sábado, 19 de março de 2011

Questões do Português 2

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13 de Dezembro de 2002
Hoje o pensamento vem de mim e trata-se do português:
O presente ou a prenda ®
O presente tem a sua origem na apresentação de diplomatas ou de convidados na corte. Era regra na apresentação à corte, após ouvir o seu nome, este convidado dizer Presente e entregar o pacote ao chefe do protocolo.
Na minha opinião, este presente é de obrigação e de ostentação e sem amor.

A palavra prenda, acho que tem a sua origem no verbo prender. Então a prenda tinha e tem por objectivo prender pelo coração, pelo amizade, pela demonstração de afecto que aquele pacote tem intenção de transmitir ao seu receptor. Não tenho a menor dúvida, para mim o pacote é de toda a certeza e sempre prenda e não presente, pois quando não é prenda pura, simplesmente não existe. Não ofereço nada por obrigação, mas por gosto.

Nesta época natalícia causa-me impressão ouvir, até diplomados dizerem:

filhoses quando o singular é uma filhó.
Que haja uma vez e várias vezes,
Uma voz e muitas vozes,
Uma rês e bastantes reses
Uma gravidez e duas gravidezes,
mas que haja sempre um nó e alguns nós,
um paletó e vários paletós,
uma avó e duas avós,
uma filhó e muitas filhós.❐

16 de Maio de 2005

Se há línguas em que há uma só palavra para conceber – o respectivo nome deste verbo, na língua portuguesa tem duas palavras, facto que só enriquece a nossa língua. Então é pena que usemos, principalmente os letrados, as palavras incorrectamente ou só uma das palavras com os dois sentidos. Assim temos:
Concepção – a concepção do mundo na Criação; a concepção de uma obra de arquitectura; a concepção de um quadro; ......

Conceição – a conceição de um bebé; a Imaculada Conceição de Maria.

29 de Agosto de 2005

Tenho andado a pensar em Taizé.
Ouvi um jornalista comentar há algum tempo que esta palavra Taizé já faz, de tal maneira, parte do nosso vocabulário que já muita gente anda a dizer «Taizé» à portuguesa.

Então eu comecei a pensar nas várias palavras estrangeiras que temos acrescentado ao nosso falar por duas vias:
1)via erudita – matiné; soiré; abatjour; soutien; …
por quê via erudita?

porque as classes superiores portuguesas, falantes de francês, difundiram estas palavras no nosso vocabulário. Elas sabiam ler e escrever o francês. Quando estes significados passaram a fazer parte do vocabulário popular já estavam de tal maneira implantados na sociedade, significantes e significados que ninguém teve a menor dificuldade em adoptá-los.
2)via popular:
a) Londres (de London);
b) Paris (de Paris, mas lido à portuguesa) e neste caso Taizé lido à portuguesa. O que é que está aqui em questão?
Na altura que Londres e Paris entraram no nosso vocabulário, pouco interessava que as palavras não fossem pronunciadas correctamente pelos emigrantes portugueses, mas certamente que este facto ajudou muito a que os portugueses fossem considerados pelos naturais dos países de acolhimento como ignorantes e idiotas, afinal nem conseguiam dizer estas palavras correctamente.

Hoje a população portuguesa desloca-se bastante aos outros países e a Taizé, principalmente os jovens e estes com o 12º ano de escolaridade, em geral, e andar por aquelas terras a dizer Taizé à portuguesa certamente que ninguém lhes conseguirá indicar o caminho.

Por outro lado, em tempos aprendi de entendidos na matéria que palavras de uma língua que não têm significante no outro país, escrevem-se exactamente como são ditas na língua de origem.
Assim, como estamos no princípio, vale a pena pensar sobre o assunto.
Temos duas hipóteses que não nos envergonham:

1ª - escrever Taizé e dizer Têzê. É a ideal. Afinal, podemos não ser muito inteligentes, mas penso que este esforço ainda é possível para a grande maioria dos portugueses.

2ª - escrever Têzê e dizer Têzê. Com esta hipótese é possível aos portugueses que lá se quiserem deslocar, ter quem os entenda e lhes indique o caminho com gestos, mesmo que os portugueses não saibam falar francês.❐

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Poder,Serviço e Autoridade

Neste Carnaval, gostaria de partilhar convosco:
«Sabes, Manuela, eu só vou ao médico para ajudar a viver o médico; só vou à farmácia para ajudar a viver o farmacéutico e depois não tomo os medicamentos para me ajudar a viver a mim.»
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07 de Agosto de 2009
Lendo a revista ESTRATÉGIA – de Estudos Internacionais, n.o 24-25, 2.o semestre de 2007, http://www.editorial-bizancio.pt/ encontrei um excelente artigo, ABC da Ciência Política, muito didáctico. O seu título Cidadania, comunidade política e participação democrática – região, Estado e União Europeia de Carlos E. Pacheco Amaral, Professor na Universidade dos Açores. De lá extraí uma série de palavras de origem grega e o seu significado que acho interessante recuperar. Elas são:
logos – a capacidade do ser humano de se forjar a si mesmo. (p.164)
polis – reunião em comunidades e a organização política (p.165); comunidade política. (p.186)
idiota – aquele(a) que, em vez de se empenhar activamente na condução e na definição da sua vida, por não poder ou não querer, tem outros que o fazem por ele. (p.165)
cidadão – é o sujeito político que se procura afirmar como agente corresponsável pela definição daquilo que irá fazer com a sua vida em sociedade. (p.165)
tirania – sociedade com apenas um cidadão. (p.166)
oligarquia – sociedade com um número reduzido de cidadãos. (p.166)
democracia – sociedade com um número elevado/universal de cidadãos.
(p.166)
demos – conjunto coeso e solidário de cidadãos. (p.177)
kratia – poder político. (p.177)
“A União Europeia deverá prover a igualdade de tratamento dos Estados-membros e dos seus cidadãos, característica presente nos princípios fundadores do Projecto Europeu. Também deverá promover o respeito pelos valores europeus fundamentais http://www.europeanstory.net/ e assegurar o desenvolvimento da cidadania europeia, incentivando a constituição de um verdadeiro espírito europeu.” (p.252)
Centro da Europa  eixo Londres – Milão separa a Europa do Norte da Europa do Sul.❐
07 de Novembro de 2009
Sobre Poder, Serviço e Autoridade
Acredito que a grande maioria da população portuguesa quer viver em democracia e sobre isto não tenho dúvidas; mas compreendo que a grande maioria da população portuguesa não identifica a democracia que anseia com a democracia em que tem vivido e isto causa-lhe desilusão, resignação mal-contida, vontade de mudar ... porque o conceito de democracia e a praxis democrática portuguesa não se reflectem uma na outra. Então vamos tentar compreender um pouco melhor as verdadeiras relações democráticas.
É comummente aceite que os três elementos constitutivos do Estado são:
A população, povo, comunidade, conjunto de indivíduos ligados entre si pela ordem estável de um sistema jurídico único e autónomo.
O território, espaço geográfico definido pelas fronteiras sobre o qual um Estado exerce a soberania. É parte integrante do território o solo, o subsolo, o espaço aéreo e as águas territoriais, se as houver.
O vínculo jurídico do Estado que une entre si a população. Consta da organização política regulada por uma Constituição ou Lei Fundamental e segundo a qual se processa a gestão das coisas públicas e a sua coordenação com vista à consecução do bem colectivo. Na Constituição de um Estado se exprime a identidade política de uma comunidade e, por isso, ela é o seu verdadeiro princípio da autonomia e soberania, não só em relação aos seus cidadãos e território como ainda em relação aos demais Estados.
Há dois tipos de Estado:
o Estado Absoluto - caracteriza-se pela concentração de todo o poder e de todas as suas funções nas mãos de uma só pessoa ou oligarquia ao qual (quais) compete legislar, governar e exercer a justiça sem ter de dar contas a ninguém e
o Estado de Direito - que tem como características o reconhecimento e a vigência da LEI – Constituição - e o reconhecimento do princípio da divisão dos poderes e da respectiva independência. O Direito ou a Lei Civil regulam não apenas as actividades dos cidadãos como também as acções dos próprios governantes assim se evitando a arbitrariedade. Por sua vez, o princípio da divisão dos poderes garante a independência do legislativo e dos tribunais em relação ao executivo, salvaguardando desse modo o respeito pelos direitos fundamentais do cidadão em democracia.
Então, que é o poder?
O poder é uma relação de domínio sobre outrém, o submisso.
Num Estado de Direito, não há domínio e submissão que é uma relação característica do Estado Absoluto. Num Estado de Direito, há obrigações e direitos a todos os níveis da hierarquia e cada direito implica uma obrigação e há delegação de poderes, cedendo a Autoridade, tudo veiculado pela LEI que, quando parte dela já não satisfaz a população, se actualiza. Veja-se quantas vezes a Constituição já foi alterada e as leis, em geral.
Então, quem detém o poder num Estado de Direito, numa democracia?
O Poder está na mão da população com dezoito e mais anos de idade e também os menores pelos quais os adultos respondem perante a Lei. Quando esta vota para o Parlamento, está a colocar lá os seus representantes escolhidos de entre o leque dos partidos políticos que se candidataram e que apresentaram um programa eleitoral que será o Programa do Governo do(s) partido(s) que alcançaram a maioria dos votos. Assim, a população que detém o poder, delega-o no Parlamento e no Governo eleitos e estes são instituídos da Autoridade delegada pela população e colocam-se ao serviço da população, cumprindo o Programa que obteve a maioria dos votos.
Assim, quanto maior a responsabilidade de determinado cargo, maior o serviço a prestar e maior o número daqueles a quem se serve. 1)
Agora, o poder da população apenas se exerce nas eleições nacionais?
Com certeza que não. A população tem obrigação de estar atenta e organizada na sociedade civil e estas associações da sociedade civil têm a obrigação e o direito de, todos os dias, fazer valer os direitos daqueles que se sentem de alguma forma lesados, junto das instituições que detêm a Autoridade, baseada na LEI, que vão restituir os direitos que foram lesados de modo a que a sociedade civil permaneça em paz, harmonia, feliz e realizando-se nos vários níveis pessoais, sem beliscar o bem-comum, a dignidade e liberdade de cada um dos seus cidadãos numa evolução constante dentro dos parâmetros dos valores democráticos.
Assim num Estado de Direito, numa democracia que também está em constante evolução como tudo o que tem vida, a vida democrática não assenta em três pilares de poderes, mas sim em três pilares de Autoridade do Estado que são poderes delegados que recebem a Autoridade por delegação da população e se põem ao serviço desta:
1.0 – A Autoridade Legislativa que é exercida pelas assembleias para o efeito constituídas (Parlamento, Assembleias Legislativas ou Constituintes). Cabe-lhes preparar, discutir e aprovar as leis que regulam a vida de um Estado desde a Constituição ou Lei Fundamental até às outras leis gerais.
2.0 – A Autoridade Executiva que é exercida pelo Governo. A estrutura e composição do Governo é variável de país para país. A sua função é pôr em prática, nas situações concretas, as leis gerais elaboradas pelo Parlamento; isto é, governar o país e administrá-lo segundo a Lei.
3.o – A Autoridade Judicial é o que compete aos Tribunais. É sua função velar pela observância da ordem jurídica e pelo cumprimento da Lei, denunciando as suas violações e resolvendo os conflitos que possam surgir na sua interpretação quer nas relações entre cidadãos quer nas relações entre cidadãos e os órgãos da Autoridade ou do Governo.
Há dois sistemas de governo em democracia:
O modelo presidencialista que tende mais para a separação das Autoridades. Neste sistema, o Presidente (Chefe do Estado) ocupa uma posição única na vida do Estado, sendo independente perante o Legislativo e nomeando ou demitindo os membros do Governo e os seus colaboradores. Por outro lado, o Parlamento não pode fazer demitir o Governo, através do voto de desconfiança como também o Presidente, que é Chefe do Executivo, não pode dissolver o Parlamento. Contudo, frequentemente o Presidente interfere no Legislativo mediante o veto ou ainda mediante a apresentação de propostas de lei de sua iniciativa, a iniciativa legislativa.
O modelo Parlamentarista representa uma das soluções típicas da colaboração dos poderes. O Executivo, formado a partir do partido ou partidos com mais lugares no Parlamento, tem perante este responsabilidade política; isto é, o Parlamento (com os representantes da população votante) exerce uma acção de vigilância sobre o modo como o Governo cumpre as leis. Por outro lado, o Presidente (Chefe do Estado) pode, em certas circunstâncias previstas na Constituição, dissolver o Parlamento, recorrendo a novas eleições.❐
1) Escrevendo isto, imediatamente me veio à memória uma conversa de Jesus Cristo com os discípulos entre os quais estamos incluídos, há dois mil anos. «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder.
Não seja assim entre vós! Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo (aquele que serve, que presta serviço).» (S. Mateus 20,20-28)
Infelizmente, ainda há muito quem não compreenda esta afirmação.
03 de Dezembro de 2009
Sobre Poder, Serviço e Autoridade - II
Continuando a trabalhar este tema, debrucemo-nos sobre a entidade Estado.
A ideia de Estado moderno é a de uma planificação orgânica e referida a um único centro de todas as esferas da vida social e do controlo efectivo sobre todos os domínios e sobre todas as associações particulares ou indivíduos.
Devido à estreita ligação entre Estado e Sociedade, pode-se afirmar que o Estado é a forma que atinge a vida social numa fase adiantada do seu desenvolvimento, uma vez diferenciadas, autonomizadas e tornadas complexas as suas funções, isto é, o Estado intervém como o elemento que permite assegurar a sobrevivência, a estabilidade e a permanência de todo o corpo social. Ele mantém em equilíbrio mais ou menos dinâmico, mais ou menos estável as tensões, as diferenças, os desequilíbrios, os conflitos de interesses dos grupos, das classes, das associações. Para Locke (séculos XVII e XVIII), o Estado não desempenha só esta tarefa, mas também garante a possibilidade da realização dos fins a que a população se propõe, ou seja, a própria felicidade na Terra. O Estado deve garantir a segurança da vida social, deve estimular e possibilitar o máximo desenvolvimento das potencialidades individuais e a sua acção não deve ser de repressão, mas sim deve proporcionar a segurança, a liberdade, defender a propriedade dos cidadãos. Ao Estado cabe uma missão de humanidade, uma missão ética e espiritual; o Estado está ao serviço da humanidade; ao serviço dos ideais supremos a que a humanidade se propõe. A integração dos indivíduos no Estado deve ser feita pelo reconhecimento e pela consciencialização através da educação. Trata-se, segundo Fichte, de uma integração orgânica que garante, de facto, a perfeita equidade entre todos.
Os Estados modernos fundamentam a sua coesão interna e a sua autonomia e independência em relação aos outros Estados no princípio da soberania que resolve o problema da ordem no interior do próprio Estado. Na relação entre Estados, ao longo do século XIX, foi-se desenvolvendo uma ordem jurídica que regulasse exactamente as relações entre Estados – o Direito Internacional. Já no século XX, se criaram organizações com o fim específico de zelar pela ordem internacional, tentando resolver pacificamente os conflitos surgidos entre os Estados-membros, promovendo o progresso e a cooperação, esforçando-se no sentido de proporcionar à humanidade uma paz duradoura.
A Organização das Nações Unidas, cuja Carta data de 26 de Janeiro de 1945, constitui o resultado desse mesmo esforço. Dela faz parte o seguinte extracto:
Nós, os povos das Nações Unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que, por duas vezes no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e mulheres assim como das nações, grandes e pequenas e estabelecer condições, sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional, possam ser mantidas e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla e para tais fins praticar a tolerância e viver em paz uns com os outros como bons vizinhos e unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacional e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum, a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso económico e social de todos os povos.
Resolvemos conjugar os nossos esforços para a consecução desses objectivos.
Carta das Nações Unidas
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domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Futuro do Sucesso (VIII)

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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp. 283-338) Nos Estados Unidos, o apoio político à assistência esmoreceu e esta diminuiu.
Os programas de seguro social de base ampla continuam a ser populares junto dos idosos, mas os ricos e os que gozam de boa saúde têm outras intenções. Muitos começam a perceber que conseguem fazer um melhor negócio se se juntarem e deixarem para trás os mais pobres e os mais doentes. É a nova tecnologia que está a revelar mais os nossos riscos.
No caso dos seguros, o mecanismo discriminatório funciona exactamente como nos serviços sociais e na educação. Os norte-americanos gastam dezenas de milhares de milhões de dólares em seguros de saúde e de vida no mercado de seguros privado. Os seguradores perseguem as pessoas que apresentam menores riscos e cobram-lhes prémios cada vez mais baixos. As pessoas com maiores riscos pagam prémios cada vez mais elevados e o fosso entre os preços acentua-se.
Entretanto, os empregadores estão a limitar ou a abandonar as coberturas dos seus empregados menos bem pagos ou que apresentam mais riscos, ainda que aumentem as dos mais bem pagos. A revolução da «assistência médica controlada» está a reduzir os cuidados de saúde dos pobres que não têm seguro.
É cada vez mais feroz a concorrência no sentido de reduzir custos o que deixa os hospitais dos centros urbanos sem reservas. Esta nova concorrência está a levar os hospitais a lutar pelos doentes de baixo risco com cobertura ampla e a fugir dos toxicodependentes e dos traumatizados que não têm seguro. Actualmente, os mais ricos e os mais saudáveis estão muito mais bem informados, muitos preferem contas de poupança-saúde individuais o que lhes permite fazer um melhor negócio em vez de subsidiarem os doentes crónicos.
Os líderes das empresas, universidades, museus, hospitais e outras instituições pretendem criar círculos virtuosos em que o dinheiro e o talento se juntem a outro dinheiro e talento para colherem os benefícios do prestígio do grupo, a sua capacidade inovadora, os ensinamentos daí decorrentes, a qualidade dos serviços acessível aos seus membros ou os baixos custos e riscos de pertencer a esse grupo.
Os executivos do sector privado já não tomam grandes decisões estratégicas. Passam o seu tempo a sossegar os analistas financeiros, os especuladores e os investidores institucionais quanto ao futuro risonho da empresa e a convencer os indivíduos de valor a vir ou a ficar, aliciando-os com opções de compra de acções e projectos interessantes.
Os líderes das instituições sem fins lucrativos não se poupam a esforços para atrair dinheiro e talentos. «Actualmente, para gerir uma instituição temos de ser oportunistas. Temos de recorrer a todas as situações sociais para pensar na criação de fundos e nos contactos sociais.» - afirma Marcia Tucker, ex-directora do Novo Museu de Arte Contemporânea de Nova Iorque.
Os grandes reitores visionários que no passado contribuíram para alterar a mentalidade dos norte-americanos quanto a assuntos importantes foram substituídos, na sua maior parte, por uma geração de líderes cuja atenção se concentra em obter donativos de vulto.
Os governantes e os presidentes de câmara acotovelam-se para manter ou para conservar dentro dos seus limites territoriais os residentes mais habilitados e abastados dos quais dependem os círculos virtuosos de crescimento e que atrairão outros como eles e, consequentemente, capital global. A mobilidade destes indivíduos corresponde ao seu nível de educação. Não só as pessoas com mais alto nível de escolaridade têm um maior leque de opções de emprego em vários locais do que outras e muito mais conhecimentos que podem vender os seus serviços no ciberespaço a partir de quase todos os locais.
Como atrair e manter os trabalhadores mais criativos e com um maior nível de instrução? Baixando-lhes os impostos, proporcionando-lhes locais mais seguros e atraentes para viver e trabalhar e concedendo-lhes acesso fácil a aeroportos e estâncias de férias, museus e recintos desportivos.
Esta solicitação explica em parte por que motivo é que o fardo dos impostos estaduais e locais está a transferir-se lentamente daqueles que ganham mais e têm maior mobilidade para os que ganham menos e têm menos opções quanto ao local de residência. Os impostos sobre o rendimento estão a ser substituídos pelos impostos sobre as vendas, o gás, os cigarros e a lotaria que incidem mais sobre o rendimento das pessoas com salários mais baixos.
Isto também explica, em parte, o facto de o Estado norte-americano ter reduzido o apoio ao ensino superior. Dada a relação entre o ensino e a mobilidade geográfica, se um Estado ajudar um dos seus jovens a concluir uma licenciatura em vez de este se ficar pelo ensino secundário, aumenta para o dobro a probabilidade de perder esse trabalhador a favor de outro Estado. Por exemplo, actualmente, o Nebrasca paga as propinas só aos estudantes que se comprometam a trabalhar nesse Estado durante pelo menos três anos após a conclusão da licenciatura.
Os governadores e os presidentes de câmara também têm de convencer as empresas a vir e a ficar. Deste modo, a luta para que as empresas lá se instalem é cada vez maior e as cidades competem para atraí-las ou mantê-las, concedendo-lhes subsídios generosos ou reduções fiscais. Em todo o mundo se regista uma descida acentuada dos impostos sobre as empresas.
As reduções de impostos e os subsídios oferecidos às empresas conseguem-se à custa de serviços públicos necessários aos residentes mais carenciados dessas áreas como boas escolas, por exemplo. Os responsáveis locais chegam a trocar escolas por recintos desportivos. As lutas pelos estádios estão a aquecer em detrimento de escolas nas zonas mais pobres. Porque motivo é que os líderes políticos fazem estas negociatas? Porque as equipas desportivas sairão da cidade se não conseguirem novos estádios, mas as crianças pobres da cidade não irão para parte nenhuma.
Em 1998, os dirigentes iranianos ofereciam a cientistas soviéticos que tinham trabalhado em laboratórios ligados à guerra biológica um salário de 5000 dólares por mês, mais do que estes cientistas ganham por ano na Rússia. Por outro lado, o Canadá está a perder gestores, médicos, enfermeiros, cientistas e outros profissionais, em parte porque o fisco lhes arrebata metade dos seus rendimentos.
Os Chefes de Estado também solicitam os investidores globais. Antigamente, a diplomacia ocupava-se de tratados, alianças e delicados equilíbrios de poder e as reuniões mais importantes realizavam-se entre Chefes de Estado. Actualmente, dedicam-se a atrair investimentos e a evitar fugas de capitais e as reuniões mais importantes envolvem não só os Chefes de Estado, mas também banqueiros mundiais e gestores de fundos. Os presidentes e os primeiros-ministros tentam atrair e manter os investidores globais, prometendo o que podem em troca do capital global. Eles bajulam e insinuam-se junto daqueles que dirigem os fluxos de dinheiro. Quase todos se apressam a reduzir os impostos das empresas. Se necessário, criam défices orçamentais – incluindo as contribuições públicas para a segurança social, a assistência médica e o ensino – para ganhar a confiança dos investidores.
Assim, o fardo de pagar aquilo de que a população menos afortunada de todas as sociedades precisa, está a recair mais sobre estes. É a consequência final do mecanismo de discriminação.
As pessoas com maior poder negocial, que conseguem os melhores negócios para as escolas, universidades, cuidados infantis, assistência médica, seguros, impostos e retorno sobre os investimentos já são as que vivem melhor. É provável que sejam cultas ou tenham pais cultos, sejam saudáveis, ricas e que tenham segurança económica.
As que têm menor poder negocial – as que mais sentem os efeitos negativos das mudanças económicas – têm de contentar-se com as piores escolas, com um acesso restrito ou inexistente às universidades, com cuidados infantis mínimos ou inexistentes, com assistência médica insuficiente ou inexistente e não dispõem de seguros que as protejam das errâncias do mercado. E à medida que se vão isolando em termos sociais também perdem contacto com uma vasta parcela da economia que depende ainda mais de conhecimentos pessoais. O poder negocial de todas as pessoas que se encontram entre estes extremos também é inversamente proporcional às suas necessidades.
Este sistema é o produto de um grande número de decisões avulsas tomadas por indivíduos que procuram o melhor para si próprios e para os seus entes queridos. Contudo, muitos dos que vivem melhor contribuem para um sem-número de causas meritórias, mas a própria discriminação pode contribuir para reduzir a sua informação acerca do modo como vivem aqueles que têm menos do que eles.
O mecanismo da discriminação aumenta ainda mais a pressão para ganhar o melhor salário possível. Os altos rendimentos compram o ingresso de nós próprios e das nossas famílias em sociedades excelentes.
Este não é o fim da história. Não somos escravos das tendências actuais nem prisioneiros do mecanismo de discriminação.
Uma maneira de alcançar um melhor equilíbrio social poderia ser um grande e novo despertar moral e espiritual, no qual as pessoas renunciassem em massa aos excessos do individualismo aquisitivo. Uma sociedade equilibrada deveria procurar atingir vários objectivos:
proteger as pessoas de choques económicos súbitos. O seguro do desemprego poderia ser substituído por um seguro de salário, destinado a suavizar as reduções abruptas do rendimento. Se os ganhos sofressem uma redução de 50% de um ano para o outro, o seguro salarial cobriria a diferença e se os ganhos duplicassem de um ano para o outro, pagar-se-ia uma percentagem dos ganhos que reverteria para o fundo de seguro.
Alargar o círculo de prosperidade. Aperfeiçoar a reserva de capital humano, tornando os activos líquidos mais acessíveis, isto é, conceder aos jovens, ao completarem dezoito anos, uma almofada financeira de 60 000 dólares, por exemplo, que eles poderiam investir na sua educação, na constituição de uma empresa, em acções e obrigações, ... estas dotações seriam financiadas por um pequeno imposto sobre a riqueza aplicável aos muito ricos.
Prestar cuidados e atenção aos mais necessitados. A sociedade, em geral, poderia pagar aos prestadores destes serviços substancialmente mais para que tenham um melhor estatuto social e mais respeito que tornariam estas profissões mais atraentes para as pessoas vocacionadas para elas e dar-lhes-iam mais motivos para adquirir a formação específica que estes serviços exigem. As empresas deveriam ser encorajadas/obrigadas a proporcionar horários flexíveis aos pais e a pagar períodos de licença destinados a tomar conta de uma criança pequena ou de um parente idoso em situação de necessidade.
Inverter o mecanismo de discriminação. Os vouchers escolares poderiam melhorar a qualidade das escolas e deveriam ser proporcionais às necessidades familiares. Também dar vouchers de apoio à habitação às famílias que precisassem para todos viverem em comunidades adequadas.❐
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Futuro do Sucesso (VII)

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(...)
(pp.255-281) O motivo pelo qual as companhias aéreas prodigalizam mais atenção aos passageiros de elite que viajam em classe executiva como Michelle e menos aos outros como Jennifer é simples e de natureza económica. É o mesmo pelo qual a Merril Lynch quer que os seus corretores desviem a sua atenção para os grandes apostadores. É porque daí vêm as grandes receitas. Em 1999, os passageiros de avião que viajavam em classe executiva representavam apenas 9% do total, mas contribuíam para 44% das receitas da aviação comercial. Por isso, quando as companhias de aviação lutam por oferecer melhores negócios a passageiros como Jennifer; elas estão, ao mesmo tempo, a cortejar pessoas como Michelle que estão dispostas a pagar muito pela atenção pessoal.
Contudo, não é provável que Michelle tenha pagado do seu bolso a viagem de luxo. Tratava-se de uma viagem de negócios. Michelle fez a viagem por motivos profissionais e não por deleite e esta viagem de luxo foi também um custo para a empresa. Concede-se atenção pessoal com requinte às pessoas que dão muito dinheiro a ganhar à empresa e que simultaneamente o ganham.
Quando se paga várias centenas de dólares por mês a um conselheiro pessoal, pretende-se alguém que se interesse exclusivamente pelo seu bem-estar, um amigo que esteja ali à sua disposição, talvez porque os amigos andam muito ocupados.
O facto de estes amigos terem outra motivação além da amizade não arrefece o entusiasmo das pessoas que os procuram. Desde o princípio dos anos 90 que o número de conselheiros pessoais tem duplicado todos os anos, segundo Thomas Leonard, fundador da Coach University. Valerie Olson, de Minnesota, chega a ganhar um número com seis dígitos por ano como conselheira pessoal de trinta clientes, cada um dos quais lhe paga 250 dólares por mês por quatro sessões de meia hora. Escuta-os, cria empatia e dedica-lhes uma atenção total. Além dos conselheiros pessoais, tem aumentado o número de instrutores pessoais, guias espirituais, conselheiros espirituais e terapeutas.
Actualmente, o Governo dos Estados Unidos paga dois terços dos cuidados de saúde prestados a 1,6 milhões de residentes, principalmente com o Medicaid em lares, mas contribui muito pouco para os cuidados prestados aos idosos quer em casa quer nos centros de dia locais, o que permitiria que eles estivessem mais perto dos amigos e da família. Mesmo quando o seguro estatal paga os cuidados prestados em casa, não paga a atenção.
O custo dos cuidados infantis organizados oscila entre 4000 e 20 000 dólares anuais, por criança, mas o estrato inferior tem menos pessoal por criança, apesar de um ambiente seguro. Logo, as educadoras e o pessoal auxiliar têm menos formação e mudam de emprego com mais frequência porque são menos bem pagas e trabalham mais. Então estas crianças têm menos oportunidades de criar relações com o pessoal do que as crianças do estrato superior. Estas diferenças de quantidade, qualidade e consistência dos cuidados infantis podem ter consequências significativas mais tarde.
Em 1972, foi iniciado um estudo que abrangeu crianças-bebés de 111 famílias negras pobres da Carolina do Norte. Cinquenta e sete, escolhidas aleatoriamente, foram afectadas a programas de cuidados infantis a tempo inteiro até aos cinco anos de idade. Os cuidados infantis incluíam uma grande dose de atenção pessoal o que permitia que as educadoras criassem relações pessoais com as crianças – uma educadora para três crianças e uma para sete crianças de quatro anos. As educadoras tinham a mesma formação dos professores do ensino público; poucas foram as que se despediram ou foram substituídas durante esse período e proporcionaram uma grande dose de estimulação intelectual e apoio emocional.
As outras cinquenta e quatro crianças receberam suplementos alimentares e visitas de assistentes sociais para garantir a sua saúde e segurança, mas não foram alvo de atenção pessoal.
Quando chegaram aos cinco anos, estes dois grupos de crianças frequentaram infantários, escolas primárias e liceus comparáveis. O estudo acompanhou-as até aos vinte e um anos de idade. Verificou-se que, aos vinte e um anos, cerca de dois terços das crianças que tinham recebido cuidados ricos em atenção frequentavam a universidade ou tinham empregos bem pagos, contra 40% das crianças do outro grupo. O primeiro grupo tinha custado 11 000 dólares por ano por criança ao Estado. Pode-se concluir que valeu a pena o investimento.
A verdade é que muitos lares fazem parte de grandes empresas que visam o lucro e os cuidados infantis também começam a ser um grande negócio. As empresas têm de garantir aos accionistas um bom retorno dos seus investimentos, possivelmente à custa de investirem na qualidade da atenção. Alguns pais, quando estão no emprego, recorrem actualmente a inovações proporcionadas por alguns infantários: pequenas câmaras montadas no tecto e nas paredes dos infantários permitem que os pais abram, com um simples clique, uma pequena janela num canto do ecrã do seu computador e, através da web, vigiem os seus bebés durante o dia.
Porém, a maioria das pessoas que vendem atenção pessoal não ganha muito dinheiro com isso porque é um serviço prestado individualmente e implica ceder tempo. A maioria destes trabalhadores são mulheres, imigrantes que aceitam mais do que um emprego ou trabalham mais horas porque precisam de dinheiro e este trabalho não é valorizado pela sociedade. Nos Estados Unidos, mais de dois milhões de pessoas trabalham em lares como auxiliares de enfermagem, ajudantes de cozinha e governantas. Na próxima década, um em cada cinco novos empregos será na área da saúde e a maioria envolverá prestação da atenção pessoal.
Cada vez mais, as dezenas de milhões de pessoas que vendem atenção pessoal, não ganham o suficiente para pagar os serviços que elas próprias vendem. Por isso, optam por viagens baratas, pela comida feita, pelas idas ao médico só quando é absolutamente necessário (muitas não têm dinheiro para pagar seguros de saúde) e pelo tratamento das crianças e idosos por conta de parentes e amigos.
A economia emergente não está a fazer-nos recuar: o bem-estar da maioria das pessoas está a aumentar; a Jennifer nunca poderia comprar um bilhete de avião há vinte anos. Mais pessoas têm acesso à internet, ..., mas a atenção pessoal está cada vez mais dirigida para os que podem pagá-la e mais escassa para os que não podem. Na nova economia, as pessoas são induzidas a trabalharem mais tempo e mais intensamente e a venderem-se com uma premência cada vez maior. Há menos espaço para as famílias que estão a ser reduzidas e subcontratadas.
Dado o leque de opções e a facilidade de mudar, inserimo-nos em comunidades de pessoas mais ou menos com os mesmos rendimentos, as mesmas capacidades, os mesmos riscos e as mesmas necessidades. O local em que vivemos tem mais a ver com aquilo que ganhamos do que nunca. As pessoas afectadas pela nova economia, cujos rendimentos baixaram e são mais precários, acabam por ir viver em comunidades pobres. As suas escolas são piores; a assistência médica é menor; os seus seguros são mais caros. Mesmo quando juntam o que podem, os pais dos bebés não conseguem ganhar o suficiente para que os seus filhos tenham cuidados diários de boa qualidade. Este processo discriminatório está a tornar-se muito mais eficaz quando as pessoas que são marginalizadas para comunidades degradadas, mais precisam de ajuda.
Eis o processo da discriminação: se tudo o resto for igual, quem entrar numa comunidade, pretende o mais alto retorno sobre o seu investimento – o melhor serviço, o melhor valor, os companheiros mais agradáveis e o maior prestígio que o seu dinheiro puder comprar. Os que já fazem parte da comunidade também querem o melhor retorno sobre cada novo membro, ou seja, pessoas que contribuam tanto ou mais do que eles e que façam o mínimo de exigências ao pólo de recursos comuns.
Quanto maior for o leque de opções e a facilidade de mudar para algo melhor, mais eficaz é o mecanismo de discriminação. As pessoas tentam integrar-se nos grupos que lhes proporcionam os melhores negócios – não só as melhores cidades ou municípios e as melhores comunidades residenciais que podem pagar como também os melhores estabelecimentos de ensino superior, secundário e básico, infantários, lares e centros de dia para idosos, pólos de seguros, parcerias profissionais e empresas. Estes grupos lutam entre si para atrair os membros mais desejáveis, isto é, aqueles que possam contribuir mais e exigir menos. Cada vez com mais eficiência, excluem aqueles membros que são menos valiosos ou mais necessitados.
As comunidades residenciais privadas excluem as famílias grandes que precisam de muitas escolas e serviços sociais e cujos filhos podem ser barulhentos ou cometer pequenos delitos, cobrando preços muito elevados pelas casas e quotas muito altas e limitando bastante o número de quartos de cada fogo. Os municípios mais ricos fazem-no exigindo lotes de terreno com 1 a 2 hectares para cada casa e proibindo as residências multifamiliares.
Os movimentos de cidadãos contra os impostos estaduais e locais têm sido encabeçados por associações de proprietários privados, cujos membros não vêem motivo para prestarem apoio às famílias de outras áreas quando eles próprios têm tudo aquilo de que precisam graças às suas contribuições pessoais. Em 24 de Março de 1999, o Leisure World, uma comunidade de reformados em Orange County, deixou de ser uma comunidade fechada e passou a ser um dos municípios mais recentes da Califórnia, cujos cidadãos têm em média setenta e sete anos de idade. Neste estatuto, pagam menos impostos. Limitam-se a pagar pelas piscinas, campos de ténis, cavalariças e tratamento da relva dentro do perímetro da nova cidade, em vez de gastarem dinheiro em escolas e serviços sociais para as crianças do resto do concelho.
Enquanto a proporção de casais com filhos continua a diminuir e aumenta o número de idosos, aumenta o número de bairros escolares com maiores concentrações de idosos que votam por impostos mais baixos e escolas de má qualidade. Por outro lado, criam-se bairros com serviços especiais para residentes da classe média e empresários dispostos a pagar taxas para melhorar a recolha do lixo, a limpeza das ruas e o policiamento desde que estes serviços sejam executados apenas no seu bairro. As comunidades exclusivas estão a ser muradas. As residências, as escolas, os estabelecimentos e os escritórios estão ligados a redes gigantescas de alta velocidade, permitindo que os professores comuniquem mais facilmente com os pais, as empresas com os seus colaboradores e todas as pessoas com os funcionários da sua autarquia.
Esta tendência está a conduzir os Estados Unidos de novo para a segregação racial. No início dos anos 90, cerca de 10% dos bairros de Chicago ainda podiam considerar-se integrados – as famílias negras representavam 10% a 50% do total dos residentes. Em meados da década, essa percentagem desceu três pontos.
A nível da educação, é mais provável que um aluno do liceu vá às aulas quando a maioria dos seus colegas faz o mesmo. Os estudantes menos aptos recebem mais apoio se estiverem em turmas de bons alunos. Depois de um grupo de famílias urbanas pobres, escolhidas aleatoriamente, ter recebido vouchers que lhes permitiram mudar-se para bairros melhores, o comportamento dos seus filhos melhorou em comparação com os daquelas famílias que queriam os vouchers, mas não os obtiveram.
Os pais mais ambiciosos estão a escolher escolas particulares de grande prestígio ou boas escolas públicas em comunidades suburbanas elegantes onde os outros alunos podem exercer uma influência positiva, os desordeiros são facilmente expulsos e os mais lentos a aprender são discretamente isolados. Ou então escolhem escolas especiais, subsidiadas pelo Estado, que gozem de mais liberdade de admissão ou de expulsão do que as escolas públicas. Este mecanismo explica o surto de Fundações de Pais particulares, na sequência de decisões dos tribunais exigindo que as zonas escolares mais ricas subsidiem as mais pobres. Em vez de pagarem mais impostos, os pais transferem discretamente o seu apoio para estas instituições de beneficência, o que lhes permite manter uma parcela maior do seu dinheiro na sua zona de residência. Cerca de 12% dos mais de 14 000 distritos escolares dos EUA já são subsidiados em parte por estas fundações que pagam tudo, desde um novo auditório a uma estação meteorológica de alta tecnologia e um programa de línguas. As Fundações de Pais são a prova evidente de que os pais tentam reencaminhar o seu dinheiro para os seus filhos e não para as crianças mais necessitadas e cuja educação é mais dispendiosa.
Assim as crianças mais pobres que exigem uma grande dose de atenção dos bons professores estão cada vez mais agrupadas com outras crianças pobres e também muito necessitadas em escolas que não dispõem de muitos recursos. Graças ao sistema de vouchers escolares, as escolas têm mais liberdade de expulsar as crianças que sejam particularmente indisciplinadas. Para onde vão estas crianças? Estão amontoadas no fundo de todo o sistema educativo, em escolas que são essencialmente instituições de custódia. O mecanismo de discriminação completa-se.
Na economia emergente, o êxito depende mais do talento, da ingenuidade, da capacidade que cada pessoa tem de se vender e das pessoas que se conhecem. Em termos individuais, os pais estão a agir racionalmente, mas o que é racional para os indivíduos não o é para a sociedade.
O apoio estatal ao ensino superior já não é tão generoso como era. Esta mudança para o mercado nacional e global do ensino superior gerou uma concorrência mais directa entre faculdades e universidades. Para manterem ou aumentarem a sua reputação, elas tiveram de atrair os jovens mais inteligentes do país e até do mundo. A universidade de Carnegie-Mellon encoraja explicitamente os candidatos mais dotados a recusar as propostas de outras universidades para poder igualá-las ou superá-las. Harvard faz a mesma proposta.
A consequência é que sobram menos recursos para apoiar os estudantes mais necessitados. Isto significa que os alunos mais dotados, bem organizados e motivados estão a juntar-se mais do que nunca nas mesmas universidades de prestígio. Não só os seus talentos e ambições se reforçam mutuamente como a abundância de contactos e de conhecimentos permite que todo o grupo tenha acesso a oportunidades de emprego melhores e o prestígio da marca da universidade aumenta consideravelmente.❐ (continua)
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sábado, 22 de janeiro de 2011

O Futuro do Sucesso (VI)

Os meus blogues
para Recordar
Lagos no coração-3
Lagos no coração
Problemas do português
Cristianismo
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http://www.institutosacarneiro.pt/ “Europa” - Maria de Portugal
http://www.psd.pt/ Homepage (rodapé) - “Povo Livre” - salvar (guardar)
2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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From Chiado Editora site:
“Dear International Colleagues, Welcome to our Foreign Rights page. Feel free to browse our online catalogues by categories of your interest. You can access additional information for each of our publications by clicking on its title.If you are interested in considering any of our books for translation, please do not hesitate to send us any translation query to the e-mail: foreignrights.chiado@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . We look forward to working with you.Kind regards,
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.225-254) A nova família, tal como ela é, existe no seio de um conjunto complexo de disposições logísticas de modo a que vários membros estejam onde têm de estar para corresponderem às novas exigências da economia. Os sociólogos até criaram um acrónimo – DINS (double income, no sex) para descrever os casais modernos, cheios de stress e demasiado cansados para fazer outra coisa qualquer na cama, excepto dormir. Enquanto tentam coordenar as suas pequenas parcelas de tempo juntos para obterem o máximo efeito, esses casais provocaram um pequeno aumento de vendas de kits destinados a prever os períodos de ovulação. Quando nasce um filho, um terço dos pais que trabalham, repartem hoje o trabalho e o tratamento dos filhos em turnos. Um trabalha durante o dia, enquanto o outro cumpre os seus deveres parentais e à noite invertem os papéis. Comunicam uns com os outros por bilhetes, fazendo a lista das pessoas que telefonaram na ausência do outro, o que aconteceu ao bebé durante o dia, o que é o jantar.
As casas estão vazias durante períodos muito mais longos. Os dois membros do casal andam de um lado para o outro ou, se trabalham nas redondezas, estão ausentes durante quase todo o dia. As crianças vão no carrinho para o infantário. Os pais idosos vivem sozinhos ou em lares. Poucas são as famílias cujos membros conseguem conciliar os seus afazeres de modo a jantarem juntos. Os pais que trabalham, chegam a casa muito depois de a barriga dos filhos começar a dar horas. A parcela de casais norte-americanos que jantam em conjunto diminuiu um terço nos últimos vinte anos, de 50% para 34%. Algumas famílias chegaram ao ponto de marcar um encontro semanal.
Entre os anos 70 e vinte e cinco anos mais tarde, a maior diferença que detectamos, é uma redução drástica na percentagem de casais com filhos: de 45% em 1972 para 26% em 1998, associada a um aumento da percentagem de pessoas não-casadas sem filhos, de 16% para 32%. Em suma, o lar-tipo mudou.
A nova economia recompensa características que são tão vulgares nas mulheres como nos homens: a criatividade e a empatia que, caracterizam respectivamente os visionários e os psicólogos.
Nas famílias em que há dois elementos assalariados, as mulheres ganharam terreno em relação aos maridos. Em 1980, menos de uma em cada cinco mulheres trabalhadoras casadas ganhava mais do que os maridos; em 2000, esse número corresponde a cerca de um terço. Actualmente, quase metade das mulheres licenciadas ganham mais do que os maridos. Entretanto, as mulheres começam a ter cada vez mais acesso a lugares de gestão e a profissões independentes. Elas ocupavam menos de 20% dos lugares de gestão e de profissões independentes, em 1970; mas mais de 36%, em 1999. Entre as que ocupavam altos cargos, a percentagem passou de 9,2%, em 1970, para mais de 25%, em 1998. Contudo, na economia emergente, os altos cargos exigem uma dedicação total. É tudo ou nada. Se tanto os homens como as mulheres que podem ganhar bons salários, quiserem ter filhos, as mulheres poderão fazer um acordo: os homens terão de assegurar pelo menos metade das tarefas familiares, nomeadamente o tratamento dos filhos. Por outro lado, se se verificar que os homens estão mais dispostos do que as mulheres a renunciar à paternidade; as mulheres continuarão a ser confrontadas com uma falta de maridos e de parceiros dispostos a executar pelo menos metade das tarefas ligadas à criação dos filhos. As mulheres não podem tudo. Nem os homens.
O modo como o trabalho é organizado e remunerado incentiva a atenção pessoal. Esta é uma parcela cada vez maior do PNB (Produto Nacional Bruto), uma percentagem cada vez maior de todo o dinheiro que ganhamos e gastamos. Situa-se entre as categorias profissionais que crescem mais rapidamente – pessoas que acompanham, cuidam e vigiam as crianças, os idosos, os deficientes, os deprimidos e os ansiosos assim como os adultos mais ou menos saudáveis que querem ser alvo de uma maior atenção e que estão dispostos a pagar por isso.
Há dois motivos específicos que justificam o crescimento da indústria da atenção:
o número crescente de pessoas que trabalham muito e subcontratam mais daquilo que eram as responsabilidades familiares;
a produtividade crescente das máquinas – instrumentos computorizados e robôs existentes nas fábricas, por exemplo e na economia dos serviços – caixas bancárias automáticas, bombas de gasolina automáticas, sistemas de recepção de chamadas telefónicas accionados pela voz e aparelhos digitais que dentro de pouco tempo farão quase tudo.
Uma das coisas que as máquinas não podem fazer é prestar atenção pessoal. A atenção pessoal pode ser agradável e a sua falta deprimente. Gosto de ir a um restaurante em que os empregados de mesa me cumulem de atenções e detesto os grandes armazéns onde é quase impossível encontrar alguém que nos atenda, mas o desejo humano de atenção é muito mais profundo. Há cientistas que afirmam que os seres humanos necessitam de uma certa dose de atenção pessoal para serem saudáveis. Nos anos 40, René Spitz, um psicanalista francês, comparou dois grupos de bebés: um instalado nos primeiros meses de vida num orfanato cujas enfermeiras os mantinham bem alimentados e vestidos, mas não tinham tempo para lhes dar atenção pessoal; o outro, num lar para mães delinquentes que lhes davam a máxima atenção. Concluiu que só os bebés do segundo grupo é que se desenvolveram normalmente.
Há pouco tempo, Mary Carlson, de Harvard, neurocientista interessada em saber como é afectado o cérebro dos bebés, aprofundou o estudo de Spitz, examinando bebés internados em orfanatos romenos que recebiam alimentação e cuidados médicos adequados, mas muito pouca atenção pessoal. Descobriu que as crianças eram física e mentalmente atrasadas e que muitas tinham movimentos corporais repetitivos semelhantes aos que observavam nos macacos-bebés que tinham estado fisicamente isolados de outros macacos.
O factor humano parece ser um aspecto importante da atenção.
Há pouco tempo, investigadores da Universidade Carnegie-Mellon estudaram os efeitos psicológicos do uso da internet. Escolheram aleatoriamente 169 pessoas na área de Pittsburg e acompanharam de perto o seu comportamento durante um a dois anos e concluíram que, quanto mais tempo as pessoas passavam na internet, mais deprimidas e sós se sentiam. Este resultado surpreendeu não só os investigadores como várias empresas de hardware e software que tinham subsidiado o estudo e que esperavam precisamente o contrário porque a internet permite que as pessoas contactem facilmente umas com as outras através do correio electrónico e das chat-rooms.1 As pessoas em estudo também afirmaram que, quanto mais tempo passavam online, menos interacções directas tinham com a família e os amigos porque não dispunham de tempo para lhes dedicar. «Segundo a nossa tese, há mais casos em que se constroem relações superficiais que conduzem a uma redução dos sentimentos de ligação a outras pessoas. As relações a grande distância sem contacto face a face acabam por não proporcionar o tipo de apoio e de reciprocidade que contribuem para uma sensação de segurança e felicidade.» - afirmou o investigador Robert Kraut, Professor de Psicologia Social do Human-Computer Interaction Institute da Universidade Carnegie-Mellon. Mas ninguém sabe exactamente por que motivos é que o contacto humano directo parece ser tão importante para a saúde física e mental.2
A atenção positiva de outra pessoa reduz certas hormonas que, em geral, estão associadas ao stress, em particular a epinefrina, a norepinefrina e o cortisol. A urina dos bebés que são embalados ou massajados contém níveis inferiores destas hormonas do stress comparativamente aos da urina dos bebés que não beneficiam destes cuidados. No estudo da Fundação MacArthur sobre os idosos do sexo masculino com mais contacto humano e atenção também revelavam níveis inferiores destas hormonas na urina do que os outros.
Na perspectiva da evolução humana é normal que o contacto humano reduza o stress, pois este evoluiu em famílias e clãs que garantiam protecção e sustento partilhado. No princípio do século XXI, esta necessidade de contacto pessoal constitui um problema para os seres humanos que, muitas vezes, não conseguem dar nem receber tanta atenção pessoal como gostariam. O novo trabalho exige uma grande dose do seu tempo, da sua energia emocional e do seu envolvimento psicológico.
Actualmente as pessoas abastadas são ricas em dinheiro, mas pobres em tempo. Para elas o luxo assume uma forma distinta: uma atenção pessoal requintada, destinada a fazer com que a sua vida frenética seja o mais eficiente e agradável possível. Por outro lado, as pessoas mais modestas têm acesso a tecnologias cada vez mais eficientes que satisfazem uma grande parte das suas necessidades, mas que o factor humano está visivelmente mais ausente.
Michelle Siron, uma consultora de gestão, de trinta e oito anos, está hospedada num hotel em Londres onde um motorista ao volante de um Range Rover a vai buscar para levá-la em velocidade moderada ao aeroporto de Heathrow. Aí, espera-a uma assistente que se encarrega do check-in ainda antes de ela sair do automóvel e que, em seguida, a acompanha a uma sala privada onde Michelle bebe chá e saboreia uma sandes de salmão fumado, enquanto lhe cortam e secam o cabelo. Já a bordo, tratam-lhe das unhas e massajam-lhe o pescoço. As hospedeiras satisfazem todos os seus desejos. «Tudo isto afasta o stress das viagens.» - afirma Michelle.
Por outro lado, Jennifer, uma outra passageira do mesmo avião, optou por um bilhete de preço reduzido e que, vergada ao peso das malas, entra no recinto barulhento e apinhado de Heathrow, espera uma hora numa longa fila para fazer check-in, descobre a custo uma cadeira de plástico onde se senta numa sala de espera sobrelotada até ouvir pelo altifalante qual o número da porta de acesso à pista para onde se deve dirigir. Enfiam-na num assento acanhado na traseira do avião, uma hospedeira arrasada que desaparece até ao fim da viagem, atira-lhe um saquinho de aperitivos e, por fim, seis horas depois, Jennifer espera uma hora pela sua bagagem. No fim da viagem, as hormonas do stress de Jennifer registam um nível mais ou menos elevado.
«O princípio segundo o qual recebemos na medida em que pagamos é reconhecido nos Estados Unidos e em todo o mundo.» - afirma Donald Casey, o vice-presidente executivo da TransWorldAirlines, ao explicar a nova estratégia da companhia aérea.❐
(continua)
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1N. L. - mas esqueceram-se de que há um novo elemento muito importante – a luminosidade que afecta completamente a mente humana e a passa a dominar.
2N. L. - Trata-se da transferência de energia vital humana daqueles que têm para os que não têm ou têm pouco. A fé dos crentes dá-lhes essa energia vital directamente a partir de Deus nos tempos de oração. Quando se passa muito tempo online a energia vital humana é substituída pela energia que recebem do computador e aí começam a surgir os problemas.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Futuro do Sucesso - V

Os meus blogues
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2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.195-221) A economia emergente recompensa mais os visionários e os psicólogos de talento, as pessoas que são criativas e originais e que percebem o que as outras querem. Os potenciais empregadores sabem que os jovens em que estes atributos abundam nem sempre vão para as universidades de maior prestígio. Um especialista em recrutamento de um banco de investimento confiou-me que já não perde muito tempo a entrevistar os melhores alunos das universidades porque percebe que eles são o tipo de pessoas que passaram a vida a saltar obedientemente por todos os aros que lhes puseram à frente e que estão muito empenhados em agradar aos outros. Ele pretende gente jovem que esteja disposta a combater o sistema, que seja inovadora e agressiva. Na economia emergente, o êxito financeiro advém mais da motivação e da criatividade do que das credenciais elitistas. Por exemplo, no outono de 1998, a universidade de Columbia propôs-se pagar a Robert J. Barro cerca de 300 000 dólares por ano, se ele saísse de Harvard e fosse para o seu Departamento de Economia. Isto correspondia, mais ou menos, ao dobro do salário pago aos professores de Letras e Ciências de Harvard, Columbia e outras universidades de elite. Segundo o New York Times1, Columbia também daria a Barro três gabinetes espaçosos e uma verba considerável para investigação, além da oportunidade de recrutar vários jovens economistas promissores. Também matricularia o filho de Barro num colégio particular em Manhattan, daria à sua esposa um emprego na universidade com uma remuneração anual de 55 000 dólares e instalaria toda a família Barro num apartamento de 700 m2 pertencente à universidade, em Riverside Drive, que Columbia mandaria remodelar e lhe alugaria por metade do preço de mercado.
Barro é muito competente. A sua obra teórica exerceu influência considerável nos economistas e ele distinguiu-se antes de chegar a Harvard. Harvard e Columbia estão a transformar-se em redes céleres cuja permanente capacidade de atrair pessoas de talento – tanto professores como alunos – depende das pessoas de talento que elas já conseguiram atrair. Elas têm de manter círculos virtuosos em que a reputação da sua marca ponha em evidência a reputação pessoal dos seus professores e alunos que, por sua vez fazem realçar a reputação da marca da universidade e, desse modo, atraem mais professores e alunos ilustres.
Numa das suas rondas de negociações com Columbia, Barro apresentou uma lista de dez a doze estrelas em ascensão que ele gostaria que a universidade apanhasse e cuja admissão fazia parte do contrato. Um economista de Columbia referiu-se ao contrato em termos de custos e benefícios. «Estamos a captar uma grande parte do excedente que Robert irá gerar.»
Por outro lado, o reitor da universidade de Harvard que se gabava de nunca ter sido obrigado a igualar uma proposta de outra universidade, convidou Barro para um jantar longo e bem regado durante o qual lhe apresentou a sua contraproposta que incluía um novo centro de investigação entre outras coisas e Barro acabou por ficar.
A nova economia oferece aos professores empreendedores cada vez mais oportunidades de tirar proveito dos seus nomes de marca. Dentro de pouco tempo, os professores conhecidos conseguirão vender as suas marcas pessoais na internet através dos seus cursos e das suas conferências. À medida que as pessoas de talento adquirem maior mobilidade e que o mercado se torna mais competitivo, os incentivos estão do lado de quem investe na sua marca pessoal e não de quem dedica tempo e energia a uma organização.
Depois da forma manifesta como Barro determinou o seu valor, os professores de todo o país tiveram oportunidade de comparar os seus próprios níveis remuneratórios com aquele que lhe foi proposto e de calcular o seu próprio valor relativo. Na economia emergente, repleta de propostas e contrapropostas, a nossa remuneração tende a ser diferente da dos nossos colegas e tanto uma como as outras são do conhecimento de mais pessoas, permitindo assim que se conheça o nosso valor e o deles.
Há pouco tempo, um grande amigo meu da minha faculdade resolveu ir para outra universidade que lhe oferecia melhores condições. Perguntei-lhe por que razão se ia embora. Ele ficou a olhar para mim e depois disse-me «Não me sinto apreciado aqui. O meu salário actual não é particularmente elevado em comparação com o de muitos outros professores da universidade e a outra universidade fez tudo para me apanhar.» Perguntei-lhe «Se não soubesses qual era o nível salarial dos outros professores desta universidade ou qualquer outra, continuarias a sentir-te subestimado?» Ele ficou a pensar e disse-me «Creio que seria diferente.»
Não creio que o meu amigo se importasse com o que outros ganhavam em termos daquilo que os dólares podiam comprar. Em contrapartida, ele era sensível ao que os dólares significavam quanto ao seu valor na profissão que ele escolhera. Pura e simplesmente, o meu amigo queria ir para um sítio onde o apreciassem mais.
Na nova economia, para singrarmos, não precisamos de ser estimados. O objectivo já não é integrarmo-nos nem conseguirmos a aprovação dos nossos pares, mas sim destacarmo-nos entre os nossos pares, fascinarmos e inspirarmos potenciais clientes ou pessoas que nos façam chegar a eles. O cantor de rock David Bowie fez uma emissão de obrigações pessoais, habilitando os investidores a receberem uma percentagem fixa dos seus direitos de autor futuros e das receitas dos seus concertos que foram totalmente subscritas no espaço de uma hora por mais de 50 milhões de dólares.
(pp.340-49) Horace Greeley popularizou a frase «Vai para o Oeste, jovem», mas não a criou. Ela teve origem em John Babson Lane Soul, num artigo publicado pela primeira vez em The Terre Haute (Indiana) Express, em 1851. Além disso, Greeley não incitou todos os jovens a partir para o Oeste, mas só aqueles que não tinham nada de melhor para fazer. «A melhor ocupação que podes arranjar é na quinta ou na oficina do teu pai.» advertiu ele «Se não tiveres nenhuma quinta nem amigos que te ajudem e não tiveres perspectiva, vira-te para o grande Oeste e lá construirás uma casa e uma fortuna.» em «To Aspiring Young Men», citado em James Parton, Life of Horace Greeley, 1855.
Os políticos e os jornalistas têm prestado muita atenção ao número crescente de americanos que não têm seguro de saúde, menos àqueles que têm de pagar prémios maiores, comparticipações e dedutíveis pelos cuidados de saúde que recebem. A consequência destes pagamentos mais avultados é muitas vezes impedir que as pessoas utilizem os serviços de saúde. Para dados sobre a redução da cobertura de saúde assegurada pela entidade empregadora ver Lawrence Mishel, Jared Bernstein e John Schmidt, The State of Working America, 1998-99, Ithaca, Nova Iorque, Cornell University Press, 1999, pp.146-7.
Um dos motivos pelo qual as pessoas mais velhas e de meia-idade que perdem o emprego, têm mais dificuldade em arranjar outro tão bem pago é o facto de as empresas se mostrarem relutantes em investir em nova formação associada a nova tecnologia para trabalhadores mais velhos cujo período de compensação à empresa será mais curto. Ver William, J. Baumol e Edward N. Wolff, Speed of Technical Progress and Length of the Average Interjob Period, Jerome Levy Economics Institute, documento de trabalho nº237, Maio de 1998, Annandale-on-Hudson, Nova Iorque. Ver também um estudo elaborado por Exec-U-Net Outplacement Service, Norwalk, Connecticut, sobre 400 executivos que procuravam um novo emprego. Quanto mais idade tinha o candidato, menor era o número de entrevistas e mais prolongada era a procura. Os candidatos com idades entre 41 e 45 anos levavam um período de 18% mais longo a encontrar um emprego do que os candidatos de 35 a 40 anos; os candidatos de 45 a 50 anos levavam um período de 24% mais longo; os candidatos de 51 a 55 anos, um período de 44% mais longo; os candidatos de 55 a 60 anos, um período de 66% mais longo. Ver Daniel M. Gold, «In Executive Job Hunts, Experience doesn't matter», New York Times, 25 de Outubro de 1998, Business, p.10.
As pessoas que negam que a desigualdade é um problema também negam que os dados sobre a desigualdade do Current Population Survey ignoram as consequências significativas dos programas fiscais e de transferências, mas a verdade é que, entre 1980 e 1998, a desigualdade aumentou ainda mais, mesmo incluindo os impostos e as transferências. Ver o portal do Census, http://www.census.gov/hhes/www/income.html, Quadro RDI-5
Os estudos que acompanham grupos consistentes de pessoas ao longo do tempo revelam que a mobilidade é limitada. São relativamente poucas as famílias dos estratos mais baixos que melhoram de situação. Cerca de seis em cada dez crianças nascidas no seio das famílias pertencentes ao quinto inferior dos rendimentos, no princípio dos anos 70, ainda pertencia ao mesmo estrato dez anos depois. Ver Peter Gottschalk, «Inequality, Income Growth and Mobility: The Basic Facts», Journal of Economic Perspectives, vol. II, nº 2, Primavera de 1997.❐
(continua)
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1NASAR Sylvia, «New Breed of College All-Star», New York Times, 08 de Abril de 1998, pp. C1, C3.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Futuro do Sucesso (IV)

2010 superou 2009, para mim e 2011 tem expectativas de superar 2010 o que me deixa muito feliz. Tenho praticamente publicado o meu primeiro livro – Século XV – Lagos Henriquina e pós-Henriquina que tenho divulgado em vários portais. Este livro tem preço de venda – 12€ e uma edição de 550 exemplares e é a chiadoeditora@gmail.com que devem contactar. Conto convosco para que esgote num instante. Modéstia aparte sei que é um trabalho excelente e com bastante nova informação que vai muito para além da história de Lagos, sendo Lagos apenas o átomo da vida nacional e internacional que perpassa anos quatrocentos até à revolução industrial que estabelece um novo patamar na história universal, no século XIX.
Partindo de LAGOS é um novo patamar que se escreve na história universal – os Descobrimentos e o início da era do comércio internacional – que vão modificar o mundo, mas foi em LAGOS que tudo começou!
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From Chiado Editora site:
“Dear International Colleagues, Welcome to our Foreign Rights page. Feel free to browse our online catalogues by categories of your interest. You can access additional information for each of our publications by clicking on its title.If you are interested in considering any of our books for translation, please do not hesitate to send us any translation query to the e-mail: foreignrights.chiado@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . We look forward to working with you.Kind regards,
Your Foreign Right Team”
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= AS MINHAS LEITURAS =
in livro “O Futuro do Sucesso (viver e trabalhar na nova economia)” de Robert B. REICH; 1ª edição portuguesa; vol.22; colecção Actualidades; Lisboa; editora Terramar; original – 2000 e edição portuguesa – 2004; pp.362.
(...)
(pp.150-191) Em meados do século XX, cerca de metade das famílias norte-americanas pertencia à classe média (que recebiam entre 4000 e 7500 dólares de 1953). A maioria destas famílias da classe média era encabeçada não por licenciados ou executivos, mas por operários fabris especializados ou semi-especializados, empregados administrativos, vendedores e trabalhadores grossistas e do comércio a retalho que geriam os fluxos do produto através das grandes pirâmides da produção em larga escala. A maioria tinha regalias concedidas pela empresa no domínio da saúde e das pensões de reforma.
Ser bem-sucedido era ser respeitado na comunidade, ganhar a vida decentemente e subir na empresa, possuir uma casa nos arredores, ter uma família estável e ser estimado e admirado por muitos. Estas aspirações não eram irrealistas para uma grande e cada vez maior percentagem de norte-americanos.
Na viragem do século XXI, menos de um em cada dez trabalhadores do sector privado pertence a um sindicato; o «homem da organização» de colarinho branco é uma espécie em vias de extinção. As opções cada vez mais amplas e as mudanças cada vez mais fáceis dos compradores impedem na prática que qualquer organização garanta um fluxo consistente de rendimento a alguém que trabalhe no seu seio. Para se manterem competitivas neste ambiente volátil, as organizações são obrigadas a transformar todos os custos fixos em custos variáveis que subam e desçam de acordo com as opções que os compradores fazem.
Hoje em dia, quase toda a gente vive daquilo que ganha que varia com os contratos, os bónus, a participação nos lucros, as horas facturáveis, as opções de compra de acções e outros indicadores de desempenho ou as vendas de um determinado período em relação ao seguinte. A quantidade de empregados que não sabem ao certo quanto irão ganhar de ano para ano é muito superior à estimativa mais generosa. Além disso, nas empresas, é cada vez maior o número de trabalhadores que passam de um projecto para outro ou que contactam com outros clientes. Se não existir projecto para eles trabalharem ou se nenhum dos projectos precisar dos seus serviços, continuando a fazer parte dos empregados a tempo inteiro, na prática, eles quase nem constam na folha de salários.
As instituições de beneficência e fundações que no passado renovavam sistematicamente as suas contribuições, actualmente são quase tão volúveis como os consumidores e os investidores. As universidades dependem de donativos e de investigação subsidiada pelo exterior e como cada vez mais estes são menos previsíveis elas recorrem cada vez mais a trabalhadores contratados, cujas funções e remunerações são igualmente variáveis. Pouco mais de metade dos professores universitários é itinerante.
As empresas já não reduzem os salários das pessoas que nelas trabalham. Pelo contrário, competem furiosamente para atrair e conservar os colaboradores altamente rendíveis, recompensando-os com elevados salários, prémios, opções de compra de acções, bónus de fim de ano, inscrições em spas e cabinas de sauna nas instalações da empresa ao mesmo tempo que reduzem os salários e as regalias dos trabalhadores de rotina. Os professores de Finanças ganham mais do que os professores de Inglês na mesma faculdade.
Os trabalhadores apelam ao que valem no mercado. A procura de inovadores de talento excede a oferta. Ao mesmo tempo, o trabalho produtivo de rotina pode ser executado com menores custos por máquinas digitais ou por trabalhadores de todo o mundo. É certo que alguns trabalhadores de rotina podem aprender o que é necessário para serem visionários ou psicólogos, mas as crescentes diferenças salariais permitem concluir que aqueles que o fazem, não chegam para satisfazer a procura nem para exceder a oferta das substituições.
A realidade pura e dura da desigualdade crescente: devido ao controlo dos altos e baixos do ciclo económico, todo o leque de salários e regalias se alargou; os trabalhadores de topo ganham hoje muito mais do que ganhavam os seus homólogos, o mesmo acontece com os trabalhadores com rendimentos mais baixos e os trabalhadores dos níveis intermédios estão mais afastados do que estavam. A empregada da lavandaria da minha rua ganhou 13 500 dólares em 1999, segundo o que ela me disse. Apesar de a economia norte-americana estar em franca expansão, o facto brutal é que a lavandaria em que ela trabalhava conseguia arranjar facilmente quem a substituísse, se ela exigisse mais um cêntimo. E a verdade é que eu não queria pagar mais do que o necessário pelo tratamento da minha roupa.
Na era do emprego, parecia adequado que os empregadores fossem os principais incentivadores do seguro de saúde e das pensões privadas e contribuíssem para a Segurança Social. Os empregadores tinham um interesse legítimo na protecção da saúde dos seus empregados e estes influenciavam a produtividade uns dos outros. Na era pós-emprego, as pessoas saltam de projecto para projecto e de posto de trabalho para posto de trabalho e assim parece razoável que os indivíduos assumam uma maior responsabilidade pelos seus próprios cuidados de saúde e pelo que poupam para a reforma. O seguro social está a desaparecer e também a relação entre vizinhos. Há muita gente que mal conhece os vizinhos.
Na velha economia industrial, os lucros provinham de economias de escala. Actualmente, os lucros provêm da rapidez com que se inova, atrai e conserva os clientes. Os vencedores são grupos pequenos e muito flexíveis que têm grandes ideias e marcas fiáveis que comercializam com eficiência.
Quase todos nós passamos o dia a trabalhar para ganhar a vida. Também existimos em redes de relações pessoais que incluem famílias, amigos e comunidades. Com a mudança para uma economia mais dinâmica e inovadora, mudou também o modo como o trabalho está organizado e é recompensado e estas mudanças estão a alterar a nossa vida pessoal. As pessoas com ambição e talento têm grandes oportunidades. Podem fazer muito mais dinheiro em relação ao salário médio do que as pessoas com ambição e talento da era industrial. Contudo, as disparidades de rendimentos e de riqueza aumentaram consideravelmente. Nunca os Estados Unidos sofreram ou toleraram este nível de desigualdade.
Dados do Bureau of Labor Statistics revelam que a proporção dos profissionais liberais e gestores que trabalham mais de cinquenta horas semanais subiu mais de um terço desde 1985.1 Trabalham mais arduamente do que a maioria das pessoas com outras profissões. Cerca de 40% dos licenciados e 20% das licenciadas trabalham mais de cinquenta horas por semana – o quádruplo da percentagem de pessoas com o nono ano de escolaridade.
A competição está a aumentar em todos os pontos ao longo da cadeia da oferta o que significa que todas as pessoas que se encontram nesses pontos são obrigadas a trabalhar mais para manter os seus clientes. Todos os nós do sistema, todas as empresas, todos os grupos estão sujeitos a uma forte pressão para manter os seus clientes, oferecendo melhores condições do que os seus rivais para conseguirem mais um contrato. Uma empresa que se candidate a um projecto, promete fazer alguma coisa que exigirá dela um maior esforço se quiser ganhar o contrato. A sua reputação depende de cumprir o que prometeu e a única maneira de conservar os seus clientes é manter-se à frente dos seus rivais, continuando a aumentar as suas capacidades. Tem de inventar permanentemente novas formas de fazer melhor, mais depressa e mais barato.
O que significa isto para as pessoas que estão envolvidas no projecto? Têm de trabalhar mais. Já lhes foi difícil cumprir os prazos do projecto anterior; o novo projecto é um repto ainda maior. Elas têm de descobrir maneiras de reduzir os custos e de aperfeiçoar ainda mais o desempenho, o que já era duro. Isto exige mais horas de improviso, de experimentação, de esforço até ao limite. Serões e madrugadas e, à medida que se aproxima a data da entrega, dias mais longos. Quando elas conseguirem um momento livre para a família ou para os amigos, talvez continuem a pensar no projecto. Talvez sonhem com ele.
O problema é que muitas vezes só há uma alternativa: perder ou ganhar. A economia emergente não oferece muitas gradações intermédias. Os trabalhadores assalariados e à hora continuam a existir, evidentemente, mas cada vez a sua remuneração depende mais do empenho e da eficiência com que trabalham. Para os profissionais liberais, gestores, visionários e psicólogos de toda a espécie, ser cada vez mais rápido é hoje uma necessidade. Os mercados e as tecnologias mudam hoje tão depressa que temos de estar totalmente envolvidos para mantermos o ritmo.
A nova economia obriga as pessoas a trabalharem mais também devido às disparidades de rendimento e de riqueza que aumentaram nas últimas décadas. As ambições de carreira das mulheres aumentaram em série. Em 1968, cerca de 40% das mulheres que ingressavam na universidade, afirmavam que queriam ser professoras. Seis anos depois, quando outras profissões mais bem pagas começaram a abrir as portas às mulheres, só 10% das que entravam na universidade é que queriam ensinar e esta percentagem não se alterou até agora. Regista-se o mesmo padrão nos pais solteiros. Aqueles cuja educação oficial não foi além do ensino secundário, trabalham 16% mais do que trabalhavam há trinta anos; quanto aos licenciados trabalham 20% mais.2 À medida que a escala de rendimentos aumenta, as pessoas que se encontram nos níveis superiores conseguem ganhar muito mais do que nunca. Assim, se optarem por trabalhar menos, essa opção implica um maior sacrifício financeiro.
Há cerca de um ano, um dos meus filhos participava numa grande maratona. Eu estava decidido a não faltar. Afinal, deixara o meu trabalho no governo em Washington para passar mais tempo com os meus filhos. Foi então que recebi um telefonema de alguém a perguntar se eu poderia colaborar num projecto noutra cidade. O momento não podia ser pior. O projecto começava na mesma manhã da corrida e não podia esperar. Se eu não comparecesse logo no início, poderia ficar de fora. A quantia que me ofereciam era generosa. As propostas deste género são raras. Até ao telefonema eu estava ansioso pelo começo da corrida; depois, fiquei num dilema. Não era possível ir à corrida e colaborar no projecto. Acabei por recusar o projecto e ir assistir à corrida; estou satisfeito e não tenho remorsos. Nesse sábado, pensei várias vezes no que me custava ir assistir à corrida do meu filho. Antes da proposta, o custo era zero; agora parecia uma quantia considerável.
Desde a década de 60 que todos os anos se pede a um grupo de recém-licenciados escolhidos aleatoriamente que seleccione os seus objectivos pessoais mais importantes entre várias alternativas, nomeadamente «ter uma boa situação financeira» e «criar uma filosofia de vida que tenha sentido». Em 1968, só 41% dos elementos da lista consideravam que era importante «ter uma boa situação financeira». Com o tempo, esse objectivo tornou-se mais importante. Em 1998, 74% dos recém-licenciados atribuíam-lhe uma grande importância. Por outro lado, «criar uma filosofia de vida que tenha sentido» deslocou-se em sentido oposto. Em 1968, 75% escolheram este objectivo que, no entanto, continuou a descer sistematicamente e, em 1998, foi escolhido por menos de 41% dos inquiridos.3
Outros estudos revelam números-recorde de estudantes que se ofereceram para prestar trabalho voluntário nas suas comunidades. O que mudou foram as suas apostas económicas no futuro. A escala de rendimentos é hoje muito mais alta e cada degrau mais acima está associado a ganhos muito maiores do que anteriormente. Quando os recém-licenciados pensavam nas suas prioridades, há trinta anos, os 10% de trabalhadores do sexo masculino mais bem pagos ganhavam apenas 70% mais do que os que se situavam no meio da escala salarial. Actualmente, um recém-licenciado que olhasse para o futuro constataria que os homens incluídos nos 10% mais bem pagos, ganham mais do dobro do que os que figuram nos patamares intermédios. A distância entre o 1% dos mais bem pagos e os patamares intermédios aumentou cinco vezes.❐ (continua)
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1Phillip L. Jones, Jennifer M. Gardner e Randy Ilg, «Trends in Hours of Work since the Mid 1970s», Monthly Labor Review, vol. 56, nº4 (1998), p.442.
2Families and the Labor Market, 1969-1999: Analyzing the «Time Crunch», Relatório do Council of Economic Advisers do presidente dos EUA, Washington D. C., Maio de 1999.
3Linda J. Sax et al., The American Freshman: National Year Trends, 1966-1995 e The American Freshman: National Norms para cada ano subsequente (Los Angeles, Cooperative Institutional Research Program Survey of American Freshmen, Higher Education Research Institute, University of California at Los Angeles.)