéus, fronhas de almofadas, animais de peluche, um plano de saúde, um grupo hospitalar, revistas, jornais e uma editora. Emprega directamente apenas uma pequena parcela das pessoas que produzem estes bens e serviços; cobra comissões sobre o trabalho dos restantes.
Harvard está bem posicionada para ser harvard.com – um portal de marca de primeira linha para uma vasta gama de produtos educativos através da internet que reúna fornecedores de todo o mundo e venda a pessoas de todo o mundo que vêem na marca Harvard um guia de confiança.
Os museus sem fins lucrativos albergam estabelecimentos de venda a retalho com fins lucrativos e restaurantes; promovem lojas de prendas online onde apresentam bugigangas feitas por produtores que visam o lucro; alugam as suas salas e galerias a empresas para determinadas funções e concedem sob licença o seu nome a uma gama de produtos vendidos com fins lucrativos.
Na economia emergente, muitas vezes os compradores não sabem o que querem e usam o portal de marca como meio para o descobrir. Os grandes portais de marca representam soluções, mais do que produtos específicos.
Os portais de marca só conseguem manter a sua reputação de fiabilidade se continuarem a comportar-se como agentes dos compradores e não como vendedores. O valor de uma marca deteriora-se quando ela deixa de ser um excelente guia para aquilo que é excelente, quando os compradores, de algum modo, se sentem enganados.
Esta dinâmica – a necessidade competitiva que certos pequenos vendedores têm de associar-se a portais de marca grandes e fiáveis e que os grandes portais de marca têm de passar de produtores a representantes dos compradores – explica um aparente paradoxo da economia moderna. É uma relação de cooperação. Os grupos de empresas especializam-se na criação de grandes produtos. Um grupo comparativamente pequeno de grandes marcas funciona como conselheiro fiável dos consumidores. ❐ (continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(pp.50-53) «O sistema emergente é bastante diferente. Cada vez mais as tecnologias digitais permitem que os vendedores criem produtos à medida para satisfazer determinados compradores, mas continuem a reduzir os custos de produção.
Como é que eu consegui comprar tão barato as minhas camisas e calças feitas por medida? Foi graças a robôs programáveis, a ferramentas mecânicas controladas numericamente, a sistemas computorizados de encaminhamento e à internet. Ao contrário das velhas máquinas e linhas de montagem, estes novos sistemas fazem instantaneamente uma coisa e logo a seguir outra diferente. A minha encomenda seguiu directamente para um computador onde foi transformada em símbolos digitais e em seguida enviada para uma máquina que pegou numa peça de tecido, cortou-a de acordo com as minhas instruções e coseu tudo num abrir e fechar de olhos. Depois, o produto acabado foi-me enviado. Entretanto, foram seres humanos que programaram os robôs, criaram o software e o portal na web e o comercializaram.
Fazer por encomenda começa a ser a regra.
(p.55) O valor real da encomenda da minha camisa e das minhas calças está no sistema que a transforma em instruções digitais ao longo do caminho, que acompanha todos os passos para garantir que ela seja executada rápida e correctamente e que depois ma envia. Essencialmente eu estou a comprar produtos intangíveis.
As empresas estão a fundir-se em monstros gigantescos de telecomunicações-entretenimento-internet-finança e o leque de vendas a retalho continua a diminuir. Na maior parte dos casos, a vantagem deste tipo de concentração não reside na escala da produção, mas sim no marketing e no reconhecimento da marca.
Actualmente, a força competitiva consiste em ser melhor, mais rápido e mais barato do que os rivais. O marketing e a publicidade estão a ceder terreno a um marketing específico e dirigido a clientes únicos (homens de meia-idade e de tamanho invulgar como eu.
As empresas mais dinâmicas transferem-se para novos mercados porque não precisam de produzir em grande escala para serem bem-sucedidas.
Os músicos contactam directamente os ouvintes através da web, contornando as grandes empresas discográficas que antes eram as intermediárias.
Os vendedores de antiguidades encontram compradores através das leiloeiras electrónicas.
Os adeptos do comércio electrónico negoceiam online, vinte e quatro horas por dia, à margem do resto da humanidade.
As microempresas contratam designers para criarem portais e pagam uma avença mensal a um fornecedor de serviços da internet para os acolherem; alugam uma linha de um servidor seguro para transacções com cartões de crédito e contratam um banco para geri-las. Quando é necessário, recorrem a um reservatório global de especialistas. Encontram todos estes serviços na internet e também os seus clientes.
Os compradores estão a conseguir ter um acesso muito melhor exactamente àquilo que pretendem.
(pp.74-80) Na nova economia, as empresas dependem de economias de fiabilidade. O seu valor económico não advém dos activos que elas têm nem dos empregados que elas supervisionam, mas da confiança que conseguiram inspirar nos compradores. A única coisa que a nova grande empresa tem de controlar e aumentar permanentemente é o seu activo mais valioso: a reputação de melhor satisfazer os seus clientes.
A Disney é um guia fiável para o entretenimento familiar. O seu portal encaminha os clientes para férias em família, vídeos, livros, música, acontecimentos desportivos e actividades familiares online. As pessoas que a Disney emprega directamente e os activos que ela controla contribuem apenas em parte para estas ofertas e essa parte vai diminuir no futuro. A maioria dos produtos e serviços “Disney” serão produzidos num circuito independente. A Disney procede a uma pré-selecção para ser consistente e assim aumentar a sua reputação com o entretenimento familiar de alta qualidade e cobrará uma pequena comissão sobre a venda de cada um. Se for bem gerido, o portal da Disney continuará a desenvolver maiores economias de fiabilidade e a depender cada vez menos de economias de escala.
A Dell tornou-se um portal de marca de computadores e conseguiu aumentar facilmente o seu franchise de modo a incluir outro equipamento de escritório, equipamento de telecomunicações e tudo o resto que ajude os compradores a trabalhar com maior eficiência. A Dell não produz directamente nenhum dos seus computadores. Liga a sua cada vez maior carteira de clientes à sua crescente carteira de fornecedores através da internet. Em seguida, os seus subcontratados associam-se para fazer as suas encomendas. A Dell limita-se a atrair clientes e a controlar a qualidade. Depois recebe uma comissão por cada venda.
Actualmente a maioria dos filmes são produzidos por pequenos grupos empresariais que fazem contratos com grandes estúdios de Hollywood para comercializar e distribuir as suas obras. São grupos independentes de trabalhadores que criam também quase todos os outros produtos de entretenimento. Mais de 90% das cerca de 7000 empresas de entretenimento existentes na região de Los Angeles têm menos de dez empregados.
Empresas como a Warner Music, a EMI e a Sony têm de especializar-se em descobrir grandes artistas e em fazer o seu próprio marketing junto dos clientes, assumindo um papel de orientadores na música que os clientes apreciam.
Todas as grandes marcas estão prestes a transformar-se num portal da web que estabelece a ligação electrónica entre os compradores e os vendedores certos.
A Yahoo é uma grande porta de entrada para o conteúdo da internet.
A Charles Schwab, para os serviços financeiros.
A Amazon.com para livros e música e no futuro talvez para produtos intelectualmente estimulantes ou de entretenimento que possam ser prontamente embalados e enviados.
A IBM cada vez mais está a prestar consultoria e assistência técnica, muitas vezes através da internet.
A universidade de Harvard está a transformar-se no mais importante portal de marca na esfera do ensino. É a segunda marca mais conhecida do mundo, após a Coca-cola. Harvard confere o seu franchise de prestígio a uma vasta gama de centros de investigação, institutos, cursos de formação para executivos, camisas, chapéus, fronhas de almofadas, animais de peluche, um plano de saúde, um grupo hospitalar, revistas, jornais e uma editora. Emprega directamente apenas uma pequena parcela das pessoas que produzem estes bens e serviços; cobra comissões sobre o trabalho dos restantes.
Harvard está bem posicionada para ser harvard.com – um portal de marca de primeira linha para uma vasta gama de produtos educativos através da internet que reúna fornecedores de todo o mundo e venda a pessoas de todo o mundo que vêem na marca Harvard um guia de confiança.
Os museus sem fins lucrativos albergam estabelecimentos de venda a retalho com fins lucrativos e restaurantes; promovem lojas de prendas online onde apresentam bugigangas feitas por produtores que visam o lucro; alugam as suas salas e galerias a empresas para determinadas funções e concedem sob licença o seu nome a uma gama de produtos vendidos com fins lucrativos.
Na economia emergente, muitas vezes os compradores não sabem o que querem e usam o portal de marca como meio para o descobrir. Os grandes portais de marca representam soluções, mais do que produtos específicos.
Os portais de marca só conseguem manter a sua reputação de fiabilidade se continuarem a comportar-se como agentes dos compradores e não como vendedores. O valor de uma marca deteriora-se quando ela deixa de ser um excelente guia para aquilo que é excelente, quando os compradores, de algum modo, se sentem enganados.
Esta dinâmica – a necessidade competitiva que certos pequenos vendedores têm de associar-se a portais de marca grandes e fiáveis e que os grandes portais de marca têm de passar de produtores a representantes dos compradores – explica um aparente paradoxo da economia moderna. É uma relação de cooperação. Os grupos de empresas especializam-se na criação de grandes produtos. Um grupo comparativamente pequeno de grandes marcas funciona como conselheiro fiável dos consumidores. ❐ (continua)
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